ENTENDA O QUE É O IPCA

Os preços no mercado sempre é assunto de debate entre a população. Uma época o tomate está mais caro, em outra o arroz…

Mas, afinal, o que leva essa variação de preço? A inflação é a principal responsável? É possível medi-la?

Sim, há uma lógica nessas variações e há um instrumento utilizado desde 1980 para medir essa variação.

Nesse artigo, apresentaremos o IPCA, o principal índice nacional de preços e de medição da inflação brasileira. Mostraremos seu funcionamento, como é calculado e quais são as possíveis causas da inflação.

Confira!

O que é o IPCA?

O IPCA, Índice de Preços para o Consumidor Amplo, é um índice medido mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, com a finalidade de identificar as variações de preços no comércio. É considerado pelo Banco Central como o índice brasileiro oficial da deflação ou inflação.

Portanto, o IPCA pode ser definido como um dos instrumentos usados para medição de variação de preços do passado e dos dias atuais.

Como funciona o IPCA?

Nos tempos atuais, vivemos com uma inflação relativamente baixa, fazendo com o que o IPCA tenha menos impacto no nosso cotidiano. Entretanto, isso não quer dizer que não esteja atuando. Ele continua ajustando os preços, tanto para cima quanto para baixo, e afetando a rentabilidade dos investimentos.

Para quem viveu nas décadas de 80 e 90, se lembra que o índice gerou o que ficou conhecido como hiperinflação. A inflação era tanta que um produto poderia começar o dia com um preço e terminar com outro bem mais elevado.

Sendo o principal índice para inflação, seu funcionamento se assemelha a um termômetro da economia brasileira, consolidando informações que auxiliam a população a entender o que esperar em relação aos preços na hora da compra.

Qual é a diferença entre IPCA e IPCA-E?

Como dito, o IPCA mede a variação dos preços no Brasil. Contudo, existem outros índices que tem a mesma meta, mas que utiliza metodologias diferentes. Este é o caso do IPCA-E, índice de Preços ao Consumidor Amplo-Especial.

Este índice é uma série especial do IPCA o qual é divulgada pelo IBGE a cada trimestre. Sua principal diferença está no cálculo realizado com base no IPCA-15 do período de referência.

Como é calculado?

A taxa IPCA mostra o custo de vida das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, residentes em regiões metropolitanas e alguns municípios.

Quando realizado o cálculo, cada cidade tem um peso específico, conforme tabela abaixo:

São Paulo32,32%
Belo Horizonte9,74%
Rio de Janeiro9,41%
Porto Alegre8,59%
Curitiba8,05%
Salvador5,99%
Goiânia4,16%
Brasília4,09%
Recife3,93%
Belém3,91%
Fortaleza3,22%
Vitória1,86%
São Luis1,62%
Campo Grande1,51%
Aracaju1,02%
Rio Branco0,51%

Fonte: IBGE

Para realizar o cálculo, os dados são coletados do dia 1º ao dia 30 ou 31 de cada mês, abrangendo os setores de prestação de serviços, comércios, concessionarias de serviços públicos e domicílios.

Os preços levantados nas pesquisas demonstram os pagamentos à vista nas categorias da tabela abaixo, assim como suas participações:

Tipo de gastoPeso
Transportes20,8377%
Alimentação e bebidas18,988%
Habitação15,1593%
Saúde e cuidados pessoais13,4575%
Despesas pessoais10,5972%
Comunicação6,1859%
Educação5,9519%
Vestuário4,801%
Artigos de residência4,0215%

 Fonte: IBGE

IPCA e a Inflação Acumulada

Existem outras formas de medir o efeito da variação de preços de um determinado período. Uma dessas formas é a inflação acumulada. Através dela é possível prever possíveis consequências da variação dos preços a longo prazo.

O IPCA acumulado, por ser uma taxa de juros, é a média ponderada da soma das taxas de inflação registradas em um período de tempo. Esse período pode ser um ano fiscal, de janeiro a dezembro, ou qualquer período de 12 meses, como de maio de 2019 a abril de 2020, por exemplo.

Como calcular o IPCA acumulado?

Uma das formas mais rápidas de saber o resultado do IPCA acumulado é através da Calculadora do Cidadão, disponibilizada gratuitamente pelo Banco Central (BC).

Para utilizá-la, selecione o índice o qual você tem interesse, no nosso caso o IPCA, e defina o período para análise, como no nosso exemplo acima, de 05/2019 a 04/2020. Aqui você pode colocar um período menor do que 12 meses, se preferir.

Feito isso, coloque o valor que deseja ser corrigido pelo índice e aperte o botão “corrigir valor”. Ela trará o resultado do índice de correção do período, o valor percentual acumulado e o valor corrigido pelo índice.

O que significam as variações do IPCA?

Sendo o IPCA um índice que reflete diretamente nos preços de itens de consumo do cotidiano, sua variação está intimamente ligada às alterações de preços e a geração de deflação ou inflação, dependendo de como foi essa variação.

