Panorama Da Crise Covid-19
Panorama da crise Covid-19

“Atualmente, enfrentamos uma luta diária para manter os nossos empregos, e os empresários seguem aflitos para evitar a quebra e as demissões. 2020 traz um cenário triste e de difícil recuperação”, explica o economista e professor da IBE Conveniada FGV, Paulo Ferreira Barbosa.

Antes da chegada do coronavírus, o Brasil vinha se recuperando dos impactos sofridos com os governos passados, que culminou em um grande déficit fiscal. A recuperação ainda tinha como motivos os estragos causados pelas constantes crises políticas, greve dos caminhoneiros, desastres ambientes em Minas Gerais como, Mariana e Brumadinho, além dos efeitos da guerra entre Estados Unidos e China. “Somando todos esses pontos com a Covid-19, já sabemos que o país terá uma queda bruta na arrecadação dos impostos”, comenta o economista.

Surgido em dezembro de 2019 em Wuhan, na China, o novo coronavírus, que a ciência ainda luta para descobrir a cura, vem causando uma doença pulmonar grave em milhares de pessoas em todo o mundo. No Brasil, inúmeras já foram contaminadas e o número de óbitos aumenta a cada hora.

Como parte das medidas de prevenção contra o vírus, o isolamento social associado à paralisação dos comércios considerados não essenciais, trouxe uma outra grave crise para o país, a econômica. Ainda sem previsões oficiais para o encerramento da quarentena, esses estabelecimentos de micro, pequeno, médio e grande porte continuam com as portas fechadas, situação que economicamente falando, se agrava a cada dia no país.

O professor alerta que a queda do PIB (Produto Interno Bruto) terá um efeito poderosíssimo no desequilíbrio das contas do governo, já que as projeções realizadas pelo Governo Federal e Ministério da Economia demonstram o resultado inicial de 0,02%. Os bancos Credit Suisse e Bank of America também preveem algo em torno de 0%.

“Com base em gráficos comparativos, essa década será perdida, pois as avaliações demonstram um crescimento muito próximo a zero. Sem dúvidas, a crise causada pelo coronavírus é um choque muito grande e para que o nosso país se recupere, será necessário a realização de um estudo aprofundado para encontrar a melhor maneira de se arrecadar e de se gastar o dinheiro público”, ressalta.

Ainda segundo o especialista, muitas pesquisas estão em andamento e quanto antes a ciência descobrir alguma vacina ou medicamento, mais rápido será o retorno das atividades normais das pessoas e também das empresas. “A expectativa do mundo é uma só, a descoberta da cura”.

Abaixo, confira um panorama geral realizado pelo economista a pedido da IBE.

Impactos positivos X negativos da crise

“É difícil encontrar um aspecto positivo nessa crise, mas podemos citar os investimentos emergenciais para a melhoria do Sistema Único de Saúde (SUS) e também as ações nas redes de hospitais particulares”, explica o professor.

Para Paulo Ferreira, a tecnologia também é um ponto que merece atenção, pois muitas pessoas estão conseguindo se manter empregadas, executando as tarefas e se reportando aos líderes, por meio de ferramentas online. “Com certeza após a pandemia teremos um novo perfil de usuários e, consequentemente, das empresas”.

Em contrapartida, quando falamos nos impactos negativos, a economia que vinha se recuperando em passos lentos, agora terá ainda mais dificuldades em se reestabelecer. “Apesar de todas as dificuldades, o governo tem procurado agir com as medidas de combate à crise, além de disponibilização de auxílios para a população e injeção em recursos. Mesmo assim, a recuperação será extremamente lenta, mas sabemos que essa é uma fase transitória, que vamos passar por isso.”

Queda de 6,8 do PIB na segunda maior economia do mundo

Dados do primeiro trimestre da China mostram a queda de 6,8% do PIB do país, se comparado ao primeiro trimestre de 2019. “Esse dado é muito importante, pois a China é considerada a segunda maior economia do mundo. A economia chinesa tem um peso muito grande mundialmente”.

Crise político-partidária brasileira

A crise da Covid-19 desestabilizou o relacionamento entre os governos estaduais e federais, dificultando a discussão e votações dos projeto. “Se houvesse uma conversa mais amigável entre eles, todos sairíamos ganhando. Poderíamos conseguir alívios na carga tributária, nos acordos trabalhistas e facilidades para abertura de novos empregos, pois os trabalhadores são os grandes responsáveis pelo desempenho e crescimento da economia brasileira.”

Número de demissões

Segundo o especialista, ainda não é possível mensurar os números de postos de trabalhos vagos, pois o retorno das atividades nas empresas ainda não tem data definida. Para ele, as áreas de logísticas e saúde receberão um novo olhar dos empresários após a pandemia.

Aprendendo com a gestão de crise

Durante a pandemia, os empresários estão aprendendo a importância em estabelecer uma boa gestão de pessoas e de se implementar comitês de crise. De uma maneira difícil, eles estão aprendendo a importância de prevenir contra os impactos financeiros, manutenção da cadeia de suprimentos e operações, bom relacionamento com os clientes, importância em manter as obrigações contratuais em dia, além da diversificação da receita e melhor aproveitamento nas novas tecnologias e meios digitais.

“Para os gestores, a grande lição dessa pandemia é a importância de se preparar para o enfretamento de novas crises, afinal, não sabemos quando outra irá chegar. Espero que o mercado amadureça e traga novas atividades e oportunidades”, finaliza o professor.

 

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