Com Retornos De Quase 200%, Conheça Os Fundos Com Os Melhores Desempenhos Após O Pior Da Crise Na Bolsa

Embora o país ainda esteja enfrentando duramente a pandemia do coronavírus e todas as suas consequências humanas e econômicas, neste dia 23 de março de 2021 já se completa um ano do menor nível atingido pelo Ibovespa em 2020.

Há exatos 12 meses, quando as incertezas sobre o impacto da Covid-19 estavam em níveis bastante elevados, o principal índice da Bolsa, então em uma espiral negativa, amargou perdas de 5,2% e retrocedeu aos 63.570 pontos.

Desde então, o Banco Central (BC) reduziu a Selic a novas mínimas históricas, já tendo inclusive começado a reverter parte do movimento, e a busca por ativos de risco impulsionou a Bolsa a uma alta da ordem de 80,6% em um ano até 22 de março, quando o Ibovespa fechou aos 115 mil pontos.

Diante do movimento tão expressivo do mercado acionário, tanto os fundos de ações quanto os multimercados com as maiores rentabilidades do período foram aqueles que melhor conseguiram aproveitar a forte alta que as ações passaram a registrar já a partir de meados de abril.

Até porque o CDI, principal referencial das aplicações de renda fixa, acumulou variação de módicos 2,2% ao longo do ano, o que levou fundos multimercados de atuação mais abrangente, do tipo macro, a ficarem para trás na comparação com aqueles mais focados em Bolsa.

Confira a seguir o desempenho dos grandes índices de referência do mercado de 23 de março de 2020 até 18 de março de 2021, bem como seu desempenho em dois e três anos, e apenas em 2021.

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Ao analisar o grupo de melhores fundos de ações desde o ponto mais baixo da Bolsa brasileira em 2020, a combinação de empresas de commodities, guiadas pela retomada econômica global em países mais desenvolvidos, e de comércio eletrônico, um dos setores mais favorecidos pelo isolamento social e as mudanças de hábito da população, foi a maior responsável pelos desempenhos destacados do período.

A alta de 75% do índice americano S&P 500 como reflexo do desempenho resiliente das grandes empresas de tecnologia, somada aos ganhos de 8,1% do dólar no período, também impulsionaram alguns dos fundos da amostra, como do Safra e do Morgan Stanley.

Confira a seguir os fundos de ações que mais se destacaram em um ano até 18 de março, assim como seu desempenho em 24 e 36 meses (no caso dos fundos com histórico para o intervalo), e apenas em 2021.

Para o levantamento, que teve como base dados extraídos da Economatica, foram considerados veículos não exclusivos, com gestão ativa e patrimônio líquido médio superior a R$ 100 milhões em 12 meses e mais de 99 cotistas, em 18 de março de 2021.

Na categoria de renda variável, foram excluídos os fundos setoriais e os monoações. Entre os multimercados, não foram considerados os fundos de crédito privado.

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Além dos fundos multimercados com atuação voltada majoritariamente ao mercado acionário brasileiro, como o Logos Total Return e o XP Long Term Equity, a valorização das bolsas americanas e do dólar impulsionou alguns dos fundos do segmento.

É o caso dos fundos de fundos da Santander Asset e da M Square, em que a estratégia consiste na seleção dos melhores gestores baseados no exterior, com mais propriedade para mapear as melhores oportunidades no mercado internacional.

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Importante lembrar que retorno passado não é garantia de rentabilidade futura, embora seja interessante analisar o desempenho histórico dos fundos para observar sua consistência.

Diante do desempenho destacado do Ibovespa, entre os fundos da amostra com o pior desempenho no intervalo de um ano, despontam na categoria da renda variável o NCH Maracanã e o Navi Compass, com ganhos relativamente modestos contra a média do mercado, de 2,3% e 4,8%, respectivamente.

No caso dos multimercados, entre as maiores perdas do período, estão o AZ Quest Total Return, com desvalorização de 3,8%, e o Adam Macro, com baixa de 0,9%.

