Vieira Junior

O IMPEACHMENT DE DILMA ROUSSEFF

Nos últimos dias temos sido bombardeados com uma informação que gera certo desconforto: oimpeachment da presidente Dilma Rousseff. Como um filme de terror, com direito a vários monstros, sustos e muitos vilões e candidatos a mocinhos, o roteiro se entrega ao povo brasileiro como uma produção cinematográfica. Todos sentam à cadeira e, tremendo de medo, torcem pela derrota e morte daquele que tanto traz sofrimento. Como expectadores, os brasileiros querem vencer o sangue com sangue, pagar a morte com a morte, e se esquecem que o filme que assistem só está sendo exibido porque eles mesmos o escolheram, pagaram ingresso e ainda sentaram na primeira fila para conferir o resultado.

O assunto beira o absurdo. O pior é ver colunistas renomados debatendo através das páginas dos maiores jornais do país sobre um assunto que todos sabemos: vai dar em nada. É fato que o poder legislativo e as forças jurídicas no Brasil já possuem provas suficientes para realizar não só o impeachment, mas também a prisão de grande parte dos representantes do governo. A Petrobrás que o diga… Em qualquer empresa privada o CEO já teria sido afastado por não conseguir administrar bem a sua equipe e os seus recursos. “Mas o problema foi no departamento ‘A’ ou ‘B’ e eu não tenho condições de fiscalizar tudo”, poderia dizer o dirigente em questão, como até faz um certo político. “Azar o seu”, diriam os acionistas. “Contratamos você para gerir bem os nossos recursos. Se não o fez, trocamos você”, completariam.

Se os poderes do Brasil ainda não fizeram nada para que os atuais governantes pagassem pelos crimes administrativos ocorridos nos últimos anos é porque algo a mais existe nesse roteiro. Não o fazem porque não se trata mais apenas de uma questão de ser ou não culpado, ser ou não o monstro do filme. Trata-se de questões que nós, pessoas comuns e consideradas “mortais” para os “deuses do Congresso”, não temos a devida capacidade para entender, já que não nos sujeitamos ao jogo proposto neste nível de relação.

Impeachment da Dilma? Quer mesmo saber quando isso será possível? Só se o Exército Brasileiro invadir Brasília. Outro filme repetido… Não quer ver essa produção de novo?  Então mude o canal e pare de falar nesse roteiro. Esqueça! Dilma vai cumprir o seu mandato. É simples, é coerente. “Mas, Collor caiu”, podem dizer. E eu respondo: Collor não era Dilma, não era do PT, não tinha o Lula e não teve 12 anos para fazer as ligações políticas, empresariais e secretas (para não dizer clandestinas) que o PT fez.  Também é simples, é coerente, é a política brasileira.

Vieira Junior – Jornalista, pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (IBE Conveniada FGV)

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