Professora da IBE Conveniada FGV, Rita Ritz, fala ao Jornal de Piracicaba sobre profissionais que são felizes em sua carreira.

Brasileiros estão de bem com a vida profissional

Caroline Ribeiro
segunda-feira, 16 de junho de 2014 12h35

“Escolha um trabalho que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida”. Apesar de antigo, o provérbio do pensador e filósofo chinês Confúcio ilustra uma das justificativas para 43,7% dos brasileiros estarem felizes com suas carreiras, conforme pesquisa realizada pelo site de empregos Catho com 175 respondentes de todo o país.

Questionados sobre o que motivaria uma carreira de sucesso, 30,6% dos entrevistados responderam que o ideal seria fazer o que gostam, 31,2% procurariam o desenvolvimento, 23,1% gostariam de ter o próprio negócio e, o restante, se distribui entre a busca por reconhecimento financeiro, cargo de chefia e trabalho fora do país.

A maioria dos entrevistados, no entanto, ainda se diz insatisfeita com o emprego atual. Este resultado de 56,3% de profissionais insatisfeitos, de acordo com Rita Ritz, especialista em desenvolvimento organizacional de IBE Conveniada FGV, pode ser justificado por várias causas, assim como a sensação de felicidade daqueles que estão satisfeitos.

“É uma percepção multicausal. Mas, basicamente, a não realização ou o não pertencimento ao ambiente de trabalho tem grande responsabilidade nisto. Isto significa que se o trabalho que a pessoa executa não tem significado para ela, por melhor que seja o salário, a desmotivação vai estar presente”, explicou.

Outro resultado apontado pela pesquisa indica que 39,9% dos entrevistados acreditam que a empresa ideal é aquela que valoriza o profissional.

O resultado seguinte, de 21,4%, indica que o bom clima organizacional é o que impulsiona os entrevistados a considerarem uma empresa boa.

Para a profissional, este último fator, que diz respeito ao ambiente de trabalho, é algo que interfere diretamente nesta percepção de felicidade (ou falta dela). “Um ambiente no qual as pessoas não sejam confiáveis ou não sejam colaborativas vai, com certeza, impactar em sua motivação e em sua sensação de felicidade”, frisou.

Momento da vida pessoal e profissional, bem como a idade da pessoa em questão, também são fatores que podem motivar a satisfação. “Tais aspectos mudam de acordo com o momento de vida. Mas é uma questão bastante complexa e deve ser analisada com muito cuidado e responsabilidade”, destacou Rita.

CHEFE OSSO DURO DE ROER — Segundo a especialista, profissionais da área costumam dizer que mais de 70% dos pedidos de demissão são feitos em decorrência do chefe e não da empresa, em si. “Muitas vezes a infelicidade é causada pelo relacionamento com a chefia/gestor. Nestes casos, o funcionário gosta da empresa, a considera boa, mas não consegue conviver com o chefe (normalmente, com chefes que têm comportamentos autocráticos e que sejam coercitivos o tempo todo)”, disse.

Muitas vezes, uma mudança de área dentro da própria empresa já resolve a insatisfação do colaborador. Mas quando todas as avaliações possíveis já foram feitas e, mesmo assim, o profissional tem a certeza de que é o trabalho que o está deixando infeliz, a mudança de rumo profissional passa a ser uma possibilidade a ser considerada.

“Uma vez reforçada a infelicidade com o ambiente de trabalho, a falta de perspectiva, a falta de reconhecimento e o péssimo relacionamento com o chefe, vale a pena, então, pensar em uma mudança de rumo profissional. Mas isto exige um planejamento e, em geral, é de médio e longo prazo. Principalmente se esta mudança envolver mudar para uma carreira regulamentada, como medicina, odontologia, engenharia etc, nas quais deve ser considerado o tempo de estudo formal para poder ter a autorização para exercê-las”, ressaltou a especialista.

Caso a mudança ocorra, o apoio da família passa a ser primordial para colaborar com as dificuldades que poderão surgir durante o percurso. “O apoio da família sempre ajuda, pois um processo de mudança, quase sempre, indica um investimento e um novo recomeço. E recomeço, por sua vez, implica em uma possível diminuição salarial, em maior jornada de trabalho, em um tempo necessário para se investir em novos conhecimentos, entre outros fatores que, quando a família está a par e de acordo, se tornam menos complicados”, informou.

SUBJETIVIDADE — O conceito de felicidade ou infelicidade profissional, conforme Rita, é algo subjetivo, já que não se pode ter o mesmo significado para diferentes pessoas. Ter um bom salário, com certeza, é um fator motivador para o funcionário.

Sozinho, porém, pode não ser suficiente para garantir satisfação, principalmente quando o ambiente de trabalho é ruim ou a atividade não faz sentido para o colaborador.

“O funcionário pode ser muito bem remunerado, mas se não faz aquilo que gosta, a possibilidade de ser uma pessoa infeliz é muito alta. O importante é isolar todos os fatores e identificar exatamente aquilo que está causando a infelicidade antes de tomar qualquer decisão”, reforçou Rita.

A infelicidade profissional, segundo a especialista, causa desde malefícios psicológicos, como desânimo e tristeza, até doenças que começam de forma imperceptível e evoluem para quadros mais graves (implicando no afastamento do funcionário do ambiente de trabalho), o que gera impacto não só na vida do funcionário, como de toda sua família.

Com profissionais felizes, por outro lado, o impacto direto na motivação permite que o trabalho seja cada vez melhor, com qualidade e mais comprometimento. “O funcionário se sente fazendo parte de algo maior e que faz todo sentido na vida dele”, completou.

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