Emprego Mulheres

Metade das mulheres brasileiras fica desempregada um ano após ter filho – Percentual é menor entre
quem tem maior nível de escolaridade, de acordo com pesquisa da FGV

Ser mãe para muitas brasileiras significa deixar o mercado de trabalho. Metade das mulheres fica
desempregada 12 meses após o início da licença maternidade, seja porque é demitida, seja porque
decide largar o emprego. É o que revela a pesquisa Licença maternidade e suas consequências no
mercado de trabalho do Brasil
, realizada pela Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação
Getúlio Vargas (FGV/EPGE).

Baseado em dados do Ministério do Trabalho, o estudo acompanhou, até 2016, a presença no setor
privado de 247.455 mulheres, com idade entre 25 e 35 anos no momento do afastamento, que tiraram
licença maternidade entre os anos de 2009 e 2012.

No momento da licença, todas estavam empregadas. Porém, a partir do fim do período de estabilidade
(quinto mês após o parto) começa a queda. Neste momento, 5% das mulheres não trabalham mais. O
percentual sobe no sexto mês, quando 15% das mulheres estão desempregadas. E, ao fim de 12 meses
após o início da licença maternidade, 48% das trabalhadoras já estão fora dos seus postos de trabalho.
No segundo e terceiro anos subsequentes, o percentual de afastamento permanece neste mesmo patamar.

A pesquisa também aponta que, quanto maior o nível de escolaridade da mulher, maior a chance de ela
continuar no mercado de trabalho. Segundo Cecilia Machado, professora da FGV/EPGE, apesar do
percentual alto de desemprego ser homogêneo por todos os setores pesquisados, existe uma diferença
significativa em relação ao nível educacional.

Um ano após o início da licença maternidade, de acordo com o estudo, o percentual de mulheres afastadas
era de 51% para aquelas com escolaridade inferior ao Ensino Fundamental completo; 53% para quem tinha
o Ensino Fundamental completo; 49% para aquelas com o Ensino Médio completo; e 35% para as que tinham
escolaridade acima do Ensino Médio.

“Muitas vezes, as empresas treinam profissionais com elevado nível educacional e não querem perder
esse investimento, o que aumenta os benefícios da permanência no emprego. Já as mulheres com menor
qualificação são desligadas mais facilmente, pois a empresa não perde nenhum investimento”, diz
Cecilia, professora da FGV EPGE, que divide a autoria do estudo com Valdemar Neto, aluno de
doutorado da instituição.

Segundo ela, a diferença salarial também é algo que pode pesar. “Algumas mulheres têm um salário
alto suficiente para contratar um cuidador para seus filhos, enquanto as com um nível educacional
menor e um salário mais baixo precisam cuidar dos filhos por não conseguirem pagar uma creche
ou uma babá”.

De acordo com a professora, a maioria das demissões ocorridas foram sem justa causa, mas isso não
significa que somente o empregador optou pelo desligamento, já que existem incentivos para acordos
de rescisão contratual por iniciativa do empregador.

O estudo também compara o efeito na vida das mulheres da licença maternidade cidadã — incentivo
fiscal dado pelo governo a empresas que aderem a uma política de licença maternidade mais longa,
trocando os habituais 4 meses por 6 meses. De acordo com a professora, como é esperado, as mulheres
ficam mais tempo empregadas nas empresas que aderem a esta política. Porém, essa vantagem é quase
totalmente dissipada quando se olha um ou dois anos para frente.

Para Cecilia, esse dado mostra que é preciso encontrar mais maneiras para garantir que a mulher
permaneça no mercado após o nascimento de um filho. “Só estender a licença maternidade não é uma
solução. As mulheres podem precisar de mais tempo de licença, mas o período crucial é após o
encerramento do benefício”.

A taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho é bem mais baixa do que a dos homens
no Brasil, segundo os dados de 2015 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) feita
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Brasil, em torno de 65% das mulheres
com idade entre 25 e 44 anos estavam empregadas. Para os homens, o percentual era de 88%. Levando-se
em consideração apenas empregos com maiores demandas de horas (35 horas ou mais por semana), esta
taxa cai mais para mulheres: a taxa fica em 45% para as mulheres e 77% para os homens.

A presença de um filho pequeno na família é um dos grandes responsáveis pela baixa participação
das mulheres no mercado de trabalho. O percentual de mulheres empregadas entre 25 e 44 anos e
com um filho de até um ano de idade cai para 41%. E somente 28% destas mulheres trabalham 35 horas
ou mais por semana no Brasil. No caso dos homens, o perfil é oposto: 92% dos homens com filhos de
até um ano estavam trabalhando, sendo que 82% em atividades com 35 horas ou mais de carga horária
semanal.

Fonte: Época Negócios

Your compare list

Compare
REMOVER TODOS
COMPARE
0