Especialistas da IBE Conveniada FGV dão dicas de como sobreviver em meio aos reflexos da crise 

Com o aumento do dólar, muitas pessoas estão pensando em adiar os planos de viajar, passar temporadas ou estudar fora do Brasil. Outras situações também começaram a ficar pendentes como, por exemplo, o investimento na moeda internacional e as inúmeras compras de produtos importados. Por estes motivos, os economistas da IBE Conveniada FGV João Mantoan e Múcio Zacharias explicam motivos da alta e dão algumas dicas para os viajantes e consumidores.

De acordo com eles, o governo dos Estados Unidos não tem como dar calotes, pois é o país emissor de dólares que desfruta de fé mundial. Mesmo pagando muito pouco, os títulos da dívida americana têm proteção plena.

Nos últimos três anos, o Brasil registrou saídas substanciais de divisas, ou seja, fuga de dólares. Essas saídas devem-se a vários motivos e, entre eles, está o envio de lucros das multinacionais com matrizes sediadas no país.

Outro motivo que pressiona a moeda estrangeira é a condição de credibilidade da economia brasileira, que vem se deteriorando rapidamente aumentando a desconfiança do mercado.

Os especialistas explicam que se não há muita certeza sobre os retornos do investimento, o investidor se afasta e não traz moeda para o Brasil, impactando a economia já muito instável. “Por esses motivos existe a saída de capital para investimentos nesses títulos, deixando a situação ainda mais grave no que tange ao câmbio. O pior é que quando há escassez de produto, o preço tende a subir”, diz o professor de Economia da IBE Conveniada FGV, Múcio Zacharias.

Com a situação grave e instável, o dólar deve continuar subindo e superar a marca dos R$ 3,00. Quanto ao dólar turismo, a variação deve chegar a R$ 3,30 em meados deste ano, na previsão dos economistas. “Preparem-se, porque no momento só nos resta torcer pela melhora da situação econômica brasileira para amenizar os impactos dessa desvalorização do Real”, diz Zacharias.

Sobre os investimentos na moeda, professores ressaltam que o dólar não deve ser visto como investimento, pois ele não rende juros, não paga aluguel e muito menos dividendos. “No Brasil, muitas pessoas compram a moeda planejando ganhar com a variação cambial. Os riscos são elevados, mas se você tiver algum recurso sobrando a expectativa é de alta e nesse momento faça as contas contemplando todas as complexas variáveis que afetam a moeda. Boa sorte.”, conclui o economista da IBE Conveniada FGV, João Mantoan.

Dicas

– Viagens internacionais planejadas

“Quem está nessa condição não tem saída, será impactado pela alta da moeda e, no caso de viagens programadas, os economistas aconselham a compra da moeda, pois a subida não para por aí. A expectativa não é boa e o dólar deve ultrapassar o limite de R$ 3,00. Mas se não subir muito além dessa conta, já estamos na estratosfera cambial”, diz Múcio Zacharias.

– Comprar em dinheiro ou cartão pré-pago

“Fuja do dinheiro de plástico! O cartão pré-pago, além do dólar, vem carregado com IOF absurdo de 6,38%. Esse imposto já havia absorvido a CPMF e agora vem com força extra afetando todos os viajantes. Por outro lado, a compra de dólar em espécie ainda tem o imposto reduzido de 0,38%, mas é mais compensadora que de outras formas”, explica João Mantoan.

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