Prof João Batista Vilhena

Liderança depende de Coragem, afirma especialista da IBE Conveniada FGV, coordenador MBA, João Baptista Vilhena

Acontece todos os anos, nos Estados Unidos, o maior encontro mundial de profissionais da área de Treinamento & Desenvolvimento. Promovido pela ASTD/ATD (iniciais da Associação Americana de Treinamento e Desenvolvimento) o evento reuniu, agora em maio de 2015, cerca de 9.500 especialistas que, durante quatro dias, analisaram – em mais de 100 painéis – as tendências da área nos cinco continentes.

De todos os temas apresentados, liderança foi o mais discutido.  Pelo oitavo ano consecutivo tive a oportunidade de participar de várias dessas discussões. Gostaria de compartilhar com você aquela que mais me impactou.

Apresentada por Bill Treasurer (principal executivo da empresa de consultoria Giant Leap) a palestra foi integralmente dedicada a discutir a importância da coragem na vida executiva.

Bill destacou que a coragem é a principal virtude capaz de assegurar que a liderança estimule um desempenho organizacional acima da média. O palestrante enfatizou que coragem é a força vital da liderança, do empreendedorismo, e da inovação. Mas também alertou que, em tempos de incerteza e instabilidade econômica, a maioria dos executivos se transforma naquilo que chamou de “caçadores de segurança”. Quando o medo passa a dirigir seus comportamentos, a liderança tende a proceder de forma distraída e improdutiva. Decididamente as empresas não precisam de executivos medrosos para ajudá-las a sair das dificuldades. Executivos corajosos encaram os desafios de frente, procurando encontrar formas e ideias inovadoras para resolver problemas – e é isso que qualquer empresa precisa para se manter a frente da concorrência.

Creio que aqui seja necessário fazer uns parênteses para deixar claro que ser corajoso não significa ignorar os riscos. Isso é ser temerário, que é completamente diferente. A coragem pode ser entendida como a capacidade de utilizar o medo a seu favor. Achou isso meio confuso? Pense comigo em um exemplo bem simples. Imagine alguém que não tivesse medo de nada. Você concorda que essa pessoa morreria atropelada na primeira vez que fosse atravessar uma rua (afinal o destemor estimularia a pessoa que nada receia a não olhar para os lados)? Temos que entender que o medo é um poderoso aliado, na medida em que nos torna cautelosos e capazes de avaliar o risco. Ser corajoso, portanto, significa utilizar o medo como forma de acautelamento, não como sinônimo de inconsequência.

Feita essa resalva, vejamos algumas dicas práticas para a construção de coragem, que Bill nomeou como capazes de favorecer que os lideres se tornem “construtores de oportunidades”:

 

Repertório variado

Ser corajoso implica ser capaz de visualizar várias soluções para um mesmo problema. Isso torna necessário conhecer várias ferramentas que facilitem a ação gerencial e ter a competência de escolhê-las em função das circunstâncias. Não adianta pensar que toda a vez que a equipe está desmotivada a solução é aumentar o salário ou fazer um treinamento. Tudo depende das causas da desmotivação. Tenha em mente que uma mesma doença pode ter vários tratamentos diferentes.

 

Estilos dissonantes

Tem gente que se orgulha de pensar e agir sempre da mesma forma. Isso é um erro grave. Temos que ter a capacidade de nos adaptar às situações, agindo de acordo com as circunstâncias. Há momentos em que precisamos ser duros com as pessoas. Há momentos que temos que ser flexíveis. Isso não é ser inconstante. Significa ter atingido um estágio de maturidade emocional que permite mudar sem perder a verdadeira essência.

 

Motivação para a mudança

Encarar mudanças como desafios e não como barreiras é assunto que já foi amplamente discutido nas páginas das revistas especializadas em Gestão. É bom não esquecer que essa é uma competência essencial de qualquer líder.

 

Metamorfose

Já dizia o Raul Seixas que é melhor ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Anos mais tarde Peter Senge, um dos maiores estudiosos sobre comportamento organizacional, disse que o grande desafio do profissional contemporâneo é “aprender a desaprender”. Bill Treasure também falou bastante sobre a importância da adaptabilidade. Navegando nas águas da teoria da Liderança Situacional o apresentador deixou claro que é preciso nos adaptarmos as características da empresa, dos clientes e dos mercados em que atuamos para poder tomar decisões que repercutam da maneira que intencionamos.

 

Inteligência Emocional

Por último foi dada uma dica importante, que posso sintetizar numa frase que repito bastante: mais vale ser gente do que apenas inteligente. Isso significa que o líder ideal também “pensa com o coração”, tomando decisões racionais sem se descuidar da avaliação correta de seus impactos sobre as pessoas (sugiro que você pense detidamente sobre isso na próxima vez que for discutir objetivos e metas para sua equipe).

Para mim a grande síntese de tudo que ouvi nessa e em outras palestras é que grandes líderes são capazes de mover as pessoas, levando-as a lugares que elas jamais chegariam sozinhas. São pessoas que inspiram e mobilizam equipes, estimulando-as a agir de forma acima da média. Mas a grande questão é: como eles fazem com que isso aconteça?

Acredito que entendam que sua principal tarefa é direcionar as emoções das pessoas para aquilo que interessa as empresas e a elas próprias, fazendo com que vibrem e se orgulhem do que fazem, ao invés de simplesmente ficar olhando o calendário passar esperando que o próximo dia de pagamento chegue logo.

Fonte: João Baptista Vilhena, Instituto MVC, especialista e coordenador IBE Conveniada FGV

 

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