Bons líderes – Por Mario Leandro Campos Esequiel*

prof FGV leandro mattos

“Ser líder é ninguém notar sua presença , mas todos saberem que você estava lá!”

Os verdadeiros líderes estão preocupados em formar outros líderes que possam substituí-los. Até porque, isto gera uma pressão continua no próprio líder, não permitindo sua acomodação, pois para não ser suplantado deve manter -se sempre em desenvolvimento.

O exercício deste papel na sua plenitude é muito difícil, pois exige do líder muita segurança , elevada autoestima, alto grau de dedicação, compartilhamento de conhecimento e desapego à posição e vaidade.

Pobre aquele que possui conhecimento, mas não o divide . Em geral , observamos este comportamento em pessoas inseguras, egoístas. Porém , na atualidade, profissionais com esta filosofia cada vez mais acabam se afogando no próprio conhecimento , pois com a velocidade das novas descobertas, novos conceitos e também o fantástico acesso às diferentes e confiáveis fontes de dados e informação , não compartilhar conhecimento é isolar -se num mundo em profunda trans formação.

No passado, deter conhecimento poderia representar segurança, fazer com que se pudesse garantir o emprego e construir uma rede de seguidores . Hoje, não mais.

“Verdades absolutas” são desconstruídas , hoje em dia , num piscar de olhos! Portanto, ser generoso com os outros poderá fazer com que os outros o sejam com você quando o seu “saber” não estiver mais atual.

O líder deve então preparar seus profissionais a também serem líderes, orientando-os na busca de dados e informações, ensinando-os a trabalhar este rico material , e também dar autonomia e criar um ambiente onde eles possam assumir riscos , tomar decisões, dando a oportunidade para cometerem erros, calculados, sem prejuízo para a carreira.

Lembremos que errar faz parte do desenvolvimento e o verdadeiro líder tem que saber lidar com isto.

Um dos papéis do líder é permitir, incentivar a equipe a fazer diferente, modificar , aprimorar o conhecimento existente na organização.

Ao abrir caminho para o desenvolvimento e crescimento de seus liderados o líder está abrindo caminho para si próprio, pois se o líder opta por manter sua equipe presa por um cabresto, de modo a controlar sua marcha, ele não conseguirá assumir novos desa fios, novas responsabilidades , enfim crescer e se desenvolver também.

Tenha em mente que para que se possa crescer têm que se trans ferir responsabilidades, tarefas , atividades para outros, liberando espaço para que se possa assumir novas funções.

O bom líder deve compartilhar o ônus, os problemas, a responsabilidade. Em momentos de dificuldade deve-se, dentro do possível, passar tranquilidade ao grupo de liderados , todos devem sentir a presença e apoio do líder, afinal deve-se ter um sentimento de equipe: estamos todos juntos e juntos superaremos os desafios e as dificuldades, ao invés de imputar culpa e responsabilidades aos demais, procurando livrar-se delas , o famoso “lavar as mãos”! Como num navio o capitão (líder) deve ser o último a abandona-lo. Fique tranquilo, se você de fato exercer uma boa liderança os seus marujos (liderados) não o abandonarão , muito pelo contrario, eles não deixarão o navio afundar!

Na mesma proporção este bom líder deve compartilhar o bônus , o mérito, o prêmio, a conquista. O reconhecimento das vitórias com fruto do trabalho de todos é uma atitude importante para se exercer a verdadeira liderança. Não tenha medo de reconhecer publicamente a autoria daquela ideia maravilhosa , da solução fantástica que equacionou determinado problema, da ideia genial que trans formou o departamento / organização. Todos vão saber que isto só foi possível porque ali tinha um grande líder.

Para ser respeitado pela equipe é essencial respeita-los. Nas situações mais difíceis, em hipótese alguma , se deve faltar com o respeito, como: levantar a voz; ser agressivo; ser desrespeitoso em qualquer grau. Nestas horas, ao invés de atirar pedras, buscar culpados , deve-se dar apoio e buscar soluções para o problema.

Solucionado o problema deve-se entender o que ocorreu para que o mesmo não volte a acontecer. Aprender com as falhas, erros, e promover o
desenvolvimento e amadurecimento de todos.

O que se observa muitas vezes é que a pressão desmedida em nada contribui para o equacionamento do problema , muito pelo contrario, ela cria instabilidade na equipe , medo , quando não , pavor , estresse, dificultando ainda mais que se chegue a uma solução . Parece que o líder quer se isentar de responsabilidade perante os demais e trans fere toda a responsabilidade para os liderados, esquecendo que estes liderados só estão ali porque ele os contratou ou os manteve na equipe , portanto, em última instância (sem trocadilhos com este portal) ele é responsável, sim .

Atitudes como esta, denotam uma preocupação maior em culpar pessoas do que resolver o problema . Se o líder quer mesmo resolver a situação, deve contribuir para isto, respeitando os liderados, motivando-os, apoiando-os e contribuindo para a solução e não o contrario.

O maior desejo e prazer de um líder deve ser ver seus discípulos supera-lo! Mario Leandro Campos Esequiel é gestor do escritório Mattos
Filho. Economista , MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela FGV e professor convidado do GVLaw da FGV. É membro fundador do Grupo de Excelência de Administração Legal do CRA SP (Conselho Regional de Administração de São Paulo) e do CEAE (Centro de Estudos de Administração de Escritórios de Advocacia) , e coautor do livro Administração Legal para Advogados da série GVLaw.

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