Negros

Desigualdade salarial entre brancos e negros gera prejuízo de R$ 808 bilhões – Negros com curso
superior ganham, em média, 29% a menos que brancos na mesma posição. Para as mulheres, essa
diferença é de 27%

Se os negros ganhassem salários iguais aos dos brancos no Brasil, seriam
injetados na economia brasileira R$ 808,83 bilhões. Esse é o preço da desigualdade  atual,
segundo o estudo O Desafio da Inclusão, do instituto de pesquisa Locomotiva. “Um branco
paulistano de 40 anos, com curso superior, como eu, ganha em média 31% a mais do que um negro
paulistano com curso superior da mesma idade e na mesma função”, diz Renato Meirelles,
ex-presidente do Data Popular, atualmente à frente do instituto, em evento realizado em São
Paulo, nesta quinta-feira (16/11). A pesquisa do Locomotiva é focada na população negra e
ouviu 2 mil brasileiros em 70 cidades.

Atualmente, 55% da população brasileira se declara negra e parda — um número que vem
crescendo na última década. Há dez anos, por exemplo, essa porcentagem era de 50% e, em
2004, de 48%. 86% afirmam hoje sentir orgulho de ser negro, segundo o estudo. “Se a população
negra brasileira (112 milhões) formasse um país, seria o décimo primeiro maior do mundo”,
diz Meirelles.

Trata-se de uma fatia da população que tem menos acesso a universidades e educação. Enquanto
18% dos adultos brancos têm curso superior, a porcentagem entre os negros é de  8%. 93% dos
jovens negros nunca fizeram um curso de idiomas e 60% não receberam qualificação profissional.
Entre aqueles com curso superior, a renda média de um homem negro é, em média, de R$ 4,8 mil
(versus R$ 6,7 mil do homem branco), enquanto a da mulher negra é de R$ 2,9 mil (versus R$ 3,8
mil da mulher branca).

Aqueles que conseguiram entrar na faculdade, subir em suas carreiras e conseguir boa
remuneração ainda são poucos. Mesmo sendo a maioria da população, os negros representam apenas
19% da população brasileira que ganha acima de R$ 10 mil por mês.

O estudo também aponta que a renda da população negra no Brasil é de R$ 1,6 trilhão. É um
mercado com grande potencial consumidor, equivalente ao 17º maior do mundo — e para o qual as
empresas deveriam olhar, afirma Meirelles. São 28 milhões de pessoas com intenção de comprar
móveis para casa e 11 milhões com vontade de adquirir um smartphone nos próximos 12 meses. E
isso mesmo tendo uma visão pessimista do futuro. 78% dos negros avaliam de forma negativa a
situação atual do país e 88% têm medo de perder seu padrão de vida.

Segundo o estudo, o brasileiro reconhece que existe racismo no Brasil (93% das pessoas),
mas são poucos que enxergam o próprio preconceito. Apenas 3% declararam abertamente que
preferem evitar conviver com negros.

Fonte: Época Negócios

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