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Dados mostram perda de otimismo do mercado – Segundo professor de Economia da Fundação Getulio Vargas, o Brasil está, sim, em recuperação e deve se levantar, porém o compasso ainda é cauteloso

O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) da Fundação Getulio Vargas variou – 0,1 ponto, passando a 96,7 pontos, a primeira queda depois de sete altas consecutivas. Em médias móveis trimestrais, no entanto, o indicador avançou pelo oitavo mês consecutivo (0,5 ponto).

“Na prática, a leve queda deste mês indica que os empresários ligados ao comércio estão começando a mostrar suas incertezas com relação à retomada, e, insegurança quanto à trajetória da economia brasileira em curto prazo”, explica o professor de Economia da IBE Conveniada FGV, Anderson Pellegrino.

Na mesma direção, o IEC (Índice de Expansão do Comércio), calculado pela Fecomércio para medir a propensão do investimento do empresário, também apontou uma redução de – 0,3 ponto este mês.

“Os dados mostram que a vontade de investir também foi restringida em abril”, explica Pellegrino.

Por trás destes números, estão os sinais de recuperação econômica do primeiro trimestre, após a grave crise dos últimos três anos, porém em ritmo muito inferior ao esperado. “Os indícios da retomada ainda não foram confirmados, haja vista os números do desaquecimento da indústria e desemprego estratosférico”.

Segundo o professor, com exceção dos setores automobilístico e de materiais de construção, os demais, ligados principalmente a serviços e comércio, ainda caminham a passos muito lentos.

O Boletim Focus do Banco Central, que mostra a previsão do PIB para o ano conforme expectativa do mercado, também revelou a tendência vagarosa da economia. No começo de março, a previsão era de 2,90% de crescimento em 2018. Agora, no fim de abril, o mercado rebaixou a previsão de crescimento do PIB brasileiro para 2,75%.

“É claramente mais uma reflexo da perda de otimismo com relação a retomada da economia”, comenta o professor. Para ele, o Brasil está, sim, em recuperação e deve se levantar, porém o compasso ainda é cauteloso.

“Os dados refletem a própria falta de dinamismo do mercado, as instabilidades no campo político que influenciam as reformar ou propostas que podem auxiliar a retomada, a expectativa com relação às eleições e a incapacidade do governo intervir”, conclui ele.

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