O ano acaba com grandes feitos e fatos, mas a sensação é de que não saímos do lugar. Aconteceu quase tudo e quase nada. O povo saiu às ruas em revolta e depois se recolheu. O Supremo Tribunal (quase) concluiu o julgamento do século –mandou a elite da política brasileira à prisão, mas a corrupção parece incontrolável.

O emprego e a renda seguem fortes, mas a economia segue fraca, com três anos seguidos de baixo crescimento e deterioração de vários fundamentos econômicos.

Na mais respeitada avaliação global de estudantes, o Pisa, fomos o país que mais avançou em matemática desde 2003, mas ainda ocupamos posição sofrível no ranking não só em matemática, mas também em leitura e ciências.

Nos Estados Unidos, que tiveram um desempenho muito melhor que o brasileiro no Pisa, o fato de o país ficar mais distante dos asiáticos gerou intenso debate sobre os rumos da educação americana. Aqui, o ministro da Educação preferiu ressaltar o avanço mais do que insuficiente do que aproveitar o raio-X do problema para buscar soluções eficazes.

O discurso triunfalista do governo, de cunho eleitoral, virou uma barreira para qualquer discussão sensata dos graves problemas que afetam o Brasil. É aquele clima forçado de pra frente Brasil que, também isso, aproxima o governo Dilma dos anos 1970.

Quem aponta os problemas é chamado dos maiores palavrões, de antipatriota a tucano. As certezas do PT antes eram ideológicas e agora são eleitorais. Os dogmas marxistas dão lugar aos dogmas publicitários: tudo melhora desde 2003, nunca erramos, a culpa é sempre dos outros.

Muito de fato se avançou nos últimos 20 anos, particularmente quando Lula e o PT inteligentemente aderiram ao capitalismo, destravando a economia. Foi uma jogada de mestre. Uma revolução. Que beneficiou os pobres, os ricos e o PT.

Mérito dos petistas, que formaram o mais eficiente partido político da história brasileira.

Mas paramos, ou avançamos tão lentamente que é como estar parado. Acontece quase tudo e quase nada. Assim não chegaremos lá. Só eles.

Fonte: Folha

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