Só troque de empresa, ou emprego, pelos motivos certos
 Viviane Gonzalez – MBA em MKT FGV
Expectativas. Essa condição de quem espera por alguma coisa, baseando se em probabilidades ou na possível efetivação de algo é o que leva uma pessoa a permanecer em uma função ou partir para a próxima. Mas, a pergunta é: por que, então, cada vez mais os profissionais mudam de empresa, ou emprego, e depois, em menos de 30 dias já estão reclamando? A resposta é simples. Porque mudaram pelos motivos errados.
São três as possibilidades mais recorrentes. Em primeiro lugar, porque não avaliaram adequadamente as causas que geraram descontentamento com o emprego anterior. Depois, porque na ansiedade de mudar rápido, não analisaram corretamente a nova proposta e, por último, porque não deram um prazo no mínimo razoável para colher os resultados da mudança.
É certo que se um profissional atua em uma área que não gosta, dificilmente se sentirá realizado e por isso ficará infeliz. As pessoas lutam pela felicidade plena e isso não vai acontecer trabalhando em algo que não gosta, já que a maior parte do tempo da vida útil é passada no trabalho.
Porém, é necessário entender se as características que estão  desagradando  são inerentes apenas àquela atividade específica ou se são relativas ao mercado que atua. Às vezes, o motivo da mudança é devido ao cansaço e desgaste de estar há anos na mesma função, mas isso também não pode deixa-lo míope a ponto de ser movido apenas pelo instinto ou salário.
Mudar gera desgaste, por isso, antes, deve-se fazer um diagnóstico da situação atual e ajustar o foco aonde deseja chegar. É preciso, ter claro os porquês da mudança, o que gostaria de fazer e para onde desejaria ir, antes de aceitar qualquer outra proposta.
O processo seletivo é um bom momento para analisar as condições que a nova empresa irá oferecer. Durante ele, o profissional vai convivendo com situações e pessoas, comportamentos e processos que podem dizer muito sobre a cultura da nova companhia. Também é importante ter em mente, por exemplo, que na entrevista pessoal os dois lados estão se avaliando, não apenas o recrutador. Aproveite para fazer as suas próprias perguntas, elucidando dúvidas, questionando plano de carreira ou possibilidades de crescimento profissional e, assim, dar melhor direcionamento para sua vida.
Dedicar-se mais à família é um excelente motivo para mudar, mas aceitar uma nova oportunidade em um cargo que exige constantes viagens ou em uma cidade mais longe de casa será frustrante do mesmo jeito. Lembre-se: sem foco não se alcança o alvo e o imediatismo é um péssimo conselheiro. Então, antes de mudar só por mudar ou pelo dinheiro, analise profundamente a nova proposta já que o dinheiro também não traz felicidade completa. Felicidade depende de um conjunto de fatores, inclusive satisfação pessoal no trabalho.
E, por fim, como costumo dizer: dê tempo a tempo e não desista, ou reclame, antes de tentar. Se você fez a escolha certa, baseada nos motivos corretos após uma avaliação bem clara da nova função ou empresa, parabéns, a sua carreira só depende de você. A organização raramente vai descumprir o que foi acordado na contratação. Hoje em dia, as informações circulam muito rapidamente e de forma bem transparente no mercado, então, não espere nada diferente do combinado.
O diferencial é mesmo você. A sua capacidade de adaptação e de comunicação em todos os níveis, seu poder de negociação, seu talento para lidar com o novo e trabalhar em equipe e a sua disposição para recomeçar estarão sendo testados. Então, espere um pouco mais. Ouça com atenção. Ao longo de qualquer carreira, mais do que possuir diversas competências, a qualidade marcante de um vencedor é a determinação.

 

Viviane Gonzalez é consultora de RH com ampla experiência em Executive Search para todos os segmentos da indústria. É graduada em Administração de Empresas pela PUC-RS e tem MBA em Marketing pela FGV. Tem Inglês fluente e vivência internacional.
Fonte: Panorama de Negócios
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