Ryan Lochte, contratado pelo desempenho e demitido pelo comportamento

O fatídico episódio do Ryan Lochte durante as Olimpíadas Rio 2016 e que levou marcas, como Speedo e Ralph Lauren, a cancelarem o patrocínio concedido ao atleta é uma oportunidade para levantar uma discussão sobre a importância da aplicação da avaliação de desempenho e de conduta, em situações que vão além de processos seletivos de candidatos para as empresas.

No caso da Speedo, a marca decidiu encerrar o contrato com o atleta, depois de mais de dez anos de parceria, alegando desalinhamento com os “valores que a marca defende há muito tempo”. Se há valores a serem preservados, há, também, a necessidade de avaliar quais são eles nas duas pontas – a do patrocinador e a do patrocinado – para, então, constatar tal alinhamento.

Em alguns casos, o uso de um sistema de avaliação é negligenciado por falta de ferramenta adequada ou, então, por falta de conhecimento sobre a implementação desse processo. Sim, avaliar alguém é um processo mais abrangente do que simplesmente olhar para a questão do desempenho. Avaliar alguém exige analisar conduta, personalidade, estudar o histórico e projetar as chances de desempenho e boa conduta no futuro.

Assim como acontece num processo de contratação dentro das companhias, é preciso, primeiro, entender quem é o candidato ideal a ser contratado. Depois, com um sistema de avaliação estruturado, deve-se analisar se o candidato tem esse perfil ideal, tanto do ponto de vista de desempenho quanto de conduta, sendo que esta deve ter mais peso na tomada de decisão. Afinal, é possível melhorar a técnica para atingir o alto desempenho, já princípios e valores, não permitem intervenção.

No que se refere a desempenho, não há dúvidas de que a Speedo teve retorno. Aos 32 anos, ele é um dos nadadores mais bem sucedidos da história, com 12 medalhas olímpicas entre Atenas 2004 e Rio 2016, na qual nadou em duas modalidades, ganhando um ouro no revezamento 4x200m livre.

Na ótica de princípios e conduta, não dá para negar que houve um certo prejuízo à marca. E é esse tipo de análise de risco que uma avaliação deve apoiar. O custo da contratação errada é altíssimo. Muitas vezes, os processos de seleção e avaliação não projetam essa possibilidade de erro. O resultado? Prejuízo financeiro e/ou de imagem.

É como dizem por aí: contrata-se pela técnica e demite-se pelo comportamento. O caso Ryan Lochte nos ensina a lição.

Fonte: Luiz Gustavo Mariano – LinkedIn