Profissionais que têm curso de especialização ou pós-graduação no currículo observam ganhos salariais.

Muitas carreiras são escolhidas baseadas na projeção que o estudante faz da recompensa financeira que terá após se formar, ou seja, de quanto deverá ganhar quando já tiver inserido no mercado de trabalho. Pensando nisso, Naércio Menezes, professor do Centro de Políticas Públicas do Insper, calculou a taxa de retorno por níveis de escolaridade, baseado na última Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad/IBGE), de 2012. O prêmio de salários das pessoas graduadas (de 15 a 16 anos de estudo), apesar de alto, está estagnado — em torno de 146% — desde 1995 e a taxa de retorno que mais cresce é a dos que possuem curso de pós-graduação (entre 17 e 18 anos de estudo) no currículo. Saltou de 31%, em 1995, para 61%, em 2012.

Os motivos, segundo Gabriel Ulyssea, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), são razoavelmente fáceis de supor. Ele explica que a disparidade de rendimento entre aqueles que cursam graduação e os que menos escolarizados sempre foi alta no Brasil. Mas com a expansão do acesso a educação nos últimos anos seria “desejável e natural” que o prêmio para o ensino superior caísse já que a proporção de pessoas na faculdade seria mais alta. “É quase um efeito mecânico entre oferta e demanda”, ressalta. Ou seja, se há profissionais com certa qualificação no mercado de trabalho o empresário não precisa atraí-los com maiores salários para conseguir contratá-lo. Para quem tem ensino médio (de 11 a 14 anos de estudo) a taxa sofreu queda ao sair de 64% para 41% no mesmo período. Já para os profissionais com fundamental, a taxa caiu ainda mais: de 33% para 8%.

Em contrapartida, outro grupo, menor se considerado o total da força de trabalho no país, é formado em pós-graduação. “Os diferenciais de salários só tem aumentado para aqueles que têm pós. Isso porque há menos pessoas compondo esse grupo, por isso, tendem a ser mais requisitados. As pessoas precisam se diferencias no mercado de trabalho, por isso, procuram um curso de especialização”, comenta Menezes. Ulyssea emenda: “Quem tem mestrado ou doutorado deve ganhar mais pelo fato de estarem acumulando mais capital humano e, com isso, acredita-se que há aumento da sua produtividade”.

Fonte: IBRE/FGV

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