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‘Colaborador tem de ser um líder nas atitudes’

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Gestor de consultoria de inteligência diz o que pode levar ao sucesso profissional

A carreira de Giovani Henrique sempre esteve ligada à tecnologia, embora tenha passado por diferentes indústrias. Deixou sua marca em empresas como Embraer (durante a graduação), Hansen Technologies, Irdeto, Hughes Brasil, MatroRed (Brasil Telecom) e Equant (que faz parte do grupo France Télécom). Em setembro de 2014, se tornou CEO da DAPX, consultoria em inteligência de mercado especializada em saúde. Uma nova área em seu currículo, mas, ainda assim, mantendo a ligação com a tecnologia. Agora, diz ele, vai ajudar a empresa a transformar dados em informação útil para seus clientes. E alega que práticas de gestão de pessoas e as discussões sobre estratégia comercial são similares em vários negócios, por isso não se assusta com o desafio atual. A seguir, trechos da conversa.

O início
Eu tinha cursado técnico em eletrônica e comecei a trabalhar na Embraer como técnico em telecomunicações. Isso foi em 1988. Na época, dávamos muita manutenção para equipamentos, hardware, software, aos antigos mainframes da IBM, apoiando áreas estratégicas da empresa. Ao mesmo tempo, eu cursava engenharia elétrica, não aeronáutica. Na Embraer, você sabe, principalmente na época de estatal, eram só os formados pelo ITA que realmente tinham uma carreira dentro da empresa. Então, resolvi mudar e fiz engenharia com ênfase na área comercial e de projetos. Foi aí que ocorreu a primeira grande virada na minha carreira: saí de uma área mais operacional para outra voltada a negócio.
Telecom
Terminei (engenharia) e foi quando, em 1999, ingressei no mercado de telecom como key accounter na área comercial da Digitel, e posteriormente como gerente de desenvolvimento de negócios na Equant, que hoje é uma empresa do grupo France Télécom. Foi a minha primeira experiência em multinacional, interagindo com equipes de outros países. Foi um período muito marcante, no qual eu pude melhorar meus conhecimentos de inglês e ampliar meus conhecimentos técnicos e de gestão de pessoas.
A indústria
Em 2004, 2005, terminei meu MBA em gestão empresarial na FGV, após um período de atuação na MetroRed e na Hughes como gerente comercial. Naquele período, a indústria de telecom começou a dar sinais de enfraquecimento, principalmente no mercado corporativo. Um head hunter internacional me localizou e me convidou a participar de um processo para a direção comercial para a América Latina de um startup na área de segurança e mídia digital. Eu entrei no processo com dez outros executivos e fui contratado pela Irdeto, um empresa do Grupo Napsters, em razão da minha experiência no mercado de telecom Brasil, experiência em redes internacionais além do MBA.
Plano de negócios
Nos primeiros dois anos na Irdeto, minha equipe e eu tivemos um grande desafio: desenvolver um plano de negócios baseado em canais de vendas diretas e, ao mesmo tempo, controlar custos operacionais de forma eficaz, em razão do elevado número de viagens na América Latina. Tivemos crescimento expressivo de receita e de participação no mercado. Em 2006, fui promovido a country manager da América Latina e iniciamos um processo de abertura de operações no México e Argentina. Em 2008, terminei uma especialização em estratégia de negócios e marketing na Kellogg School of Management (EUA).
Resultado
Liderar a operação é executar um plano (de negócios) de forma eficaz, trazendo resultados. Eles são obtidos com equipes comprometidas em enfrentar situações desafiadoras. Cabe ao líder identificar, motivar e potencializar o papel destas equipes.
Aprendizado
Para chegar a uma posição mais executiva de nível sênior, é preciso realmente participar de todas as etapas do processo (de uma empresa). Você tem de entender, se dedicar e fazer a diferença em cada fase da sua vida profissional.
Fora da curva
Isso mesmo, minha carreira toda tem ligação com tecnologia – a DAPX é um ponto absolutamente fora da curva. E por que vim para a DAPX? A indústria farmacêutica tem enfrentando muitos desafios nos últimos anos, embora a projeção seja a mais otimista possível. Mesmo no Brasil, a previsão é de crescimento de dois dígitos nos próximos anos, e o País deve alcançar, em 2016, a quarta posição no ranking mundial em relação ao volume de vendas. Um dos desafios hoje é a desvalorização do real, pois 90% dos insumos vêm de fora, e o reajuste de preço do medicamento é feito pelo governo. Ao mesmo tempo, a indústria farmacêutica mudou. Nos últimos dez anos, as janelas das moléculas, como chamamos, diminuíram para a entrada dos genéricos. Então, como se pode antecipar sua ação de marketing, de lançamento de produtos sem inteligência de mercado? É aí que entra a Dapx antecipando isso. Estou aqui justamente para transformar dado em informação em tecnologia embarcada.
Mudança e desafio
O desafio, para mim, é parte integrante, é o que motiva a minha vida profissional. Com toda minha experiência profissional ficou muito claro que o sucesso só vai realmente acontecer quando houver a união de um plano de negócios bem executado com equipes bem comprometidas. Para obter esse comprometimento temos sempre de avaliar fatores além da competência profissional, como ambiente de trabalho, reconhecimento, oportunidade de crescimento do colaborador. E é um processo contínuo, que deve ser promovido pelos principais executivos da empresa. Mesmo a Dapx estando em um segmento diferente de mercado (em relação à experiência anterior), as práticas de gestão de pessoa, as ideias e discussões a respeito de estratégia comercial são similares.
O colaborador
Ele tem de ser um líder nas atitudes. Além das competências profissionais, eu valorizo fatores como a evolução profissional dele, liderança nas ações, resultados e reconhecimentos obtidos ao longo da carreira, além da bagagem educacional. Você pode ter um profissional que passou por uma indústria por três anos e mudou aquela empresa, não de A para B, ou de A para D, mas mudou de A para Z, isso é importantíssimo. Eu procuro avaliar esses fatores, porque é um pouco reflexo do meu estilo de gestão. As pessoas que trabalham comigo têm de ter um pouco disso também.
Visão ampla e sucesso
O profissional de hoje precisa ter visão muito mais ampla de mercado. Precisamos ser generalistas, não especialistas. Os movimentos acontecem do dia para a noite e se você for um especialista, dificulta ter a visão do todo. Mesmo que você trabalhe numa área específica, por exemplo, é engenheiro, tem de conhecer o todo, tem de conhecer o mercado, porque tudo isso ajuda o seu desempenho profissional naquela divisão em que você está. Julgo importante ter visão ampla da empresa, e do mercado onde ela atua. O sucesso profissional está atrelado à educação continuada, determinação, visão empreendedora e, certamente, capacidade de assumir desafios.
Plano estratégico
Aqui na DAPX vamos para cinco meses de operação. Eu implementei um plano estratégico, um plano de 100 dias, e mesmo sendo um plano de 100 dias já tem indicadores estratégicos para apresentar aos acionistas, que teve uma mudança em relação ao plano original. O que faz a diferença entre uma gestão é saber como você administra o seu tempo. Costumo dizer que um dia perdido na semana significa que estamos falando de 20% da semana. É muita coisa. Temos de ser produtivos, temos de ter uma cabeça voltada para resultados, porque a velocidade hoje de negócios, com internet, com tecnologia, mudou muito. Você pode estar numa situação confortável, mas amanhã ser completamente diferente. Temos de trabalhar de maneira a antecipar os fatos, com as ações e estratégicas para podermos nos blindar e seguirmos em frente com a execução de um plano.

Veículo: O Estado de S. Paulo – SP

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