Entenda Como A Queda Da Selic Influencia O Mercado Brasileiro.jpeg

Nos últimos meses, a queda da selic tem sido notícia constante nos jornais, uma vez que a taxa atingiu o menor nível dos últimos 30 anos, causando surpresa entre os especialistas.

Embora a maioria das pessoas saiba que a selic é importante para a economia do país, muitas não entendem de fato qual é a influência dela no mercado e na rotina do brasileiro.

No post de hoje, vamos falar sobre como a variação dessa taxa influencia questões como o desemprego, o aumento do consumo e até os investimentos. Acompanhe!

O que é a taxa selic?

Selic é a denominação dada para Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Ele foi criado pelo pelo Banco Central e pela Associação Brasileira das Entidades e dos Mercados Financeiro de Capitais (ANBIMA) no ano de 1979, visando informatizar, mapear e dar mais transparência a negociações de títulos nacionais.

Em 1999, foi definida a taxa selic, cujo intuito era servir de referencial para os juros do mercado financeiro. Ela é considerada a taxa básica de juros da economia brasileira e influencia os valores praticados pelos bancos no rotativo do cartão de crédito, empréstimos, financiamentos, cheque especial, entre outros.

Como ela é determinada?

Para entender melhor como a taxa selic é determinada, é preciso conhecer a diferença entre os dois conceitos utilizados pelo governo e que, comumente, são confundidos: meta e valor real da taxa.

A meta é estipulada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM), que se reúne 8 vezes ao ano — um encontro a cada 45 dias, para estipular um percentual aproximado da selic.

As reuniões ocorrem em 2 etapas. Na primeira parte, a diretoria analisa o mercado e a conjuntura econômica nacional e internacional. Em seguida, na segunda fase, os diretores e presidente do Banco Central se reúnem para decidir a meta com base no que foi mostrado na reunião anterior.

Já a taxa é calculada todos os dias, considerando as operações de financiamento de curto prazo que os bancos realizam entre si e que oferecem como garantia títulos públicos para diminuir o risco de inadimplência. Tais transações são chamadas de compromissadas e são registradas diariamente na selic.

Com base no volume de operações realizadas em um dia é calculada a taxa overnight, que deve se manter dentro das previsões realizadas pelo COPOM.

Quais são os efeitos da redução da queda da selic?

Nos últimos meses, a taxa básica de juros vem sofrendo diversas reduções, chegando em fevereiro de 2018 a um patamar histórico com o valor de 6,75%, determinado pelo Banco Central.

Embora a maioria das pessoas comemorem a redução, muitas não sabem exatamente qual é o impacto da queda da selic na rotina do país. Listamos abaixo alguns cenários que sofrem positivamente, ou não, com a variação da taxa.

Câmbio

Como a selic serve para indexar os títulos públicos, a sua variação causa um grande impacto no investimento estrangeiro no país e, consequentemente, no câmbio. Quanto mais alta a taxa de juros estiver, mais investimentos externos o Brasil atrai, o que aumenta a oferta de dólar e diminui a cotação da moeda norte-americana.

Com a queda da selic a situação é inversa. O interesse de investimentos estrangeiros e a oferta de dólar diminuem, tornando o câmbio desfavorável para os brasileiros.

Tal cenário não é positivo para as produções que dependem da compra de produtos importados ou outros elementos básicos, como é o caso do pão, da gasolina e até do café.

Crédito

Por outro lado, quando há uma queda da selic, os juros ligados a empréstimo pessoal, cheque especial e rotativo do cartão de crédito também diminuem. Isso beneficia o consumidor e o crescimento de setores voltados à prestação de serviços e ao comércio.

Esse cenário também é positivo para quem está passando por alguma dificuldade financeira ou pretende começar um negócio, tendo em vista que é um bom momento para buscar crédito com taxas mais atrativas nas instituições financeiras.

Investimentos

Algumas aplicações de renda fixa, como fundos DI, CDBs pós-fixados e títulos negociados pelo tesouro direto, seguem a rentabilidade da selic. Nesses casos, a notícia da redução da taxa básica de juros não agrada aos investidores.

Por outro lado, a queda da selic, aliada a uma melhora na economia do país, estimula outros investimentos que envolvem um risco maior, como ações da bolsa de valores, debêntures e fundo multimercado.

Setor produtivo

O setor produtivo tende a crescer com a queda da selic, uma vez que o acesso mais fácil ao crédito e o aumento do consumo da população estimulam a economia. Esses aspectos também ajudam o empresário a realizar mais negócios e a ter fôlego para investir em melhorias, como a compra de maquinários.

Outro lado positivo na redução da taxa básica de juros é o aumento na oferta de empregos. Se as empresas vão bem, a tendência é que precisem contratar mais mão de obra para garantir a produção. E quem ganha com isso são os trabalhadores.

Inflação

Se a queda da selic for abrupta o país também pode sofrer com alguns resultados negativos, como é o caso do aumento da inflação.

Com a taxa de juros mais baixa e o aumento do consumo, mais dinheiro estará em circulação, o que resultará em um superávit da moeda e aumento dos preços.

Inadimplência

Como dissemos, a queda da selic influencia em taxas de juros menores para quem precisa de empréstimo pessoal ou está no rotativo do cartão de crédito. A redução da taxa básica é importante para que tanto as pessoas físicas quanto as empresas consigam organizar a sua vida financeira, sair dos órgãos de proteção ao crédito e voltar a consumir para estimular ainda mais a economia.

Embora as taxas não mudem para os contratos de crédito já realizados, esse também é um ótimo momento para negociar dívidas, uma vez que os bancos tendem a permitir refinanciamentos com propostas mais atraentes.

Agora que você sabe como a queda da selic influencia o mercado brasileiro, leia o nosso post sobre o que esperar da economia em 2018. Confira!

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