Movimentos Sociais

O que as empresas podem aprender com os movimentos sociais bem-sucedidos – A internet e globalização inevitável fizeram com que o mundo ficasse menor e mais consciente. Nós comunicamos cada vez melhor — embora nem sempre pareça ser assim — e colaboramos melhor para promover causas sociais.

Esse espírito revolucionário é mais importante do que nunca no âmbito dos temas sociais e políticos, mas também está sendo decisivo no mundo corporativo também. Cada vez mais empresas estão seguindo o exemplo dos movimentos sociais para melhorarem a cultura empresarial e, consequentemente, o mundo.

Saiba em que focar

Nos anos 1930, Mahatma Gandhi liderou milhares de indianos na Marcha do Sal. Esta expressão de solidariedade organizada teve como alvo a Lei do Sal dos britânicos, que tornava ilegal a obtenção e venda de sal para os indianos, criando assim um monopólio controlado pelos britânicos. A lei também definiu impostos extremamente altos para o sal, o que teve consequências graves para a população, considerando que a dieta indiana tradicional é caracterizada pelo uso intenso do sal.

É essa a lição da história: Gandhi sabia que o desafio ia além da Lei do Sal. Enquanto alguns dos seus pares pensavam que a visão dele era míope por focar em um só tema, tanto Gandhi quanto os seus aliados mais próximos conheciam a motivação fundamental do movimento. Focando em um tema menor, porém de grandes consequências, Gandhi fez com que a luta contra a opressão ficasse menos teórica para os seus seguidores.

Como aplicá-lo na sua empresa

Empresas modernas podem aplicar esta mesma ideia. Nenhuma estrutura corporativa pode mudar o mundo de um dia para outro, por isso concentre os seus esforços em um só problema. Você poderia, por exemplo, arrecadar doações de empregados ou uma parte dos lucros da empresa para construir uma escola em um país em desenvolvimento, como a WebpageFX fez na Guatemala e no Gana. Por outro lado, você poderia pensar localmente e investir tempo e esforços em uma caridade local. Seja qual for a sua escolha, faça com que a causa seja realpara as pessoas com quem você trabalha.

Defina um plano

Um dos movimentos mais emocionantes do momento nos EUA, o incentivo ao uso de energia renovável, combina comércio, idealismo, ambientalismo e justiça social. É verdade que o movimento enfrenta forças poderosas, mas nenhum presidente ou congresso consegue parar o que está acontecendo. O uso da energia solar aumentou 120% somente este ano, apesar da indústria dos combustíveis fósseis e os seus comparsas em Washington.

Embora seja verdade que a voz do mercado livre foi ouvida, não é toda a história. Na realidade, os principais operadores do mercado solar tinham elaborado um plano deliberado já antes de entrarem no mercado.

Elon Musk, cujo nome certamente ouviremos com uma frequência cada vez maior no futuro, tinha não só um mas dois “planos mestres” para popularizar a energia solar. Cada invenção e reestruturação corporativa foi realizada com um único objetivo: desenvolver a tecnologia solar e, simultaneamente, diminuir o seu custo de adoção.

E está dando certo: o já mencionado crescimento do setor solar representa uma taxa de adoção que está a par da taxa de adoção de celulares.

Como aplicá-lo na sua empresa

As empresas precisam desenvolver um plano detalhado antes de avançar. Claro que se pode improvisar e mesmo assim ter sucesso, mas alguns dos visionários mais ilustres provaram que tornar o mundo um lugar melhor requer o mesmo tipo de planejamento que um jogo de xadrez quadridimensional: é preciso antecipar pelo menos quatro ou cinco jogadas.

Saiba com quem falar e como

“Concordar em discordar” não é uma visão do mundo produtiva. A nossa espécie já tem opiniões divididas sobre praticamente todos os temas com consequências éticas. Quando desistimos e aceitamos as diferenças de opinião como “inconciliáveis”, só pioramos o problema.

O clima político atual dos EUA não é tóxico porque os problemas da sociedade são complicados; é tóxico porque os americanos deixaram de dialogar. Não adianta envolver-nos com pessoas que já concordam conosco.

Precisamos saber com quem falar e como relacionar-nos com eles — isto aplica-se aos políticos, eleitores, empresas e empregados. Não ganhamos nada construindo muros, sejam físicos ou metafóricos. Bernie Sanders e Donald Trump mudaram a conversa política em 2016, cada um à sua maneira, por terem descoberto as pessoas que não sentiam que estavam sendo ouvidos e como falar a língua delas.

Como aplicá-lo na sua empresa

A lição empresarial é que nunca se deve ignorar um grupo demográfico como inatingível ou um objetivo como inalcançável. Em poucos meses, Senador Sanders passou de discursar para uma dezena de pessoas nas redondezas do Capitólio dos EUA a lotar estádios com dezenas de milhares de eleitores e arrecadar mais doações individuais do que qualquer candidato à presidência no passado. Sanders conseguiu tudo isso com uma mensagem abrangente mas específica direcionada às pessoas que mais precisavam ouvi-la.

Ele não desprezou a ideia de procurar a aceitação de eleitores conservadores e libertários— ele construiu um movimento, e as pessoas seguiram. Lembre-se de que aliados podem ser encontrados nos lugares mais inesperados.

Colaboração é a palavra do momento

A principal lição desta discussão é a ideia de que devemos repensar a forma como fazemos negócios e interagimos com o mundo. As grandes corporações e governos têm exaltado a concorrência feroz, mas as evidências comprovam que a maneira mais efetiva de operar é cooperar.

Aplica-se quando estamos tentando entregar produtos no prazo para os nossos clientes, mas também quando estamos tentando convencer o mundo a usar energia mais limpa ou abrir os nossos corações para os menos afortunados.

Este artigo foi escrito por William Craig da Forbes e foi legalmente licenciado pela rede de editoras NewsCred.

Fonte: Content Loop BR

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