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Estudo “Antes da TI, a Estratégia em Saúde” revela imaturidade do departamentos de TI do setor.

Apesar de reconhecerem a importância da tecnologia da informação (TI), as instituições da área de saúde ainda carecem de visão estratégica. Embora 73% delas digam que a TI é essencial, somente 24% a entendem como estratégica, 28% como componente para aumentar a competitividade. Enquanto isso, 24% veem a tecnologia apenas como custo extra, e outros 24% tem dúvidas se devem investir ou não.

“Esses números muito inferiores se comparados às mil maiores empresas do País”, disse o médico e consultor Claudio Giulliano da Costa, da Folks e-Saúde. Ele é um dos autores do relatório “Antes da TI, a Estratégia em Saúde”, elaborado em parceira com a IT Mídia e apresentado nesta sexta-feira (20) no Saúde Business Forum 2013. “Há uma questão de maturidade da visão sobre TI na saúde que precisa ser discutida, pois esse desconhecimento gera um clima nem sempre favorável para os departamentos de TI trabalharem.”

Para o estudo, foram ouvidas 167 instituições do País, a maioria do estado de São Paulo (40,7%) ou da região Sudeste (59,3%), que proporcionalmente compreendem as instituições mais desenvolvidas. “Estamos falando portanto da realidade das instituições do eixo Rio-São Paulo, que embora mais desenvolvidas ainda tem muito a fazer”, ponderou Costa.

Da amostra, 56% das instituições possuem aproximadamente 200 leitos (a média nacional está abaixo de 150 leitos) e são acreditadas (64,8%). Entre as operadoras, a maioria é formada por Unimeds (59%), e 41% possuem mais de 150 mil vidas. Em termos de faturamento, há equilíbrio: 39,5% faturam acima de R$ 100 milhões ao ano, enquanto 38,9% são pequenas (R$ 10 milhões ao ano). Em termos de orçamento de TI, 64,7% investem até R$ 2 milhões ao ano. “A boa notícia: 87% pretendem investir em TI”, disse Costa.

Apesar disso, explica Sergio Lozinsky, consultor especializado em tecnologia da informação e também autor do estudo, metade das empresas ouvidas cumpriram, em 2012, a estratégia programada para a área de TI, “número baixo perto das 500 maiores empresas, que chegou a 75%”. Além disso, 41% ficaram aquém do pretendido. “Quando a estratégia global não ocorre como combinado, para o departamento de TI é um desastre, pois ele vive do longo prazo. Projetos de curto prazo são emergências.”

Lozinsky pondera ainda que as áreas de TI das empresas de saúde ainda participam muito pouco das decisões estratégicas globais, e geralmente só participam do processo depois, como meros executores. “Ao não participar não contribui e algumas decisões podem ser inconsistentes com a capacidade da TI de execução dos projetos.”

Liderança
O CIO da área de Saúde é o pior remunerado entre todos os segmentos analisados pelo estudo. Para Lozinsky, a baixa remuneração impede a atração de profissionais categorizados e de qualidade. “Se o gestor da área for abaixo do mercado, a equipe dele provavelmente também será”, ponderou. Apesar disso, 80% dos profissionais de TI em saúde se auto-classificaram como experts.

Outro problema deste perfil: uma equipe muito técnica e pouco experiente tende a ser altamente dependente do fornecedor. Nestes casos os profissionais de TI passam a ser meros intermediários entre os decisores de negócios e os vendedores de soluções, “o que exige a escolha de fornecedores muito bons”, ponderou o especialista.

Apesar da baixa qualificação e experiência, apenas 74% das instituições de saúde possuem planos formais de treinamento, baixando ainda mais a capacidade de execução.

Mercado
O estudo também identificou os principais fornecedores de sistemas de gestão (ERP) hospitalares no País: a MV lidera com 27%, seguida pela Philips com 24,6% e Totvs com 16%. No entanto, considerados como categoria em separado, os sistemas desenvolvidos internamente estariam em terceiro lugar, com 20,6%.

“Estão entrando outros players no mercado nacional. Haverá com certeza alguns movimentos de fusão e aquisição para aumentar a base de clientes e agregar novas tecnologias. É um mercado muito ativo e competitivo”, diz Claudio Giulliano da Costa.

Os sistemas ainda tem muito a evoluir, segundo o estudo. A maior parte (77%) são “horizontais e monolíticos”, ou seja, integram todos os processos em um único módulo (faturamento, prontuário médico, backoffice, RH etc). Isso gera dificuldades de implantação de novos módulos e na atualização para novas versões. Ainda falta interoperabilidade, e os especialistas que participaram do SBF 2013 veem nas arquiteturas baseadas em barramento uma solução – infelizmente ainda ignorada nas estratégias dos fornecedores.

Ao menos uma notícia positiva: o caminho rumo ao “hospital digital” está sendo trilhado. Cerca de 65% dos respondentes usam algum tipo de iniciativa em prontuário eletrônico, um “número animador”, disse Costa. Prescrição eletrônica (58%) e PACS (56%) também alcançaram boas médias, mas o compartilhamento de informações clínicas dos pacientes é praticado por apenas 15% dos pesquisados.

“Algumas bases fundamentais precisam ser pensadas – infraestrutura, governança e estratégia – antes de alcançar o hospital digital”, ponderou Costa. “Mas há obstáculos: 48% dizem que não tem dinheiro, e 43% dos profissionais resistem à adoção.”

Fonte: Information Week

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