Sustentável

Empresa precisa de dinheiro para ser ‘sustentável’ – Empreender com sustentabilidade pode ser mais fácil para pequenas e médias companhias, porque elas têm estruturas mais enxutas que permitem decisões mais rápidas e processos menores.

É o que aponta a pesquisadora e consultora Dilma Pimentel, que há 20 anos trabalha desenvolvendo essas empresas no Brasil e é professora do MBA em Gestão de Negócios Sustentáveis da UFF (Universidade Federal Fluminense).

Folha – Vale a pena acreditar em negócios sustentáveis para os próximos anos?

Dilma Pimentel – Gostaria de responder apenas que sim. No entanto, infelizmente, a ignorância e a crise vêm servindo como justificativa para muitos retrocessos. No discurso a sustentabilidade é um sucesso, mas na prática exige um aprofundamento procedimental e normativo que não tenho visto. Todo mundo quer um mundo socialmente justo, economicamente viável e ambientalmente equilibrado, mas ninguém está disposto a abrir mão de seus pequenos confortos. É como a corrupção, temos uma sociedade indignada que quando precisa, é a primeira a justificar seus delitos. Não dá para ser sustentável de forma superficial. Ser sustentável, principalmente nas dimensões social, ambiental e econômica, não é fácil, exige maturidade, dá trabalho, custa tempo e dinheiro.

Quais os principais erros nessa área?

Muitas companhias ainda têm leniência com o não atendimento da legislação. Outro ponto é a superficialidade com que a sustentabilidade é inserida. Há também uma precária comunicação interna que deixa as empresas com a estrutura de guetos dificultando a solução de problemas multidimensionais.

O fato de ter uma estrutura menor pode ajudar?

Sim. Geralmente o dono acaba tendo uma visão sistêmica dos processos da empresa o que acaba por facilitar a tomada de decisões. Processos mais enxutos, comunicação interna mais ágil, pessoas mais acessíveis, também facilitam.

Por outro lado, atender todas as legislações fica mais difícil?

É uma dificuldade. Já participei de trabalhos em que todo o dinheiro que o empresário planejou gastar na implementação de um sistema de gestão ambiental e da saúde e segurança do trabalho, foi gasto no atendimento de apenas 50 % das leis. Resultado, as empresas acabaram desistindo. O pior erro é copiar modelos que funcionaram com outras empresas. Se internamente há diferença entre produtos, processos e pessoas, imagina quando levamos em consideração os interesses e as expectativas das partes interessadas.

Quando se fala em sustentabilidade há vários critérios a se respeitar.

O gigantismo temático torna a sustentabilidade algo muito complexo. Vou dar exemplos. Uma empresa pode dar salários justos, mas os funcionários estão adoecendo em virtude do assédio moral que sofrem. Um exemplo que vivi na questão ambiental foi de uma empresa que eliminou os copinhos descartáveis da empresa, mas não tinha a menor ideia para onde ia sua sucata eletrônica.

Buscar indústrias e universidades pode ser um caminho para facilitar os negócios?

Pequenas e médias empresas podem buscar parcerias. No entanto, o consumidor brasileiro, assim como as empresas, ainda escolhe seus produtos e serviços pelo menor preço. Selos, normas e declarações socioambientais são pouco ou nada reconhecidos, o que dificulta uma escolha técnica.

Fonte: Folha de São Paulo

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