O fundo de ações mais rentável

Entre os fundos de ações que conseguiram superar o rendimento já bastante expressivo do principal benchmark da Bolsa ao longo desses últimos 12 meses, o maior destaque ficou por conta do Fator Sinergia, com ganhos de aproximadamente 150%.

Após os resultados expressivos impulsionados por empresas de commodities e e-commerce, o gestor Daniel Utsch diz que enxerga hoje as maiores oportunidades em empresas que ainda não conseguiram se recuperar diante do quadro pandêmico no país, mas com boas perspectivas quando isso acontecer.

“Alguns ativos ligados à atividade doméstica, particularmente dos setores que mais sofreram na crise, estão enfrentando situações muito difíceis, mas as ações estão precificando um cenário pior ainda, próximo do catastrófico”, afirma.

Diante disso, qualquer melhora, ainda que pequena, pode representar um potencial de valorização relevante, aponta Utsch, que cita construção civil, varejo de vestuário e serviços de alimentação entre os segmentos no radar. “Vemos assimetrias grandes em alguns dos nomes nesses setores”, assinala o gestor.

Entre as maiores contribuições para o resultado dos últimos 12 meses, Utsch aponta Via Varejo, pela rápida adaptação ao meio digital, e Randon, que se beneficia da força do agronegócio, com altas de 163,2% e 181,3%, respectivamente, no intervalo de 23 de março de 2020 a 18 de março de 2021.

Ações de produtoras de commodities beneficiadas pela demanda crescente da China, como os frigoríficos Minerva e Marfrig, além da siderúrgica CSN, também estiveram entre as maiores contribuições positivas para o fundo, bem como a empresa de tecnologia Linx.

Fora do radar

No caso do Trigono Flagship Small Caps, a valorização de aproximadamente 109% no período se deve a uma combinação de posições fora do radar da maior parte dos investidores, mas que também se beneficiaram da forte valorização do dólar nos últimos 12 meses, explica Werner Roger, CIO da gestora.

Entre as posições na carteira que exemplificam a tese de investimento, o gestor cita a Ferbasa, que atua nas áreas de mineração, metalurgia e energia renovável, bem como a Tronox Pigmentos, empresa produtora de matérias-primas utilizadas nas tintas que se beneficia do momento aquecido no setor imobiliário.

As maiores convicções que guiaram o fundo ao longo da maior parte de 2020 seguem no portfólio para 2021, até mesmo pela filosofia de longo prazo da casa, afirma Roger, que não acredita em uma valorização do real nos próximos meses por conta da alta dos juros, ao menos até que as reformas e os desafios fiscais sejam melhor enderençados.

A armazenadora de silos Kepler Weber, favorecida pela força do setor do agronegócio, também foi citada entre as maiores contribuições do período. “As empresas na nossa carteira estão fora do universo de cobertura da maior parte do mercado e, por isso, estão menos sujeitas aos grandes efeitos manada”, afirma Roger.

O CIO da Trigono lembra que também foi importante para o resultado do fundo sair de posições em empresas que estavam com condições financeiras mais frágeis junto aos credores para atravessar o período de incerteza que se desenhava à frente – nesse caso, ações da Grazziotin, Portobello, Aço Altona e Profarma deixaram a carteira do fundo. “Nenhuma dessas empresas teve problemas, mas foi uma gestão de risco que consideramos adequada”, diz o gestor.

Segundo Roger, por ser focado em small caps, para considerar o investimento, a ação precisa ter valor de mercado abaixo de R$ 5 bilhões, com liquidez diária inferior a R$ 10 milhões. Pelo prazo de resgate de 60 dias do fundo de small caps, o CIO afirma não enfrentar maiores dificuldades na gestão de liquidez do portfólio.

Multimercado em dobro

Entre os multimercados que mais se recuperaram desde o tombo da Bolsa em março de 2020, se destacaram aqueles que concentram a maior parte da carteira no mercado acionário. Entre eles, o Logos Total Return, que rendeu cerca de 100% desde as mínimas do Ibovespa no ano passado.

