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Parece não existir data mais apropriada para o tema. Natal, época em que as pessoas se voltam mais a determinados assuntos, tornam-se mais atentas ao mundo, ao ser humano e suas necessidades. Solidariedade e compaixão.
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E por que não olhar também para essas necessidades nas organizações? Podemos avançar como seres humanos e como profissionais.

Quociente Intelectual (QI), Quociente Emocional (QE) e Quociente de Adversidade (QA), conceitos conhecidos por muitos.

Mais recente, o “Quociente Espiritual” – QS (do inglês Spiritual Quocient), ou também “Inteligência Espiritual”, já incorporada aos valores de muitas empresas do mundo e também do Brasil. Nem por isso menos polêmico.

Provavelmente a falta de conhecimento mais aprofundado, tende a levar algumas pessoas a associarem o termo “Espiritual” com religiosidade o que, por sua vez, leva também ao preconceito.

Espiritualidade está ligada “mais à dimensão pessoal, que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Refere-se a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além”. (Revista CoachMe).

Nas organizações, o termo tem sido utilizado com cuidado, pois até pouco tempo não havia espaço para sentimentos ou qualquer assunto ligado à natureza do ser humano. A meta era produzir cada vez mais. Embora existam empresas que desconhecem esse assunto (utilizando trabalho escravo inclusive), muitas demonstram preocupação com a qualidade de vida do funcionário.

O aumento da competitividade, ocasionado por inúmeros fatos ocorridos nos últimos anos, dentre eles a globalização, tem obrigado as empresas a buscarem novos modelos para crescerem e para se manterem no cenário mundial. Essa busca levou as organizações a perceberem as pessoas como seu recurso mais valioso. O RH – Recursos Humanos, passou então a ser visto como além do Departamento Pessoal e Medico das organizações. O setor de T&D – Treinamento e Desenvolvimento também apresentou um avanço com programas que levavam em conta a saúde emocional e mental do profissional, já envolvido com uma carga elevada de stress e problemas de saúde.

Mesmo que as empresas ainda tenham como objetivo a lucratividade, o olhar diferenciado para o ser humano têm-se intensificado nos últimos anos. Agora é questão de sobrevivência, uma vez que as gerações X, Y e Z não conhecem o mundo sem esse conceito. Retornar? Impossível!

O que significa então espiritualidade nas organizações?

Mais do que a saúde mental e emocional do profissional, significa o melhor de todos os objetivos e metas do ser humano: a realização plena.

Danah Zohar, física e filósofa, ligada a importantes centros de pensamentos nos EUA e Europa, define ser o Quociente Espiritual, algo essencial para promover a cooperação entre pessoas, sendo que, quem o apresenta elevado, tende a ter vida “mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal”.

Onde existe esse conceito, certamente existe cooperativismo, respeito à diversidade, sustentabilidade, ambiente saudável, equipes colaborativas e resultados altamente diferenciados.

Parece muito para não inserir esse novo conceito aos valores da empresa. Ainda que a maioria não esteja familiarizada com o assunto, podendo inclusive demonstrar preconceito, falta de interesse ou até considerar “muito romântico”, vale a pena implementar programas dessa natureza, levando informações consistentes de grandes nomes da nossa ciência.

Toda mudança gera desconforto no início, mas os resultados alcançados e sentidos, justificarão o esforço. Afinal, ter elevado Quociente Espiritual também significa investir e insistir para um mundo, uma sociedade e empresas melhores.

 

Eline Rasera, psicóloga, coach e professora do curso de Pós-graduação em Administração de Empresas da IBE Conveniada FGV.
Fonte: Panorama de Negócios
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