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Sobreviverão somente aqueles que melhor se adaptarem, diz especialista em seleção de executivos

O Brasil está à venda! E o pior, não tem comprador interessado. De Norte a Sul do país percebemos a gravidade em que chegou a atual crise, podendo se comparar a uma metástase. Lugares cheios de empreendimentos e vida foram tomados por placas do tipo “Vende-se” ou “Aluga-se esta área”.

Diante desse cenário, como sobreviver em um mercado cada vez mais hostil? Os executivos sempre foram cobrados por melhores desempenhos com menos recursos, contudo, o momento tem exigido também maior assertividade dentro de um ambiente de extrema pressão. Como fazer essa panela de pressão cozinhar bem e não estourar?

Percebo que muitas empresas estão com um olhar mais crítico de suas estruturas, readequando-as e procurando um novo modelo, mais leve, ágil e funcional. Dentro desse contexto, quais perfis profissionais diferenciam no mercado?

Nos processos que tenho conduzido, os executivos que saem na frente são aqueles que possuem competências que as empresas julgam ser as mais raras de encontrar no mercado e, ao mesmo tempo, possuem um grande valor para a organização, pois estão alinhadas com o DNA da companhia.

Gestores, não se enganem! O executivo que é excelente em tudo não existe. Por isso, muitas vezes as companhias priorizam alguns pontos de maior valor, enquanto as demais características são gerenciadas ou aperfeiçoadas mediante cursos e treinamentos teóricos e vivências. Neste ano, destacaram algumas competências como, por exemplo, a orientação para o resultado, maturidade emocional, senso de urgência, resolução de problemas e a capacidade de se adaptar às mudanças.

Também têm sido demandados profissionais com uma maior senioridade na operação, uma vez que os times estão menores, com recursos mais escassos e estruturas mais sensíveis a erros. Vamos entender que senioridade não necessariamente quer dizer idade ou números de graduações/especializações que o executivo tem, mas sim por quais situações esse profissional já vivenciou. Ou seja, as cicatrizes corporativas, as quais contribuirão na prática para que a organização alcance seus resultados.

Quando me refiro à educação  busco provocar, não menosprezar o valor dela, pois o conhecimento teórico só terá importância no mundo corporativo se de fato possuir aplicabilidade no negócio e a pessoa souber conduzi-lo em sua plenitude. De que adianta ter um curso de 250 horas teóricas de natação se no primeiro mergulho sozinho em alto mar a pessoa morrer afogada?

O escritor iraniano Saadi de Shiraz dizia que aquele que aprende e não coloca em prática é como aquele que ara e não semeia. No mercado corporativo chamamos de talentoso, contudo obsoleto. É preciso muitas vezes “calejar”, nem que dê um passo atrás para depois chegar à posição que deseja. Não se pode queimar etapas!

Talento é aquele que se faz necessário na empresa no momento e que consegue pensar em novos caminhos para o futuro da organização. É aquele que cumpre os prazos acordados com assertividade, mas que também consegue gerenciar expectativas tanto internas como externas, muitas vezes reconhecendo as limitações da empresa, mas sabendo utilizar na plenitude o capital humano disponível.

Existem muitas organizações readequando suas estruturas e revendo funções e posições, sendo este um momento propício para recrutar um talento, substituindo alguém que não está performando. Em tempos em que a competição está mais acirrada, ter um time talentoso atuando como agente de mudança positiva pode ser a diferença entre crescer e desaparecer.

E você, o que tem feito para se antecipar às mudanças do mundo? Tem sido corajoso o suficiente para abandonar o passado?

Fonte: ABRH Brasil

* Leonardo Massuda é sócio-diretor de consultoria de busca e seleção de executivos.

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