Como dito acima, durante o período de da década de 80 e 90, houve a chamada hiperinflação. Para se ter uma ideia, durante o período de 1990 e 1999 a inflação média anual chegou a 499,2%. Isso significa que o dinheiro perdia seu valor rapidamente. Os produtos eram precificados pela manhã e pela tarde, ou seja, o aumento do preço ocorria dentro de 24 horas.

Portanto, se tornou comum em certos setores o pagamento e recebimento em dólar, devido sua estabilidade monetária. Inclusive, esse período teve profundo impacto cultural, desenvolvendo na sociedade certos hábitos que permanecem até hoje, como realizar as compras do mês.

Portanto, quando há uma variação positiva do IPCA, o dinheiro perde seu valor, diminuindo o poder de compra do consumidor, fazendo com que precise de mais dinheiro para comprar um mesmo produto ou serviço. Isso explica, por exemplo, o reajuste anual do salário mínimo e remunerações. É uma forma de tentar equilibrar esse cenário.

Em caso de um índice menor no mês posterior, o inverso não é verdadeiro. Não há, necessariamente, uma redução dos preços, ou como se fala na economia, deflação.

Na realidade, a queda do índice pode representar que os preços subiram menos em relação ao mês anterior. A deflação só ocorre quando o IPCA for negativo. Aí sim há uma redução dos preços.

O que faz os preços subirem?

O IPCA, como qualquer outro índice, varia mensalmente. E como já dissemos, os produtos e serviços podem ser reajustados de acordo com sua variação.

Mas isso pode levar a uma confusão: o IPCA aumenta os preços ou os preços aumenta o IPCA?

Precisamos entender que nenhum índice precifica produtos ou serviços. Eles são precificados pela lei da oferta e demanda, ou seja, quanto mais se procura por um produto e menor é a sua oferta no mercado, mais o seu preço sobre. Se há pouca procura pelo produto e grande oferta no mercado, o preço dele cai.

Sendo que o IPCA é calculado levando em consideração cerca de 350 itens, sua oscilação é decorrente de diversos fatores como a cotação do dólar, resultado das safras, custo de produção e mão de obra, entre outros fatores que compõe o mercado.

Por isso, o índice reflete uma média da valorização ou desvalorização do seu dinheiro em um determinado período.

Outro aspecto importante que pode levar a variação do IPCA é a quantidade de dinheiro em circulação do mercado. Quando a economia está aquecida, a moeda irá circular em maior quantidade no mercado, devido ao alto consumo e elevação de renda. Caso não haja um controle dessa circulação da moeda, o IPCA pode cair e, consequentemente, o dinheiro perde seu valor e o consumidor perde o seu poder de compra.

Devido a esses fatores, o Banco Central determina uma meta de inflação. Com o alvo estabelecido, ele traça um planejamento com mecanismos de controle para conter a desvalorização da moeda.

Quais são as causas da inflação?

Como sabemos, a economia é constituída por diversos fatores diretos e indiretos, o que torna toda a trama que a forma complexa e cheias de variações que podem refletir as situações financeiras, sociais, geográficas, políticas, climáticas, e outros aspectos de uma sociedade.

Posto isso, se torna quase impossível determinar uma causa da inflação sem que façamos uma análise profunda do contexto de uma determinada variação.

Contudo, de forma generalista, existem ao menos seis fatores que podem levar ao aumento de preços. Sendo eles:

  • Desequilíbrio dos gastos públicos
  • Cartéis empresariais
  • Inércia do cenário econômico
  • Aumento nos custos de produção
  • Baixas na produção
  • Ajustes de indexação.

Quando há intervenção estatal na economia e há uma injeção de dinheiro através da impressão de novas cédulas ou pela facilitação de crédito, a lei de demanda e oferta entra em ação e, como há uma demanda menor que a oferta de dinheiro, a moeda se desvaloriza. Essa desvalorização, o qual gera o desequilíbrio dos gastos públicos, leva a uma alta nos preços.

Além disso, uma economia parada, sem movimentação positiva, pode influenciar nas perspectivas das empresas em relação à economia, levando à crença de que em um futuro próximo haverá o aumento da inflação. Isso faz com que os preços aumentem de forma preventiva a esse medo.

Fatores externo econômicos externos também contribuem para alta dos preços. Isso significa que as importações de insumos, caso seja menor do que o previsto, pode alavancar a alta dos preços.

Em relação aos fatores climáticos, caso haja um evento extraordinário nessa área, isso afeta diretamente as plantações e os resultados das safras, resultando em baixa produção do produto agrícola. Isso também influencia na alta dos preços.

É importante lembrar que o IPCA acumulado é um guia para o planejamento fiscal do próximo ano. Portanto, uma grande inflação no período anterior leva as empresas a aumentarem seus preços no novo ano.

Acompanhe o IPCA

Como visto acima, o IPCA é o principal indicador relacionado a inflação. A inflação, esse monstro que aterrorizou os brasileiros nas décadas de 80 e 90, impacta diretamente no preço dos produtos e, consequentemente, no bolso dos consumidores.

Agora que você já sabe como ele funciona, acompanhe o índice e fique melhor preparado com as suas economias. Afinal, a informação é a principal ferramenta para o crescimento econômico pessoal.

Quer saber mais sobre esse e outros índices econômicos? Então acesse nosso blog e mantenha-se informado!

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