Finanças

O que realmente motiva profissionalmente?

Você encontra aquele amigo de longa data e o convida para sentar em um bar e conversar sobre a vida. Para você, ele sempre foi aquele sujeito estudioso, dedicado, responsável e com uma carreira promissora. Quando ele começa a falar sobre o emprego – um cargo de alto escalão em uma grande companhia – você imagina que estará satisfeito e confiante com a carreira. O que ouve, no entanto, te pega de surpresa. O amigo está chateado, inseguro e se questionando sobre o futuro. Não está feliz no emprego e teme que a vida profissional siga por um rumo cheio de tédio e falta de motivação.

O primeiro pensamento que lhe vem à cabeça é: “como ele pode estar insatisfeito recebendo um salário tão bom?”. Imagina ainda que muitos gostariam de estar no mesmo lugar que ele, ou seja, o descontentamento é algo difícil de assimilar em seu ponto de vista.

O caso hipotético, no entanto, retrata uma situação muito comum. Se você mesmo não estiver insatisfeito com o trabalho, deve conhecer pelo menos uma ou duas pessoas neste contexto, independente do valor do salário.

Assim sendo, porque tendemos sempre a associar satisfação e sucesso a remuneração financeira? Em palestra sobre o tema, o analista de carreiras Dan Pink menciona um estudo realizado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), o qual tem por objetivo entender as motivações pessoais na realização de tarefas.

Um grupo de estudantes é desafiado a fazer uma série de atividades variadas, com diferentes níveis de dificuldade. Com o objetivo de motivá-los, três tipos de recompensas financeiras são oferecidas. Para quem tem um desempenho razoável, um pequeno prêmio. Aqueles com desempenho bom, recebem uma quantia maior em dinheiro. Já os que apresentam performance excelente, recebem um grande prêmio.

Para as atividades mais simples e mecânicas, os resultados são como o esperado, o desempenho é ótimo para as recompensas mais altas. No entanto, para desafios mais difíceis e que requerem esforço cognitivo, a recompensa alta não foi suficiente para que o desempenho se destacasse. Pelo contrário, os resultados apontaram desempenhos muito ruins. A descoberta da pesquisa gerou muito alarde, pois representa uma contradição a tudo que o sistema sempre alimentou: motivar desempenhos por recompensas financeiras.

O que o analista de carreiras ressalta é que este velho modelo deixa de considerar algumas variáveis importantes. Somos direcionados a pensar no respaldo financeiro em primeiro lugar, mas não levamos em consideração outros fatores que nos motivam. O analista os divide em três: autonomia, aprimoramento e objetivo.

Funcionários com autonomia têm mais vazão para aflorar a criatividade e saem do molde de apenas receberem ordens sem direito a questionamento. O aprimoramento está relacionado ao sentimento de realização. As pessoas se aprimoram naquilo que gostam por prazer. Se você tira um fim de semana para pintar um quadro, ainda que não seja um artista famoso, faz isso para seu próprio benefício, não pensando em remuneração. Por fim, o objetivo é aquilo que te impulsiona a pensar em um bem maior. Se você traça grandes objetivos e gosta do que faz, o dinheiro fica em segundo plano.

Não é sem razão que grandes companhias, como a Google, implantaram sistemas de trabalho em que os funcionários tem a liberdade de desenvolverem projetos pessoais e o ambiente está longe de se assemelhar às tradicionais corporações. Cada vez mais isso tem sido aplicado em outras empresas, justamente para que a motivação não se enquadre somente ao aspecto financeiro.

 

Aposto que no primeiro dia do ano, muita gente desejou ganhar mais dinheiro. Ele pode até ser bem importante, mas não caia nessa cilada de achar que o contracheque mais farto será capaz de aumentar sua motivação.

Fonte: G1

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