LIDERANÇA E DESENVOLVIMENTO DE EQUIPES
Ao entendermos os desafios de viver em uma sociedade competitiva em constante mudança, onde estamos condicionados às pressões político-econômicas, devemos nos tornar cada vez mais capazes de resolver problemas e conflitos internos e externos, nos exigindo assumir o controle sobre a própria vida pessoal e profissional.
No dinamismo e na complexidade do mundo empresarial que vivemos, as organizações sobreviverão se atingirem novos mercados, portanto, os indivíduos que ocuparem funções de liderança enfrentarão cada vez mais com os desafios da pressão por resultados, trazendo o dilema: de um lado as necessidades dos colaboradores e de outro, atender as metas da empresa.
As organizações para sobreviverem, precisam reduzir seus custos e aumentar a produtividade, mantendo a qualidade de seus produtos e serviços para atingir suas metas, e acabam cortando as pessoas, um dos elementos mais significativos do sistema. As pessoas por sua vez, para se manterem e atingirem seus objetivos, necessitam das empresas. Assim, as empresas e indivíduos precisam uma das outra e, portanto, precisam aprender um novo modo de viver e trabalhar de forma construtiva.
Taylor, no início do século passado, afirmava não ser possível a conciliação entre a pressão pelos resultados e as necessidades e aspirações pessoais, tornando inevitáveis os conflitos entre o capital e o trabalho que são administrados de acordo com o processo ganhar/perder.
O movimento de relações humanas, que sucederam a Taylor, Douglas McGregor e outros teóricos acreditavam que as pessoas buscavam realizações e que eram capazes de se empenhar positivamente no trabalho, comprometendo-se com as metas das empresas transformando-se em parceiros. Para tanto, faz necessários a revisão das relações de poder , mando e subordinação para uma adaptação as pressões do mercado, rumo a uma perfeita democratização do poder.
A  liderança que interliga os interesses pela produção e os interesses pelas pessoas, consiste em uma administração de conflitos aperfeiçoada por meio da substituição estrutural dos processos tradicionais por um sistema participativo.
Na abordagem participativa, a organização de equipes eficazes de trabalho, formada pelo gerente e seu pessoal, é vista como uma importante tarefa de planejamento, direção e controle, onde cada colaborador é estimulado a contribuir em todas as etapas do processo de trabalho. A este estilo de gerenciamento, também denominado gerência de grupo, que pressupõe que os indivíduos desejam dar um novo sentido ao seu trabalho, onde as responsabilidades no planejamento e direção pode se tornar mais interessantes e significativas.
Portanto, este estilo de gerenciamento tem a tarefa de liderar, e não de controlar ou pressionar, buscando integrar competências e o relacionamento entre as equipes. A liderança participativa, surgiu a partir da década de 1980, onde ganhou expressão no mundo corporativo, quando passou a enfrentar diretamente os conflitos, assumindo sua responsabilidade ao mesmo tempo em que estimulava a equipe a fazer o mesmo, contribuindo para o aumento de produtividade e satisfação dos colaboradores, resultando na melhoria da capacidade na resolução de conflitos.
As principais características que demonstram a superioridade do sistema participativo para a administração de conflitos são:
– As comunicações, em todas as direções, onde as percepções se mostram mais precisas e adequadas, e quando ocorrem distorções são corrigidas rapidamente onde a capacidade de exercer influência em qualquer nível hierárquico;
– Cada membro da organização sente-se mais integrado com maior responsabilidade por seu êxito, e assume riscos para impedir o fracasso e honrar seus objetivos;
– A influência e a responsabilidade formam dois aspectos motivacionais, além de mais credibilidade, confiança e lealdade entre os grupos;
– Uma melhor comunicação trouxe uma coordenação mais eficiente. A influência recíproca na estrutura organizacional tanto lateral como vertical;
– Os problemas são descobertos em fase inicial e rapidamente solucionados, onde a solução se dá através da própria estrutura do grupo, as quais são mais bem executadas, já que os indivíduos participaram e se sentem motivadas ao verem suas decisões colocadas em prática.
A liderança que pretende adotar o sistema participativo como princípio para o exercício de sua função, em uma situação de conflito, precisa desenvolver um relacionamento de apoio, partindo do pressuposto de que as pessoas possuem forte desejo de serem úteis e reconhecidas pelo seu valor pessoal. Os líderes precisam demonstrar concretamente seu comportamento de apoio, através de um processo de comunicação transparente em todas as direções.

 

Rosa Perrella é consultora empresarial, licenciada ao Grupo Ponto de Referência, coach organizacional, palestrante e professora de Pós Graduação e Programa Cademp de Capacitação Empresarial na IBE FGV Campinas. Especialista em gestão de lideranças e desenvolvimento de equipes. Mestranda em Educação, formada em Administração, com MBA em Desenvolvimento Humano de Gestores pela IBE Conveniada FGV Campinas , com Pós-graduação em Gestão Estratégica de Negócios, Psicologia Transpessoal, Marketing Empresarial, Gestão de Pessoas e Negociação Avançada.
Fonte: Panorama de Negócios
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