Prof Matheus Kfouri Marino

Produtores de grãos da região Sudeste serão impactados pela estiagem

A esperança de que as chuvas de verão voltassem a tornar caudalosos os rios, reservatórios e colaborasse com a agricultura, evaporou com o prolongamento da estiagem que assola o Sudeste. Para o professor da IBE Conveniada FGV, Matheus Kfouri Marino, especialista em agronegócio, os produtores de grão da região terão que arcar com os prejuízos da estação.

De acordo com o alerta divulgado no fim de dezembro pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o déficit de chuvas de dezembro no Norte de São Paulo, Centro-Sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro se somou a anomalias do clima que impediram precipitações em outubro e novembro, gerando uma “estação chuvosa mais fraca em seu início”, para o Sudeste do país.

Sem as precipitações previstas para dezembro e com a projeção de que o primeiro trimestre, conhecido como o mais chuvoso do ano, seja de chuvas insuficientes, os produtores de grãos como soja, milho e café da região sudeste de São Paulo e interior de Minas serão os mais afetados pela estiagem.

O professor da IBE Conveniada FGV especialista em agronegócio explicou que a região sudeste do país não tem tanta participação na produção de grãos do Brasil, como a região Centro-Oeste e Sul. “A falta de chuvas vai impactar muito os produtores de soja do estado, por exemplo, pois não conseguirão aumentar os preços e nem ter uma boa colheita,” explica Marino.

Quando o assunto são os hortifrútis, o produtor da região sudeste do país conseguirá inserir no valor final de venda dos produtos os prejuízos sofridos com a escassez de chuvas. “Os produtores dos hortifrútis, como limão, batata e jiló, conseguirão aumentar os preços de suas safras, pois a maior produção desses itens encontra-se nessa região, sentindo menos o impacto da estiagem,” exemplifica o especialista em agronegócio.

O Ceasa de Campinas anunciou já esta semana um aumento de até 30% no valor da batata, porém Marino explica que esse acréscimo é passageiro, e avisa que a população não deve se assustar.

“Os hortifrútis tem um ciclo curto de produção, e podem ser cultivados em estufas e com sistemas de irrigação, ou seja, os preços terão picos, subirão exorbitantemente e reduzirão logo em seguida”, afirmou.

 

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