Felicidade No Trabalho, Eline Rasera, Rita Ritz

ESPECIALISTAS da IBE Conveniada FGV APONTAM QUE FELICIDADE NO TRABALHO É QUESTÃO DE MUDANÇA DE HÁBITOS

Para a psicóloga, coach e professora de Gestão de Pessoas do IBE Conveniada FGV, Eline Rasera, a vida moderna tem se apresentado estressante em decorrência dos afazeres pessoais, profissionais, sociais ou todos juntos. Por conta da pressa e da necessidade em atender a toda essa demanda, as coisas são feitas ao mesmo tempo, interferindo nas percepções sensoriais dos indivíduos. “Andamos, nos alimentamos, conversamos, checamos computador, trabalhamos, cuidamos da família, praticamos esportes e outros. Mas, fazemos tudo tão rápido que mal conseguimos prestar atenção ao momento da realização”, exemplifica. “Evidentemente o corpo, físico e emocional, um dia sinaliza as consequências desse estilo de vida com quadros como ansiedade, apatia, depressão, taquicardia, esgotamento e doenças de todos os tipos, que classificamos como infelicidade”, diz Eline.

Eline Rasera

Para a especialista, no ambiente de trabalho não é diferente e, para ser feliz, é preciso mudança de hábitos. “Às vezes, basta mudar pequenas atitudes ou comportamentos frente à rotina. É fazer as mesmas coisas de forma diferente e não necessariamente migrar para outra carreira ou profissão”, comenta.

Para a professora doutora em Qualidade e especialista em Desenvolvimento Organizacional do IBE Conveniada FGV, Rita Ritz, o conceito de felicidade ou infelicidade profissional é algo subjetivo, que tem significados diferentes para cada pessoa. “Ter um bom salário, com certeza, é um fator motivador para o funcionário. Sozinho, porém, pode não ser suficiente para garantir satisfação, principalmente quando o ambiente de trabalho é ruim ou a atividade não faz sentido para o colaborador”, explica.

Segundo Rita, o importante é isolar todos os fatores e identificar exatamente aquilo que está causando a infelicidade antes de tomar qualquer decisão.

As duas especialistas concordam que a infelicidade profissional causa malefícios psicológicos, como desânimo e tristeza, que pode evoluir para algo mais grave impactando não só na vida do funcionário, como de toda sua família. Por outro lado, o profissional feliz trabalha cada vez melhor, com qualidade e mais comprometimento. “O funcionário se sente fazendo parte de algo maior e que faz todo sentido na vida dele”, completa Rita.

Eline Rasera aponta o Mindfulness como uma prática que pode ajudar. O estudo dessa modalidade já tem mais de 40 anos e prega uma vida focada no momento presente, sem apego ao passado e ansiedade pelo futuro. “É viver o aqui e agora e sem julgamentos. Experiências já tem demonstrado a legitimidade da prática como uma intervenção eficaz para doenças físicas e emocionais”, comenta.

Para adquirir esse hábito é preciso eliminar crenças e adotar novos padrões de comportamento para obter uma vida com mais qualidade. Os dois primeiros passos são escolha e decisão e os próximos, a disciplina e a prática.

Para começar, a professora ensina a dar foco nas pequenas atividades diárias e saborear cada momento. “Isso mesmo. Sentir o sabor das coisas e o prazer de cada ação. Dar sentido e significado. Abrir-se para a experiência única, numa atitude não crítica”, revela.

Uma pesquisa realizada no ano passado indicou que 56% dos profissionais brasileiros afirmaram estar insatisfeitos com o trabalho. A professora doutora Rita Ritz, explica que essa percepção é multicausal. “Basicamente, a não realização ou o não pertencimento ao ambiente tem grande responsabilidade nisto. Isto significa que se o trabalho que a pessoa executa não tem significado para ela, por melhor que seja o salário, a desmotivação vai estar presente”.

Para a especialista, o clima organizacional é um fator de interferência na satisfação. “Um ambiente no qual as pessoas não sejam confiáveis ou não sejam colaborativas vai, com certeza, impactar em sua motivação e em sua sensação de felicidade”, ressalta. O momento da vida pessoal e profissional, bem como a idade do profissional também devem ser levados em conta.

Rita Ritz

Rita Ritz ainda alerta que mais de 70% dos pedidos de demissão são feitos em decorrência do chefe e não da empresa, em si. “Muitas vezes a infelicidade é causada pelo relacionamento com a chefia/gestor. Nestes casos, o funcionário gosta da empresa, a considera boa, mas não consegue conviver com o chefe”, destaca.

Uma mudança de área dentro da própria empresa já pode resolver a questão, mas quando todas as avaliações possíveis já foram feitas e, mesmo assim, o profissional tem a certeza de que é o trabalho que o está deixando infeliz, a mudança de rumo profissional passa a ser uma possibilidade a ser considerada.

Mas isto exige um planejamento e, em geral, é de médio e longo prazo. Caso a mudança ocorra, o apoio da família passa a ser primordial para colaborar com as dificuldades que poderão surgir durante o percurso. “O apoio da família sempre ajuda, pois um processo de mudança, quase sempre, indica um investimento e um novo recomeço. E recomeço, por sua vez, implica uma possível diminuição salarial, em maior jornada de trabalho, em um tempo necessário para se investir em novos conhecimentos, entre outros fatores que, quando a família está a par e de acordo, se tornam menos complicados”, termina a doutora.

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