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Aprendizado. Uma palavra que antes era relegada aos meios acadêmicos, hoje é um dos principais fundamentos de organizações que buscam se desenvolver ao máximo e alcançar a excelência.

A expansão dos estudos, a busca intensiva por melhoria contínua, o aperfeiçoamento da produção e otimização dos recursos – todas essas ações devem ser ancoradas pelos firmes fundamentos do conhecimento.

Entretanto, para que haja uma compreensão dessas ações e das forças e interrelações que as compõe e modelam, é necessário aplicar o pensamento sistêmico.

Mas afinal, o que é o pensamento sistêmico e quais suas principais características?

 

O que é pensamento sistêmico?

Antes de entendermos o pensamento sistêmico em si, precisamos entender um conceito que o precede: as organizações de aprendizagem.

Em seu livro, A Quinta disciplina: Arte e prática da organização que aprende (1990), Peter Senge definiu as organizações de aprendizagem como aquelas organizações que incentivam a aprendizagem adaptativa e generativa, incentivando seus funcionários a pensar fora da caixa e trabalhar em conjunto com outros funcionários para encontrar a melhor resposta para qualquer problema.

Dentro dessas organizações de aprendizagem, existem cinco disciplinas:

  1. Domínio pessoal: cosmovisão do indivíduo; como ele vê o mundo.
  2. Modelos mentais: suposições profundamente arraigadas de um indivíduo.
  3. Visão compartilhada: experimentação e inovação entre as partes envolvidas de uma organização ou sistema.
  4. Aprendizagem em equipe: mais de uma pessoa atuando em conjunto; duas cabeças pensam melhor que uma.
  5. Pensamento sistêmico: prática de olhar para o quadro geral no lugar do problema individual.

Dentro de cada uma dessas características, existem três níveis de abordagem, sendo elas:

  1. Prática: o que o indivíduo faz, sendo o nível mais baixo.
  2. Princípios: o que o indivíduo faz de acordo com as ideias orientadoras da organização.
  3. Essências: o que o indivíduo pensa automaticamente, levando em conta toda a organização. Este é o nível mais alto de abordagem.

Portanto, sabemos que o pensamento sistêmico faz parte de uma das disciplinas das organizações de aprendizagem.

Para nos aprofundar em sua definição, podemos recorrer ao próprio Peter Senge. Em um vídeo denominado como Navigating Webs of Interdependence, ele nos dá a seguinte explicação sobre o pensamento sistêmico:

“Sempre que tento ajudar as pessoas a entender o que significa esta palavra “sistema”, geralmente começo perguntando: ‘Você faz parte de uma família?’ Todos são parte de uma família. ‘Você já viu em uma família como as pessoas reproduzem seus atos, agem, sentem, não é isso o que todos fazem?’ Sim.”

E o autor prossegue em sua analogia. “Como isso acontece? Bem … as pessoas contam suas histórias e pensam sobre isso. Mas essas coisas não as encaixam em um jargão como ‘sistema’ ou ‘pensamento sistêmico’, mas sim em uma realidade – que vivemos em teias de interdependência.”

Ou seja, para Peter Senge, a reprodução do pensamento sistêmico nas organizações precisa estar arraigada numa cultura organizacional na qual suas tomadas de decisões produzam relações de causa e efeito, muitas com resultados imediatos, enquanto outras aparecem ao longo prazo.

Tal pensamento sistêmico não se prende a uma caricatura da palavra “sistema”. Mais do que isso: o próprio sistema é gerado e não criado, o qual é dado à luz através das pessoas envolvidas e de suas crenças.

Isso ocorre pois, através de uma cultura de aprendizagem, a empresa como um todo gera conceitos e direcionamentos que interagem entre si, moldando a forma de atuar do colaborador, que em vez de se sentir parte de um sistema, consegue ter uma visão holística da organização, o qual impacta diretamente na sua tomada de decisão.

