Paralímpiada da vida real: como o mercado trata nossas Pessoas com Deficiência

Paralímpiada da vida real: como o mercado trata nossas Pessoas com Deficiência

Você já parou para se perguntar quantas Pessoas com Deficiência trabalham do seu lado? E com quais deficiências? Você sabia que, em 2010, elas eram 45 milhões?

A Paralimpíada Rio 2016 começou. E começou lindamente, multicultural, colorida, musical, pujante, ousada e sem clichês, desfilando seus valores em um Maracanã lotado e festivo. A cerimônia delicada e tocante foi tão impactante quanto a inesquecível abertura da Rio 2016, em agosto. Infelizmente, para a maioria dos brasileiros, ela não foi transmitida por nenhuma TV aberta.

Até o dia 18, quase 4.350 paratletas, de 160 países, e também refugiados, farão história nas primeiras Paralimpíadas realizadas na América do Sul.

Em 11 dias de competição, competidores sós, em duplas, trios ou em equipes, disputarão medalhas em 528 provas, de 23 esportes, como futebol de 5, de 7, basquete em cadeiras de rodas, goalball, natação e atletismo, entre outros.

Por tudo aquilo que representam, pela performance brasileira em todas as edições (fomos 7º lugar em Londres 2012), e principalmente por serem no Rio de Janeiro, os Jogos Paralímpicos deveriam ter o mesmo destaque que os Jogos Olímpicos – ou, se não fosse pedir demais, quase isso.

Mas por falta de visão da organização, preconceito da imprensa e investidores como um todo, as Paralimpíadas começam com menos espaço, menos festa nas ruas, menos embaixadores conhecidos e menos ingressos vendidos. Felizmente, não com menos sensibilidade, entusiasmo e apoio do público.

Entristece, mas não surpreende, em se tratando do Brasil, um País que apesar dos impressionantes 45,6 milhões de portadores de algum tipo de deficiência – 23,9% da população, segundo o Censo 2010 do IBGE – ainda carece de políticas públicas para a Pessoa com Deficiência e esbanja uma crônica falta de acessibilidade.

Pessoas com Deficiência X Mercado

Mas há um outro fantasma para além do que enxerga a nossa limitada e “perfeita” visão dos fatos, esse bem mais cruel: a falta de oportunidade de trabalho para todo esse contingente.

Seria menos cruel discutir isso em 2016, se o Brasil não tivesse uma legislação criada 25 anos atrás, a Lei 8.213/91, que determina que empresas com, no mínimo 100 empregados, são obrigadas a cumprir cotas, preenchidas por “beneficiários deficientes reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas”: 2%, se tiverem entre 100 e 200 empregados; 3%, entre 201 e 500; 4%, entre 501 e 1000; e 5%, de 1001 em diante.

Um quarto de século depois, de acordo com o próprio Ministério do Trabalho, apenas uma em cada quatro Pessoas com Deficiência em idade para trabalhar é beneficiário da Lei de Cotas. Ou seja, de 1,2 milhão de Pessoas com Deficiência que poderiam ser contratados, apenas 300 mil têm emprego. Desse “privilegiado” contingente, sofrem mais os portadores de deficiência mental, dos quais 80% simplesmente desconhecem o mercado.

E por quê?

Segundo os representantes das Pessoas com Deficiência, o setor alega falta de qualificação por parte dos candidatos. Em outros casos, justifica a não contratação por desconhecimento da Lei 8.213/91 ou por se perder no excesso de dúvidas, como horários, salários, acessibilidade.

Os candidatos, por sua vez, dizem ser vítimas de preconceito e má vontade. Lembram que as companhias costumam contratar pessoas com deficiências leves ou, normalmente, se concentram em apenas uma delas (física).

Tenho 42 anos, trabalho desde os 18, e conto nos dedos os portadores de alguma deficiência com os quais trabalhei. Infeliz coincidência? Penso que não.

O governo, que deveria coibir a má fé de muitos empresários apartando seus bolsos com multas pesadas, esbarra na eterna desculpa de “falta de fiscais”.

Pequenas e médias empresas

Houve até uma tentativa recente de mudar esse quadro, mas a política, sempre ela, pendeu para o lado mais forte: um sistema de cotas para a Pessoa com Deficiência em pequenas e médias empresas, hoje os principais empregadores do País, foi vetado pela então presidente Dilma Rousseff, sob a argumentação de que a medida poderia gerar prejuízos para o setor produtivo. Dizia um trecho do texto:

“Especialmente para empresas de mão de obra intensiva de pequeno e médio porte, acarretando dificuldades no seu cumprimento e aplicação de multas que podem inviabilizar empreendimentos de ampla relevância social”.

Em um País onde dezenas de Leis simplesmente não pegam, seria de ótimo tom se empresários e gestores responsáveis pelas contratações assistissem semanalmente à abertura das Paralimpíada Rio 2016, cuja mensagem final, um quebra-cabeças formado por rostos de pessoas de todas as etnias e idealizado pelo brasileiro Vik Muniz, é Todo Corpo/Mundo Tem Um Coração.

Quem sabe assim se focariam no essencial: contratar a pessoa e não a deficiência.

Fonte: Marc Tawil no LinkedIn.

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