TOMADA DE DECISÃO E CRIATIVIDADE: UM MÉTODO EFICIENTE
Eline Rasera
Não é necessário ser CEO ou ocupar cargos de lideranças em uma empresa para tomar decisões que impactam tanto na vida de quem decide como na de outras pessoas. Também não é preciso ser um gênio para necessitar ser criativo em diversos momentos da existência. Decisão e criatividade são inerentes ao ser e ao existir.
Decidimos o dia todo. Fazemos escolhas desde que abrimos os olhos de manhã. Levantar da cama ou ficar, a roupa adequada para o clima e para os compromissos, o melhor caminho para se evitar trânsito, e assim durante o transcorrer do dia e todos os dias. São Pequenas decisões que tomamos quase que automaticamente.
Mas o que dizer daqueles problemas que nos afligem mais do que o necessário? Que nos tiram a tranquilidade e que, muitas vezes, o resultado da escolha pode afetar muitas pessoas e até mesmo uma organização inteira e os stakeholders?  E quando necessitamos de uma grande ideia para uma campanha de marketing, um novo produto ou mesmo melhorias de um processo?
Para qualquer profissional, essa pode ser uma oportunidade brilhante, ou se transformar em um momento altamente estressante. Um modelo conhecido a mais de um século, chamado de “Modelo de quatro estágios de criatividade”,  descrito no  livro de Daniel Goleman, em “O Cérebro e a Inteligência Emocional – Novas perspectivas”, demonstra que podemos sim otimizar e facilitar o processo  de soluções de problemas e obter excelentes insigths.
Todas as vezes que temos diante de nós a urgência de uma decisão, ou a necessidade de criar algo, em geral ficamos  pensando e repensando (quase que obsessivamente), procurando a solução ideal, quando que, a melhor maneira de se encontrar respostas, é “desligar.”
Segundo o autor, o cérebro criativo não é somente o lado direito; sabe-se hoje que essa crença está desatualizada e que a criatividade envolve o cérebro inteiro.
E existe maneira mais eficiente para se mobilizar a capacidade criativa do cérebro e obter melhores resultados? O  Modelo de quatro estágios parece atender a maioria das pessoas. Trata-se de quatro passos que, diante de uma situação problemática ou para obter ideias mais criativas, quando seguidos, tende a facilitar os resultados. São eles:
  1.   Definir claramente o problema ou o objetivo que se quer alcançar- foco;
  2.  Buscar informações, dados, imagens, observações que tenham ligação e/ou façam sentido para o contexto;
  3.  Soltar-se. Parece um tanto contrário ao objetivo de buscar respostas, mas é dessa forma que se permite um estado de abertura, um elevado ritmo alfa que permite receptividade a novas idéias. E dessa forma, o cérebro se prepara para conexões inéditas, quando os circuitos neurais fazem  novas associações;
  4. A execução do que surgiu. Também uma etapa importante, pois a ação bem feita,  faz parte do todo.
E ao se soltar, relaxe de fato. Caminhar por lugares agradáveis, de natureza, meditar, ouvir boa musica, enfim, algo que traga prazer e serenidade.
Esse modelo não é tão rigoroso, isto é, existem pessoas que obtém bons resultados de solução de problemas e criatividade de outras maneiras , assim como, é possível que haja mais complexidade nesse processo de criar e encontrar respostas novas, porém, o exercício de colocar foco intenso no problema e depois relaxar em relação a ele, parece preparar o cenário mental para que os circuitos neurais , durante o “tempo ocioso”, façam um “bom trabalho”.
Vale a pena tentar, afinal, o equilíbrio das emoções e a redução do stress, sempre são e serão as melhores opções de vida. E vida com qualidade.

 

Eline Rasera, psicóloga, coach e professora do curso de Pós-graduação em Administração de Empresas da IBE Conveniada FGV.
Fonte: Panorama de Negócios
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