Anderson Pellegrino

Economista da IBE Conveniada FGV diz que expectativa é que Copom acelere o ritmo de queda da Selic para aquecimento da economia

O Brasil apresentou deflação mensal pela primeira vez após 11 anos. De acordo com o professor de economia da IBE Conveniada FGV, Anderson Pellegrino, são diversos os fatores que levaram a esse resultado. “Nós não estamos completamente livres da crise e um dos reflexos é a persistente queda no consumo. O encolhimento do mercado e a deflação são sinais claros de que a recessão ainda não está dissipada”, afirma.

O Banco Central havia sinalizado para uma redução no ritmo de corte da taxa básica de juros, a Selic. “Diante do fenômeno de deflação aliado ao desaquecimento da economia, pode haver mudança nesse viés na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que será nos dias 25 e 26”, analisa Pellegrino.

O professor explica que a taxa de juros atual já não será usada, necessariamente, como ferramenta de combate à inflação. E apesar da economia revelar leves indícios de recuperação, ainda mostra sinais de uma recente recessão muito forte. “Seja porque a inflação está absolutamente sob controle e abaixo da meta esperada pelo BC ou porque a economia ainda não reage como os analistas, governo e população esperam, há uma grande possibilidade de o Copom rever o ritmo de queda da Selic e voltar a impor um compasso mais acelerado”.

O único ponto que torna incerto esse cenário é a instabilidade política do país. “As crises do poder executivo e as incertezas que vêm de Brasília podem tornar as decisões do Copom mais conservadoras. Nada está garantido, temos que aguardar o movimento da economia e política do Brasil até a próxima reunião”, avalia o economista.

Deflação

A inflação negativa em junho, de acordo com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), foi de -0,23%. A taxa também é a mais baixa desde o início do Plano Real e representa uma queda forte em relação a maio, quando ficou em 0,31%, e ao mesmo mês do ano passado, quando ficou em 0,35%. O acumulado em 12 meses está em 3%, abaixo da meta do governo, que é de 4,5% com dois pontos porcentuais de tolerância para cima ou para baixo.

“Por trás deste resultado temos a ampliação da oferta de certos alimentos em decorrência de uma safra recorde, que empurra os preços para baixo”, conta Anderson Pellegrino. Segundo ele, a mudança das regras nas bandeiras tarifárias de energia elétrica também contribuiu para baixar os preços das contas. Com a redução das tarifas, a habitação teve a maior virada nos dados influenciando os resultados da inflação.

O setor de transportes também teve sua parcela de contribuição, pela redução dos combustíveis autorizada pela Petrobrás. “Por fim, cabe lembrar que a deflação também é reflexo do período de crise que o país está passando há dois anos e meio que somente agora dá indícios de estar arrefecendo”, finaliza Anderson Pellegrino.

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