Comandante Do Bope

Nesta segunda-feira (18), às 19h, cerca de 100 pessoas assistiram ao Painel Estrutura e Processos Organizacionais, promovido pela secretaria acadêmica da IBE Conveniada FGV, em Campinas. O evento contou com a participação de Maurílio Nunes (comandante do Bope -Batalhão de Operações Policiais Especiais), Rodrigo Martins de Barros (CEO da Boali), Hélio Arthur Irigaray (professor da Escola de Administração da FGV) e Cláudio Natale (gerente da Wickbold). Eles discutiram os desafios das estruturas e dos processos organizacionais a partir de diversos modelos de comando.

Cláudio Natale abriu o painel explicando por que foram convidados palestrantes de empresas com estruturas organizacionais completamente diferentes. “Nossa intenção é quebrar paradigmas sobre as organizações. Temos muitos conceitos estabelecidos em nossas mentes e que podem não corresponder com a realidade”, disse o mediador.

Irigaray iniciou sua fala lembrando o conceito de EPO (Estrutura e Processos Organizacionais). “Como é montada a estrutura de uma empresa? Onde está a meritocracia, ela existe realmente? Como o mundo corporativo pode aprender com o Bope? Precisamos resgatar o senso de altruísmo. Por que não conseguimos trazer isso para as empresas?”, questionou o professor.

Gestão transversal

Rodrigo falou sobre sua experiência na Boali com gestão transversal. “Na Boali, o líder tem que entender as qualidades e os sonhos individuais dos colaboradores e saber como integrá-los ao sonho da empresa”, afirmou. “Gosto de deixar as pessoas à vontade para trabalhar. Pode fazer home office e não tem hora certa para chegar no escritório. É uma rotina flexível. O importante é que as decisões tomadas pelos líderes estejam em sinergia com os valores da companhia. Nossa hierarquia também é flexível. Qualquer pessoa pode falar comigo. Todos podem me trazer ideias. E se a ideia for boa, o colaborador pode se tornar um líder de projeto. Se entrega resultado, ele cresce junto com a empresa. Valorizamos as pessoas e reconhecemos seus esforços”.

Nunes comentou sobre a importância da liderança nos processos organizacionais. “Quando algo dá errado no Bope, eu sou o culpado. O líder precisa saber assumir a responsabilidade pelos erros da equipe. E, quando algo dá certo, todos são parabenizados. O acerto é de todos, mas o erro é meu”, enfatizou. “No Bope, durante as operações de rotina, a hierarquia é mais rígida. Porém, em operações especiais e de emergência, a hierarquia se torna mais flexível. Nesses momentos, é imprescindível que a liderança seja compartilhada. É preciso ser humilde e escutar os soldados, porque eles podem falar sobre algo que eu ainda não sei. Todos estamos sempre aprendendo.”

Empatia e propósito

O comandante do Bope enfatizou que é muito importante desenvolver a empatia entre os soldados. “Se não trabalharmos o sentimento de irmandade e companheirismo entre os oficiais, o risco de morte aumenta muito. Um precisa proteger o outro, por isso o senso de missão e entrega é muito grande”, disse.

Ele também contou como é importante gostar do que se faz e sentir orgulho do lugar onde se trabalha. “Todos os nossos soldados têm orgulho de fazer parte do Bope. Eu sempre estou trabalhando com eles a importância de lembrar que estamos inseridos em um contexto muito maior, que afeta todo o Rio de Janeiro e o país. Não fazemos as coisas apenas para uma instituição, fazemos pelo Brasil”, destacou.

Nunes também lembrou os participantes da importância do propósito. “Se você faz as coisas sem propósito, você consegue fazer muito pouco. Quando você faz algo com amor e com paixão, tudo fica mais fácil. Busquem um objetivo e se espelhem nos melhores.”

Afeto

Para Irigaray, é preciso sempre estar pronto para aprender e reaprender o tempo todo nas organizações. “Não existe resposta fácil para nada. Em um mesmo país, há várias culturas diferentes, nunca é algo homogêneo. Se você mudar de empresa, mesmo que permaneça no mesmo cargo, vai ter que reaprender tudo de novo, porque a cultura será outra. A maioria das pessoas, infelizmente, tem dificuldade para entender as dimensões política e cultural das organizações”, disse.

O professor também destacou a importância do afeto nas organizações. “O engajamento é feito pelo afeto. É preciso considerar os sentimentos das outras pessoas, além de suas competências profissionais. Sem afeto, a engrenagem não funciona direito, as pessoas vão embora, não conseguem se sentir parte do processo e da estrutura.”

Empreendedorismo

No final do evento, Andiara Zambello, gerente do departamento acadêmico da IBE Conveniada FGV, questionou o CEO da Boali sobre as startups. Segundo ela, muitas pessoas estariam migrando para as startups por estarem frustradas com as estruturas tradicionais das empresas. Para Rodrigo, o empreendedorismo não é para todos. “Não é qualquer pessoa que tem que montar empresa. Trabalhar numa startup é uma bagunça para quem está acostumado com as empresas tradicionais. Tenho que saber quais são as minhas competências e o que eu gosto de fazer. Além de autoconhecimento, se você não encontrar um motivo maior para fazer um empreendimento, você não vai sair do lugar”, respondeu.

Sobre a IBE Conveniada FGV

A Fundação Getulio Vargas, fundada em 1944, é reconhecida como a melhor escola do Brasil para preparação de executivos. A IBE Conveniada FGV começou sua trajetória em 1996, e hoje é a mais completa rede de escolas de negócios FGV do interior paulista. Já formou mais de 35 mil executivos no Brasil e no exterior, e diferencia-se pelos programas Top da FGV, com unidades nas cidades de Americana, Campinas, Jundiaí e Piracicaba.

Conheça os cursos oferecidos pela IBE Conveniada FGV: http://www.ibe.edu.br/

 

 

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