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Mulheres ocupando posições no alto escalão nas empresas já não é peça tão rara de se ver quanto há décadas atrás, mas a verdade é que ainda há um longo caminho a percorrer para que elas consigam se equiparar aos homens nesse quesito. Estudo produzido pelo Grupo de Pesquisas de Direito e Gênero da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que a presença feminina nos altos cargos é de apenas 8%. Os pesquisadores também constatam que esse percentual não sofreu sequer alteração nos últimos 15 anos. Para reverter esse quadro, há várias soluções. Uma delas, que suscita divergências, é a imposição de cotas de participação de mulheres nos conselhos administrativos. A proposta, que já tomou forma em um projeto de lei, mas acabou sendo arquivada pela Comissão de Assuntos Econômicos, reservaria, até 2022, 40% das vagas em conselhos de administração de empresas para as mulheres. O tema foi capa da edição de abril da revista América Economia, que contou com participação da professora do Mestrado Executivo em Gestão Empresarial e coordenadora do Núcleo de Estudos em Sustentabilidade e Gestão de Excelência, ambos da FGV/EBAPE, Dra. Carmen Pires Migueles.

A pesquisadora se posiciona contra as cotas pois a questão é bastante mais complexa. A posição em conselhos é normalmente um passo após a passagem pela presidência ou diretoria das empresas. E nessas posições há uma predominância de engenheiros. Ainda há muita desigualdade nesses cursos e na alta gestão. O número dos conselhos é consequência disso. Segundo recomendações da ONU e Banco Mundial, é importante olhar para a difícil associação entre desigualdade entre gêneros e pobreza persistente. No Brasil,  “a desigualdade dificulta a vida das mulheres da base e facilita a das do topo”, salientou em entrevista à revista. O problema é complexo, por isso demanda foco.

Segundo ela, muitas das que defendem as cotas em conselhos advogam em causa própria, parecendo mais uma questão de beneficio próprio, ou buscam uma promoção facilitada. “O que se vê é uma conjunção terrível entre pobreza persistente, baixa qualificação e violência contra as mulheres. O arranjo social faz com que a mulher fique mais responsável pelos filhos que o homem, o que muitas vezes, a impossibilita para o trabalho”, defendeu Carmen, que sugere políticas públicas que deem suporte à maternidade, como aumento da quantidade de creches, escolas em tempo integral, apoio à criança e estimulo e reflexão sobre valores e escolhas. “O Brasil é carente deste tipo de projeto porque nós, mulheres, somos muito mal representadas politicamente”, enfatizou na matéria da América Economia.

Leia a matéria na íntegra.

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