 

As características do pensamento sistêmico

Baseando nesses conceitos, os autores Fritjof Capra e Pier Luigi Luisi destacam diversas características do pensamento sistêmico em seu livro “The Systems View of Life”. Dentre elas, podemos destacar três:


Mudança da perspectiva de partes para o todo

A primeira e mais comum característica do pensamento sistêmico é a mudança de perspectiva das partes para o todo.

Os sistemas são conjuntos integrados cujas propriedades não podem ser reduzidas para partes menores. Suas propriedades essenciais, ou “sistêmicas”, são propriedades do todo, e não de suas partes.

As propriedades sistêmicas são destruídas quando um sistema é dissecado, física ou conceitualmente, em elementos isolados.

Multidisciplinaridade inerente

Exemplos de sistemas abundam na natureza. Cada organismo – animal, planta, micro-organismos ou ser humano – é um todo integrado, um sistema vivo. Partes de organismos – por exemplo, folhas ou células – também são sistemas; e esses sistemas também incluem comunidades de organismos.

Podem ser sistemas sociais – uma família, uma organização empresarial, uma aldeia – ou ecossistemas. A visão sistêmica da vida nos ensina que todos os sistemas compartilham um conjunto de propriedades e princípios de organização comuns.

Isso significa que o pensamento sistêmico é inerentemente multidisciplinar. Pode ser aplicado para integrar disciplinas acadêmicas e descobrir semelhanças entre diferentes fenômenos dentro de uma ampla gama de sistemas.

Da certeza cartesiana ao conhecimento aproximado

Na abordagem epistêmica da ciência, a natureza é vista como uma rede interconectada de relações, na qual a identificação de padrões específicos como “objetos” depende do observador humano e do processo de conhecimento.

Essa nova abordagem levanta imediatamente uma questão importante. Se tudo está conectado ao todo, como podemos esperar entender alguma coisa? Uma vez que todos os fenômenos naturais estão em última análise interconectados, para explicar qualquer um deles precisaríamos compreender todos os outros, o que é obviamente impossível.

O que torna possível transformar o pensamento sistêmico em uma ciência adequada é a descoberta de que existe um conhecimento aproximado. Essa percepção é crucial para toda a ciência contemporânea. O paradigma mecanicista é baseado na crença cartesiana na certeza do conhecimento científico.

No paradigma sistêmico, reconhece-se que todos os conceitos e teorias científicas são limitados e aproximados. A ciência nunca pode fornecer uma compreensão completa e definitiva. Na ciência, para ser franco, nunca lidamos com a verdade, no sentido de uma correspondência precisa entre nossas descrições e os fenômenos descritos. Sempre lidamos com conhecimento limitado e aproximado.

Isso pode parecer desanimador, mas ao longo do último século os cientistas se acostumaram com a natureza aproximada do conhecimento científico. Na verdade, o fato de podermos formular teorias e modelos aproximados, mas eficazes, para descrever uma teia infinita de fenômenos interconectados, e de sermos capazes de melhorar nossas aproximações ao longo do tempo, tem sido uma fonte de confiança e força na comunidade científica.

Trazendo essas características ao mundo organizacional, podemos compreender que o pensamento sistêmico é fundamentado em estabelecer uma cultura onde cada colaborador possa ver o todo da organização, buscar a diversidade de olhares e entender que, enquanto ciência, o pensamento sistêmico é baseado em um conhecimento aproximado que reflete muito bem a realidade.

Dessa forma, é algo transformador quando adotamos esse pensamento em nosso dia a dia.

Começaremos a perceber que a empresa é dependente de um todo e que cada parte é de fundamental importância. De forma quase paradoxal, toda parte também é única e requer um esforço de acordo com cada particularidade.

Por fim, executar o pensamento sistêmico é sempre pensar em si e nas outras pessoas, entendendo o contexto e os relacionamentos estabelecidos, buscando a excelência e o melhor resultado para todos.

Quer saber mais desses e outros pensamentos que impactaram o mundo organizacional? Acesse o nosso blog e mantenha-se sempre informado!

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