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A 29ª edição do CEO Insights debateu as principais oportunidades e ameaças das criptomoedas e criptoativos para as empresas na atualidade, nesta quinta-feira (19), na IBE Conveniada FGV de Campinas. Guilherme Alvarenga – doutor em computação e um dos fundadores da Coinext, que está entre as exchanges de criptoativos líderes no Brasil – foi convidado para ministrar a palestra “Qual será o futuro do dinheiro?”.

O sistema financeiro atual

Alvarenga começou a palestra fazendo uma análise do sistema financeiro atual, no qual o governo tem papel centralizador, definindo regras do que se deve ou não fazer com o dinheiro. “Esse sistema é lento, caro, travado e não está mais de acordo com o mundo atual”, ressaltou.

Ele também lembrou que há cerca de 1,7 bilhão de pessoas no mundo que estão fora desse sistema sem ao menos uma conta bancária e menos de 20% da população têm cartão de crédito. “Isso evidencia que o sistema parou no tempo e não atende as necessidades das pessoas. Podemos compará-lo ao sistema de telefonia de 20 anos atrás”, disse Alvarenga.

“Muitos serviços estão buscando a descentralização. É o caso dos aplicativos de transporte e esse é o caminho natural para otimizar o atendimento da necessidade de alguém. Porém, o dinheiro parou no tempo e não acompanhou essa evolução. É preciso considerar que o futuro do dinheiro pode ser a moeda virtual”, completou.

A diferença entre ter e usufruir

Para Alvarenga, a descentralização do sistema financeiro e o surgimento das criptomoedas resultam da pressão de uma tendência que a cada dia fica mais forte: as pessoas não querem mais ter bens materiais, mas elas querem usufruir de bens e serviços sem burocracia.

“A economia atual está sendo pressionada para oferecer esse tipo de experiência para as pessoas. Para isso, é preciso deixar livre quem vai oferecer o serviço e a inovação”, disse.

Dinheiro eletrônico e Bitcoin

A palestra mostrou que várias tentativas de criação de dinheiro eletrônico falharam no passado. “Bits e bytes são facilmente replicáveis, forçando a centralização das transações”, afirmou Alvarenga.

Porém, em 2008, surgiu a moeda virtual conhecida como Bitcoin, criada por uma pessoa que usou o pseudônimo de Satoshi Nakamoto. Esse ativo financeiro digital, ou criptoativo, funciona em cima de uma tecnologia chamada Blockchain, que registra todas as transações eletronicamente por meio de criptografia.

“O Bitcoin é muito importante porque não precisa de uma instituição reguladora. A sua regulação está distribuída pela sociedade. Esse é o valor associado a essa moeda, tornando-a confiável. Quanto mais valor tem um ativo cripto, mais difícil é mudar as regras”, explicou o palestrante.

Desafios, oportunidades e ameaças

Apesar de todos os benefícios das moedas e dos contratos financeiros virtuais que, por causa dos algoritmos, apresentam menor probabilidade de fraude, há desafios que precisam ser ultrapassados.

Alvarenga citou as altas flutuações na cotação das moedas virtuais que ainda representam um problema. Além disso, há o risco de a descentralização incentivar atividades ilícitas, e a competição entre diferentes propostas e terminologias técnicas pode criar barreiras. “Também não se sabe qual é o efeito de uma possível regulação. Será que as bases e as vantagens do sistema atual serão preservadas?”, questionou.

Ele finalizou a palestra ressaltando que o dinheiro virtual – programável, transmissível via internet e descentralizado – pode gerar transformações importantes na sociedade. “É preciso refletir sobre como isso pode afetar os negócios da maneira que conhecemos hoje. Todos têm que estar preparados para o futuro do dinheiro”.

Insights e plenária         

Depois da palestra, os CEOs e executivos presentes no evento discutiram, em grupos, quais podem ser as vantagens e desvantagens das moedas virtuais. Todos os pontos foram, em seguida, debatidos em plenária com a presença do moderador Paulo de Vasconcellos Filho, idealizador e organizador do Conselho de Presidentes da RMC (Região Metropolitana de Campinas).

“Os participantes do CEO Insights saem desse encontro com informações novas e estratégias que podem ser aplicadas na empresa. Queremos levá-los a refletir sobre temas de grande impacto nas organizações”, disse Vasconcellos, que também ressaltou a oportunidade de networking proporcionada pelo encontro.

O que é o CEO Insights

Criado em 2013 por ex-alunos do programa CEO FGV, é uma ação que reúne CEOs e altos executivos, cujo propósito é estimular o debate de interesses comuns entre os tomadores de decisão das principais empresas e organizações no Brasil. Com um intenso networking e troca de experiências, os encontros promovidos pelo grupo trazem temáticas em evidência no universo corporativo, pensadas para contribuir com a evolução do seu ecossistema.

Sobre a IBE Conveniada FGV

A Fundação Getulio Vargas, fundada em 1944, é reconhecida como a melhor escola do Brasil para preparação de executivos. A IBE Conveniada FGV começou sua trajetória em 1996, e hoje é a mais completa rede de escolas de negócios FGV do interior paulista. Já formou mais de 35 mil executivos no Brasil e no exterior, e diferencia-se pelos programas Top da FGV, com unidades nas cidades de Americana, Campinas, Jundiaí e Piracicaba.

Conheça os cursos oferecidos pela IBE Conveniada FGV: http://www.ibe.edu.br/

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