Economista dá dicas para famílias que querem sair do sufoco e ensina como criar um planejamento financeiro que garanta segurança e qualidade de vida

Planejar bem os gastos e eliminar certos “luxos” pode garantir uma vida mais tranquila no presente e segurança para o futuro. A receita parece simples, mas, na prática, a realidade é bem diferente. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 55% das famílias brasileiras estão endividadas. O acesso às fontes de financiamento e as facilidades no crédito são as principais causas para essa realidade, tendo em vista que a cultura do planejamento e a educação financeira não avançaram no mesmo ritmo das expansões das oportunidades.

Segundo o professor de economia da IBE Conveniada FGV, Múcio Zacharias, o descontrole é o principal motivo do caos financeiro de algumas pessoas. “Imaginar uma vida com muito, sem a condição financeira suficiente para isso é, sem dúvida, um ponto que precisa ser melhorado. São poucos os que fazem um planejamento e que sabem o quanto gastam. Por isso, se perdem no cheque especial, no rotativo do cartão e entram na ciranda financeira sem ter como sair”, aponta.

No contexto da família, a melhor ferramenta pra evitar o endividamento é o diálogo. Nessa conversa, o planejamento deve ser ponto principal. É preciso que todos saibam exatamente onde estão, onde pretendem chegar, os recursos disponíveis e os esforços necessários para se atingir o objetivo. “Planeje, controle e sonhe em família. Isso facilita o entendimento dos mais jovens e, principalmente, no atingimento do objetivo em comum que pode ser uma casa, uma viagem, uma faculdade… Sonhe à vontade, mas planeje primeiro”, orienta Zacharias.

Planejar é diferente de poupar     

“Economia é o dinheiro que sobra, planejamento financeiro é o que fará o dinheiro sobrar”, explica Zacharias.

Na cultura da sociedade atual, o consumo tem uma participação extremamente forte na existência do indivíduo. Dessa forma, as pessoas acabam dando prioridade para a compra e não para o controle. Nessa hierarquia, elas preferem ter muitos bens  e pagar em parcelas do que guardar dinheiro e pagar à vista, mas o que muitos não levam em consideração é o tempo que a dívida levará para acabar, os juros e a diminuição do salário, já que uma parte será destinada, por um tempo, para o pagamento do débito.

“As pessoas não fazem as contas e, de repente, estão com restrição no crédito, o que acarreta uma pressão psicológica e social muito grande. A qualidade de vida é colocada em risco. Por isso é importante registrar todas as despesas e ter um controle exato de quanto se ganha, o que é necessário para viver e quanto se pode investir em compras e parcelamentos”, diz Zacharias.

Segundo o economista, como o planejamento é algo que envolve educação, ele deve começar na infância. “Quanto mais cedo melhor. Se o filho for educado a administrar bem a sua mesada, ele terá consciência da sua vida financeira. A educação deve começar no período escolar, com a criança sabendo o valor dinheiro e o impacto de uma compra. Isso certamente deixará um grande legado para a família”, explica.

Por último, o professor explica que, ao adquirir algo, é preciso responder a uma pergunta simples: compro por necessidade ou por desejo? Ele explica como diferenciar os dois. “Se for uma necessidade, a sua vida certamente ficará muito mais complicada sem o produto, mas, se for um desejo, você poderá viver sem aquilo. Isso não quer dizer que você não poderá ter, mas terá a oportunidade e o tempo para planejar a compra e adquirir o que quer sem se endividar. Uma dica interessante é aguardar pelo menos 15 dias para verificar a importância dessa compra na sua vida. Geralmente, desejos desaparecem com o tempo e você conseguirá controlar mais as compras impulsivas”, aconselha.

Dicas para sair do sufoco

1)  Recorra à poupança

2)  Foque nas dívidas mais difíceis e tenha disciplina para alcançar o objetivo

3)   Mude de hábitos: crie a cultura de planejar

4)  Diminua ou, se possível, acabe com as compras a prazo e tente modificar o seu modo de enxergar as compras.

5)  Diminua ou pare de usar o cartão de crédito, da mesma forma que o cheque parcelado.

6)  Na hora de comprar, lembre-se da pergunta: é desejo ou necessidade? Na dúvida, espere 15 dias.

7)   Diminua as dívidas gradativamente, utilize o dinheiro que sobra para pagar as dívidas; aproveite as rendas extras (13º salário, férias, bônus).

8)  Registre todas as suas despesas e faça um controle com planilhas ou cadernos

9)  Valorize seu dinheiro: na dúvida, não gaste.

10)         Tome cuidado com o Débito Automático: é importante saber o quanto se gastou no mês com água, energia, telefone, etc.

 

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