ESG e a nova consciência mundial

ESG

Ninguém tem dúvidas de que o mundo está em célere transformação e de que tendências inéditas vêm ditando novas regras de ser e estar no orbe instituindo um novo normal, também favorecido pela recente pandemia vivenciada e combatida em nível planetário, a qual oferece desafios sanitários, culturais e econômicos sem precedentes.

Com a chegada aos postos de trabalho dos representantes da intitulada “geração Z” ou iGeneration, os Gen Z – considerados os nativos digitais da era da World Wide Web (www), quando hipermídias puderam ser interligadas e executadas em ambiente digital de acesso remoto e em tempo real, nova consciência e princípios éticos passaram a ser ainda mais considerados, exigidos e valorados.

Esses novos consumidores apresentam uma mudança significativa no padrão de comportamento de consumo contemporâneo. Eles são concomitantemente investidores e integrantes do mercado de trabalho que acreditam e defendem que corporações devam contribuir para a preservação do meio ambiente, para a ampliação da permanência e do bem-estar de toda a biosfera.

Logo, enquanto consumidores mostram-se dispostos a pagar mais por produtos que deixam transparecer um comprometimento com questões socioambientais positivas. No papel de investidores selecionam para montar seu portfólio ativos que apresentem critérios de sustentabilidade. Ao atuarem como profissionais deixam transparecer a predisposição a obter salários menos expressivos desde que as instituições contratantes reflitam tais ideologias em sua cultura organizacional.

Pesquisas recentes apontam como os consumidores mais jovens tendem a dar maior importância às questões ambientais, sociais e de governança responsáveis do que aqueles com idade superior. Amostras evidenciam que cerca de 80% entre os respondentes das pesquisas realizadas em torno de hábitos de consumo entre os representantes da iGeneration e aproximadamente 85% entre os indivíduos pertencentes à geração millennials (geração Y) advogam ser extremamente relevante que empresas desenvolvam programas que, dentre outros parâmetros, contribuam para a melhoria do ecossistema.

Por essa razão, o comportamento e engajamento dos consumidores/investidores têm impulsionado o reinventar das corporações. Diante dessa ambiência, questões como diversidade de gênero, mudanças climáticas e impacto do uso de plásticos no meio ambiente têm se tornado preocupações crescentes entre investidores. E o conceito de “investimento responsável” aponta para a pregnância e permanência dessas prerrogativas em voga. Por esse motivo, muitos comportamentos empresariais anteriormente aceitos estão sendo paulatinamente revogados e substituídos por práticas sustentáveis.

Dentro desse cenário, mais especificamente no âmbito dos negócios e investimentos, o termo que tem ganhado visibilidade considerável é o ESG, seja em função da crescente preocupação do mercado financeiro com parâmetros de sustentabilidade em resposta também às demandas da clientela mais consciente e exigente, seja por causa das legislações e regulamentações apregoadas em nível nacional ou mesmo mundial por organizações como a ONU (Organização das Nações Unidas).

Nesse sentido, formulações como os “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)” são responsáveis por delinear metas qualitativas e quantitativas a serem alcançadas assegurando um futuro mais promissor para a humanidade e todo o ecossistema planetário, findando por influenciar empresas e investidores.

Como sabido, a sigla ESG provém do nominativo em inglês Environmental, Social and Governance, utilizado pela primeira vez em publicação do Pacto Global em parceria com o Banco Mundial, elaborada em 2004, intitulada “Who Cares Wins” (em tradução livre: “ganha quem se importa”). A tradução da grafia para o português configura a terminologia ASG que designa os termos Ambiental, Social e Governança. Embora as discussões em torno desse conceito sejam relativamente recentes em âmbito nacional, um olhar mais atento sobre as predisposições do mercado mundial evidencia como a temática vem sendo gestada por décadas em diversos continentes como por exemplo o europeu, o norte-americano e o asiático.

Corriqueiramente a rubrica faz menção às práticas empresariais excelentes que se referem aos aspectos ambientais, sociais e de governança. E de modo estendido tem sido utilizada como parâmetro para investimentos. Isso porque um empreendimento que incorpora questões de sustentabilidade e de responsabilidade econômica, ambiental, social e de governança dos investimentos de modo a extrapolar as métricas econômico-financeiras tradicionais adquirem, a longo prazo, melhora de seu valor de mercado, com consequente ampliação da lucratividade e findam por angariar diversos impactos positivos.

Na prática, os negócios que se comprometem com as prerrogativas ESG apresentam desenvolvimento sustentáveis em diversos métiers, dentre eles o econômico e a gestão de risco, pois, ao minimizar impactos indesejáveis ao ecossistema, ao estruturar uma ambiência mais responsável e justa para os indivíduos à sua volta e instaurar processos administrativos mais assertivos que auxiliam no balanço organizacional, amplificam a credibilidade e visibilidade dos empreendimentos, findando por ampliar a competitividade e por acelerar o retorno de ativos.

Por assim se caracterizarem, o mercado de investimentos tem assistido a crescente possibilidade de emissão de Títulos Temáticos ESG. O objetivo desses títulos de dívida é atrair capital para a implementação de ações e projetos de real e positivo impacto socioambiental. Tais títulos costumam ser discriminados em conformidade com seus propósitos delineados, podendo ser:

  • Green Bonds (títulos verdes): congregam investimentos relacionados à energia renovável, à prevenção e controle de poluição, à conservação da biodiversidade, dentre outros empreendimentos correlatos.
  • Social Bonds (títulos sociais): acolhem projetos e ações direcionadas à geração de empregos, segurança alimentar, infraestrutura básica, entre outros.
  • Sustainability Bonds (títulos de sustentabilidade): injetam investimentos em ações e projetos que mesclam atividades “green” e “social” – socioambiental.

Essa realidade tem orientado em igual medida o reposicionamento dos negócios e marcas. O interesse cada vez maior pela temática ESG tem modificado a indústria de investimentos e provocado efeitos correlatos e complementares: 1) assiste-se à atuação dos investidores interessados em atrair para suas cartelas de investimentos fundos EGS e 2) presencia-se à reorganização de corporações tendo em vista a adoção de práticas pautadas pelos princípios ESG.

Donde, o termo ESG como selo de qualidade para as organizações dizer do modo como essas instituições se posicionam em relação à sociedade e ao planeta e dos níveis de transparência e credibilidade que oferecem aos investidores. A adoção de princípios ESG evidencia como investimentos no bem-estar da sociedade, na manutenção do planeta e na construção de um mundo melhor, afetam direta e positivamente nos resultados empresariais.

Diante da relevância do conceito, inúmeros eventos têm sido promovidos em nível nacional e internacional com o objetivo de discutir e disseminar a temática no mundo dos negócios. Recentemente, altos executivos participaram do webinar organizado e disponibilizado pelo Institute of Business Education (IBE) intitulado: “ESG: Sua empresa está preparada?”. O objetivo do evento virtual foi abordar as práticas centralizadas em governança ambiental, social e corporativa utilizadas para mensurar índices de sustentabilidade e impacto social de investimentos em uma companhia.

Eventos e orientações como essa visam disseminar e oportunizar a competitividade e lucratividade das empresas por meio da atuação estratégica comprometida com a construção de um mundo justo e sustentável. E que assim seja o futuro da humanidade e do orbe que a suporta e conforma.

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