Entrevista

Nem os melhores líderes conseguem demitir alguém sem ficar com um nó na garganta. Mesmo quando a demissão é merecida, deixar uma pessoa sem emprego é uma das coisas mais difíceis que um líder tem que fazer.

Em primeiro lugar, ter que demitir alguém deve ser um momento difícil para você: isso é um sinal de que você tem coração e sabe se colocar no lugar dos seus subordinados. Afinal de contas, você está prestes a deixar o mundo de alguém de cabeça para baixo. Qualquer chefe que se preze tem firmeza suficiente para demitir um funcionário e sensibilidade bastante para compreender como é sofrido passar por uma demissão.

A boa notícia é a seguinte: muitos profissionais de sucesso só deslancham após serem demitidos. Anos depois, eles veem a ocasião como um momento essencial de sua carreira.

Saber disso não facilita nem um pouco as coisas, mas é possível deixar esse tipo de situação um pouco menos horrível com estas dicas de alguns dos meus clientes, líderes experientes que já sofreram quando tiveram que demitir um funcionário pela primeira vez.

1. Concentre-se nos fatos

Por mais que quisessem realizar a demissão em uma conversa tranquila e pessoal, a maioria dos líderes diz que essa abordagem não funcionou para eles. O seu papel é informar o funcionário sobre o que está acontecendo, apresentar quais podem (e devem) ser as expectativas dele e explicar por que ele está sendo demitido. Isso ajudará o profissional a iniciar o processo de desapego para começar a pensar no futuro.

Nada melhor para deixar essa conversa ainda mais desagradável que um gerente sem pulso que fique morrendo de preocupação com falar tudo com jeitinho. Dizer algo como “Precisamos demiti-lo porque você não conseguiu o desempenho mínimo que exigimos” pode parecer um exagero, mas é muito mais sincero e claro que falar “Eu vejo que você realmente está tentando aprender a fazer esse trabalho e gostaria muito de poder deixar você continuar esse aprendizado, mas teremos que implementar algumas mudanças que terão um impacto em você”.

Não trate a pessoa como se ela fosse burra, fale o que ela precisa saber. Se você estivesse no lugar dela, você preferiria que seu chefe falasse a verdade.

2. Lembre-se de que sentir culpa não significa que você tenha culpa

Você tomou uma decisão que acabou de transformar a vida de uma pessoa. Agora, ela precisará passar por todo o processo de procurar um outro emprego. Ela também terá que se despedir dos amigos e lidar com os sentimentos causados pela demissão. Será uma grande mudança pela qual ninguém nunca quer passar, mas todas essas etapas são toleráveis.

Não é culpa sua que o seu funcionário terá que passar por isso. Você tinha a obrigação de agir como um chefe e monitorar o desempenho dessa pessoa. Ela era responsável por fazer o próprio trabalho e atender às expectativas. Toda essa parte relacionada ao funcionário atender ou não às expectativas só depende dele, não de você.

Às vezes, os seus colegas farão você sentir culpa ao questionarem a sua decisão com um comentário do tipo: “Eu não fazia a mínima ideia de que você estava insatisfeito com ela. Ela teria sido muito útil no meu departamento se você tivesse conversado comigo”. Lembre-se: se opinião valesse alguma coisa, ninguém dava; vendia. Você fez o que fazia mais sentido para a sua equipe.

3. Saiba que o relacionamento existente entre vocês mudará a partir do segundo em que a demissão ocorrer

Prepare-se para sentir a raiva (ou, no mínimo, reprovação) tanto do funcionário que for demitido quanto de seus colegas ou amigos. E não só no curto prazo, mas também no longo – é bem possível que você dê de cara com essa pessoa no futuro e ela não fique feliz ao te ver. Mas lembre-se: o seu objetivo não deve ser fazer amizade com os seus funcionários. Em vez disso, tente conquistar o respeito deles por ser uma pessoa justa, honesta, competente e coerente.

Ao mesmo tempo, você é de carne e osso. Não é fácil ver um funcionário passar por uma dificuldade. E, assim como não é culpa sua, você não é responsável por “resolver” o problema. Manter a calma – mesmo diante de uma reação emocional intensa – é não só a abordagem mais profissional para a ocasião, mas também a mais útil.

Além disso, não tente sair bem na fita jogando outras pessoas aos lobos. Frases como “Não fui eu que decidi isso…” ou “Se dependesse de mim…” só deixam a pessoa confusa (e não causam nenhum bem-estar). Se for demitir alguém, vá de cabeça erguida. Perder o emprego já é bem sofrido, mas ser demitido sem saber quem tomou a decisão ou por que isso está acontecendo é pior ainda.

Se você for responsável pelo desempenho de outros funcionários, é provável que precise dispensar alguém em algum momento. E quase todo mundo que já foi demitido se lembra do dia em que isso aconteceu: essa lembrança dura para sempre. Trate o que está acontecendo e a pessoa à sua frente com humildade, respeito e compaixão. É impossível prever ou controlar exatamente como uma demissão vai afetar outra pessoa, mas você pode controlar os seus atos – e a sua postura pode deixar essa experiência menos estressante para ambas as partes.

Este artigo foi escrito por Jim Morris do The Daily Muse e licenciado oficialmente pela rede de editores NewsCred.

Fonte: content-loop

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