“Após as fortes perdas no mês de março, intensificadas por uma aposta na valorização do real, já a partir de meados de abril o fundo conseguiu capturar o início da retomada dos preços impulsionada pelo ambiente global de elevada liquidez, ao concentrar o portfólio nos nomes de maior convicção”, diz Luiz Guerra, CIO da Logos.

Com a forte alta já registrada pelos preços das commodities metálicas, o gestor afirma que hoje o foco está mais voltado para a produtora de celulose Suzano, bem como para as ações da JBS e da SLC Agrícola.

Entre as teses de caráter mais microeconômico, o CIO da Logos cita as ações da Oi e posições “vendidas” (com aposta na queda) em IRB, como importante adição de valor para o fundo. A aposta na empresa de telefonia segue como uma das principais na carteira do fundo.

Totvs, que na visão do gestor ainda tem um importante valor a ser destravado com a recente aquisição da RD Station, e Sabesp, que tende a subir em meio a um possível andamento do debate sobre sua privatização, também estão entre as maiores convicções da carteira do multimercado da Logos para 2021.

Proximidade

Também com o foco voltado essencialmente ao mercado acionário, o multimercado XP Long Term Equity rendeu cerca de 80% desde as mínimas da Bolsa há um ano.

Rodrigo Furtado, gestor do multimercado, lembra que em momentos de estresse agudo dos investidores, como março de 2020, os preços dos ativos caem de forma indiscriminada, independentemente do valor intrínseco da empresa.

Nessas situações, diz o especialista, surgem oportunidades para reforçar a aposta em nomes com balanço financeiro saudável, capacidade para ganhar participação de mercado dos concorrentes mais fragilizados e que mais se beneficiam das mudanças nos hábitos de consumo da população.

Entre as ações com essas características com contribuição relevante para o resultado do fundo nos últimos 12 meses, Furtado cita Mercado Livre, Stone e Natura, posições que, embora já tenham tido desempenho destacado recentemente, seguem no portfólio do fundo.

Isso porque o processo de aceleração dos hábitos digitais, ainda que não siga no mesmo ritmo de 2020, deve continuar de maneira ainda bastante intensa, prevê o gestor, que cita ainda B3, Equatorial e Vale entre as maiores convicções na carteira.

“Estar próximo das empresas, em contato direto com os principais executivos, para entender no detalhe tanto seus desafios como as saídas encontradas, se mostrou uma valiosa estratégia em um momento no qual as incertezas no mercado estavam em níveis bastante elevados”, diz Furtado.

Entre as apostas que não trouxeram o retorno esperado no último ano, o gestor do fundo cita o setor de shoppings, por meio das empresas Multiplan e BR Malls. Diante de uma demora maior na retomada à normalidade do país do que se previa inicialmente, a decisão foi por sair das posições no setor em meados do mês passado.

Disciplina recompensada

Apesar de tanta volatilidade no meio do caminho, se um investidor tivesse tirado férias por um ano em uma ilha deserta e voltasse agora, a percepção provavelmente seria a de que nada de tão grave teria se passado no mercado, diz Paulo Tenani chefe de pesquisa da Aqua Wealth Management e professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EESP).

O retrato do mercado ao longo do último ano, diz o especialista, evidencia o fato de que muitas pessoas às vezes se preocupam em demasia com o curto prazo, quando, na verdade, o melhor seria focar em um horizonte mais distante.

É claro que quem precisava do dinheiro imediato se prejudicou e muito com a Bolsa caindo de maneira aguda em março de 2020, mas, para quem não precisa dos recursos de uma hora para outra, tendo feito o investimento para um período de 10 a 20 anos, a oscilação de curto prazo faz parte do jogo, assinala Tenani.

“Por isso, um dos grandes aprendizados que fica da crise em 2020 é que a disciplina e o processo de investimento estão aí para serem seguidos, mesmo nas piores circunstâncias do mercado”, afirma o professor.

 

Fonte: Infomoney

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