O novo mercado de trabalho

Vieira Junior
Desde a Revolução Industrial, o perfil das organizações e, consequentemente, do trabalhador vem evoluindo. Assim como nas relações sociais, diversas transformações da sociedade, aliadas à globalização e às novas tecnologias, mudaram também a concepção de trabalho e a relação entre empregado e empregador, o que tem gerado muitos desafios tanto para as empresas como para os profissionais. Dificuldades que envolvem bom desempenho, aumento da produtividade e felicidade no ambiente de trabalho.
No mercado de trabalho contemporâneo, as exigências primárias parecem ser um dogma: formação acadêmica, especialização, pós-graduação, MBA, domínio do inglês e outras línguas e experiência na função pretendida. Contudo, um ponto que tem chamado cada vez mais a atenção das organizações, por incrível que pareça, são as habilidades pessoais.
Isso tem acontecido, em geral, pela facilidade do acesso às informações. A formação técnica veio, até certo ponto, para nivelar os profissionais. Como você se diferencia dos seus 30 colegas de classe da pós-graduação ou MBA, por exemplo? A resposta pode ser simples, mas é ida como diamante pelas empresas: sendo o ator principal de uma situação.
Habilidades como pensamento estratégico e visão sistêmica são a bola da vez.
Hoje, o bom profissional é descrito com facilidade pelos líderes das maiores organizações. Encontrá-lo é que não tem sido tarefa fácil. Iniciativa, criatividade, liderança, aprendizagem contínua, boa comunicação, habilidade para trabalhar em equipe e capacidade de planejamento da carreira são requisitos que enchem os olhos de qualquer recrutador e o trabalhador moderno precisa estar atento a elas tão fortemente como às questões técnicas.
Contudo, vale ressaltar que as empresas também tiveram que se adaptar frente às mudanças promovidas pelos trabalhadores. A figura do “chefe” perdeu espaço. Para os mais jovens, ela é simplesmente ignorada, no sentido literal da palavra. Quer mandar embora um jovem embora? Faça isso e encontre uma dificuldade enorme de substituí-lo enquanto ele recebe propostas com um simples cadastro em um site de empregos. No lugar da figura ranzinza do patrão, entrou o líder que, antes avaliador dos comandados, agora vive sob a constante avaliação dos liderados, sob a dura pena de tudo ir abaixo se ele não fizer as escolhas certas para motivar a sua equipe.
Já ouvi histórias de chefes carrascos, sem noção alguma de liderança, que gritam e tentam a todo o momento cobrar ao extremo o colaborador sob ameaças de demissão ou lembrando o funcionário do seu salário. Hoje, o mesmo acesso à informação que impôs desafios aos profissionais também desafia as empresas. Assim, o líder do mundo atual deve ser diferente, motivador, apresentar ideias, propor soluções, saber ouvir, contornar e negociar. Ele tem que ser mais flexível e conhecer além de si. Isso não quer dizer que é preciso ter um grande amigo na sala ao lado, mas basta uma pessoa que demonstre respeito, calma, e confiança. Em um mundo saturado de informações, as habilidades pessoais são a diferença.
Neste processo de evolução e troca de valores, o que mais vale ser destacado são as estratégias. Tanto para que procura emprego como para quem contrata, ter um bom planejamento passou a ser uma tarefa primordial. Se o poder não está mais somente de um lado da corda, cabe aos interessados eliminá-la de vez e tratar as negociações como algo proveitoso para os dois lados, sem perdedores.
Vieira Junior, jornalista, pós-graduando em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (IBE Conveniada FGV)
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