Sitenoticia

Publicado 19/01/2016 – 18h09 – Atualizado 19/01/2016 – 18h20

Por Adriana Leite

Tendência é que neste ano o custo do dinheiro continue caroPatrícia Domingos/ Especial para AAN

Tendência é que neste ano o custo do dinheiro continue caro

Se você não consegue ficar sem fazer prestação e dificilmente resiste a usar o cartão de crédito, deveria ficar mais atento àqueles números bem pequenos que constam das faturas. No ano passado, os juros foram os mais elevados dos últimos 12 anos no mercado de Campinas e região. O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) atingiu 126,50%, o cheque especial assustou com 234,29% e o cartão de crédito chegou a 249,47%.

O financiamento de veículos e o crédito imobiliário também foram impactados, mas em menor escala do que as operações mais utilizadas pelos consumidores.
A tendência é que neste ano o custo do dinheiro continue caro. A Selic, taxa básica utilizada como balizadora para as operações de crédito no Brasil, está em 14,25% ao ano.
Desde esta terça-feira (19), o Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central está reunido e deve anunciar na quarta (20) se a taxa permanece nesses dois dígitos ou sobe um pouco mais.
Parte dos analistas acredita em uma subida de 0,50% e outra na manutenção da taxa.
O remédio amargo dos juros elevados é uma das ferramentas utilizadas pelo governo para contar a inflação.
Ainda assim, o “dragão” fechou 2015 em dois dígitos – 10,67%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O reflexo da forte elevação dos juros no último ano já foi sentido no varejo. Além da dificuldade para o acesso ao crédito, os consumidores reduziram as compras a prazo.
Análise anual realizada pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), com informações do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), apontou que as vendas no crediário em Campinas caíram 11,47% no ano passado. No outro lado da balança, o pagamento à vista das compras subiu 4,21%.
Só que a mudança de comportamento não impediu a disparada da inadimplência, que é um fator que pesa muito na composição dos juros pelos bancos.
O calote chegou a R$ 150,3 milhões com um total de 208,745 carnês e boletos em atraso de mais de 30 dias.
O coordenador do Departamento de Economia da Acic, Laerte Martins, afirmou que o governo preferiu usar os juros para controlar a inflação, mas o custo foi bem elevado para as pessoas físicas e jurídicas.
“Todas as operações de crédito tiveram alta. Empresas e consumidores sofreram com operações mais caras e também com a dificuldade de acessar as linhas de crédito. Os juros médios em Campinas chegaram a 54,10% ao ano em 2015. O CDC atingiu 126,50% e o cartão de crédito ficou em 249,47%” , comentou.
O especialista observou que o remédio teve um efeito bem moderado sobre a inflação e ainda aprofundou a recessão.
“Os juros cobrados nas operações no mercado de Campinas e região foram os mais elevados dos últimos 12 anos. A subida teve impacto sobre as vendas a prazo. As compras no crediário caíram no ano passado, enquanto os pagamentos à vista subiram em 2015”, disse.
Martins acredita que está na hora do Copom manter os juros no patamar atual e adotar uma estratégia de redução gradual da Selic.
Desistência
O autônomo José Maria Cunha sonhava trocar o carro de quase seis anos por um mais novo e até, quem sabe, por um zero-quilômetro.
“Claro que o primeiro detalhe que eu olhei foi o valor da prestação. Mas meu filho que está estudando economia fez os cálculos dos juros e me aconselhou a desistir da compra. Vou juntar um pouco mais de dinheiro para dar uma entrada maior. Os juros no Brasil são exorbitantes” , comentou.
Juros 
Dados do Banco Central mostram que em novembro de 2015 os juros médios cobrados na aquisição de veículos no País foram de 26,2% ao ano. Em novembro de 2014, eram de 22,7% ao ano.
No financiamento imobiliário (taxas de mercado), a média foi de 15,1% ao ano. No ano anterior, foi de 13,3% ao ano.
O professor de Economia do Institute Business Education (IBE)/Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Fontes, afirmou que os juros no crédito imobiliário tiveram elevação no ano passado. Entretanto, não foram tão fortes quanto em operações como CDC e cartão de crédito.
“O mercado fez um ajuste das taxas em decorrência da alta da Selic. O grande problema do crédito imobiliário no ano passado foi a falta de funding. A poupança é a principal fonte de financiamento do sistema, e, no ano passado, houve uma forte retirada de recursos pelos poupadores. Os rendimentos da poupança perderam para a inflação”, analisou o especialista.
Fontes salientou que o afrouxamento das regras do compulsório dos bancos disponibilizou recursos para o setor imobiliário.
“Só que os bancos privados não aproveitaram o espaço deixado pela Caixa Econômica no financiamento de imóveis usados. A Caixa reduziu o limite de financiamento”, lembrou.
O professor de Economia da Inova Business School, Anderson Pellegrino, afirmou que a taxa média mensal do crédito imobiliário ultrapassa 1%. “Se o consumidor pensar que são financiamentos de longo prazo, o custo dos juros é muito caro” , disse. Ele observou que os juros médios mensais para a aquisição de veículos fica entre 2,2% e 2,3%. “Há 18 meses era difícil chegar a 2%” , apontou. O especialista ressaltou que outras operações como o cheque especial estão bem acima de 10% ano mês.
Pellegrino aconselhou os consumidores a fugir de compras financiadas e, se não tiver escapatória, que seja no mínimo possível de parcelas. “Quanto mais a dívida é alongada, maiores serão os juros e encargos cobrados nas operações. O consumidor deve observar todas as condições de crédito antes de firmá-lo” , afirmou. O acadêmico acredita que a Selic ficará mais estável neste ano, mas ainda em um patamar alto. “Avalio que, em um período de seis meses a um ano, os juros ainda permanecerão elevados no Brasil” , previu. (AL/AAN)
Elemento
Confira as taxas de juros de dezembro de 2015 em Campinas e região:
Desconto de duplicata – 49,71% ao ano
Crédito Pessoal (CDC) – 126,50% ao ano
Cheque Especial – 234,29%
Cartão de Crédito – 249,47%
Fonte: Acic
REMOVER TODOS
COMPARE
0