“Big Brother Brasil”: Fizemos As Contas Para Transformar R$ 1,5 Milhão Em Um Patrimônio Bilionário

“O BBB foi meu investimento de risco”, diz Thelma Assis, mais conhecida como Thelminha, vencedora do “Big Brother Brasil” em 2020. Formada em medicina e atuando como anestesista em quatro hospitais diferentes, a atual milionária tinha uma rotina corrida e uma situação financeira conturbada antes do reality show. “Eu estava endividada. Fiz um empréstimo para ficar três meses sem trabalhar dentro do programa”, relembra. “Tive que pedir demissão de quatro empregos e desistir de um concurso público. Poderia ter dado tudo errado, mas eu arrisquei.” Logo que saiu do confinamento, com um cheque de R$ 1,5 milhão nas mãos, quitou as dívidas e mergulhou em um novo questionamento: o que fazer para conservar – e multiplicar – o restante do dinheiro?

A Forbes conversou com a Rico Investimentos para entender quais são os possíveis cenários para que o próximo ganhador do BBB – Camilla, Fiuk ou Juliette – possa transformar o prêmio de R$ 1,5 milhão em R$ 1 bilhão. O que dizem os resultados da analista Paula Zogbi: é possível, sim, alcançar o primeiro bilhão em menos de 50 anos, basta montar uma carteira de investimentos sob medida.

“Para essa estimativa, considerei um perfil bem agressivo, uma carteira diversificada com retorno de 10% ao ano em um cenário-base para os próximos cinco anos ou 14% em um futuro otimista”, explica Paula. A Rico projetou exposições fortes em ativos mais voláteis, sendo 65% em ações de empresas listadas na Bolsa brasileira, 25% em ETFs, 5% em renda fixa indexada ao IPCA e 5% em fundos multimercados. “É uma simulação com perfil que aceita melhor os riscos justamente porque o prazo é longo. Quando a pessoa não precisa resgatar cedo, tudo bem tomar um pouco mais de imprevisibilidade.”

A analista, no entanto, ressalta a importância de enxergar a simulação para o vencedor do “BBB” como uma mera suposição, já que carteiras reais estão sujeitas a impactos das mudanças político-econômicas que ocorrem ao longo dos anos, diferente do que acontece em uma carteira fictícia. “ É importante perceber que é difícil, mas  possível,  ter uma carteira que renda 10% ao ano ao longo de todo esse tempo – ou, principalmente, 14% ao ano”, explica.

Com todas as cartas na mesa, confira abaixo a simulação da Rico para transformar R$ 1,5 milhão em R$ 1 bilhão:

Cenário-base

  • Com uma carteira agressiva, rendendo 10% e sem aportes mensais, um investimento de R$ 1,5 milhão hoje, se transformaria em R$ 1 bilhão em 69 anos;
  • Já uma carteira agressiva, rendendo 10% e com aportes mensais de R$ 3 mil, chegaria ao bilhão em 65,9 anos (ou 65 anos e 11 meses, mais ou menos);
  • Por fim, a mesma carteira agressiva, com o mesmo investimento inicial e um aporte de R$ 4 mil por mês, alcança a marca do bilhão em 65,25 anos (ou 65 anos e 3 meses).

Cenário otimista

  • Com uma carteira agressiva, rendendo 14% e sem aportes mensais, um investimento de R$ 1,5 milhão hoje, se transformaria em R$ 1 bilhão em 49,7 anos (ou 49 anos e 8 meses, aproximadamente).
  • Já uma carteira agressiva, rendendo 14% e com aportes mensais de R$ 3 mil, chegaria ao bilhão em 48,4 anos (48 anos e 5 meses);
  • Por fim, a mesma carteira agressiva, com o mesmo investimento inicial e  aportes de R$ 4 mil por mês, alcançaria o bilhão em 48 anos.

O poder do investimento

Thelma não tem planos de se tornar bilionária, mas sua primeira decisão fora da “casa mais vigiada do Brasil” foi investir seu prêmio. “Eu não investia antes porque tinha a falsa impressão de que, para isso, precisava de um dinheiro sobrando no orçamento no final do mês. Nunca sobrava, então eu nunca investia”, conta com humor. Quando saiu do programa, buscou ajuda e começou a entender quais eram suas metas e as melhores escolhas para alcançá-las.

“Conversando com meu assessor financeiro, aprendi que, investindo a longo prazo com um perfil moderado-agressivo, o lucro é maior”, destaca. “Meu maior sonho é ter uma casa própria e estabilidade financeira para poder desacelerar quando tiver filhos. Pensando nisso, como meus objetivos são futuros, investi em um perfil mais agressivo”. Mesmo assim, a médica destaca que sua carteira é diversificada, com aplicações em renda fixa e em renda variável. “Após ganhar o programa, eu entendi que todos nós precisamos preparar um valor do orçamento para tentar cultivar uma reserva de emergência. Infelizmente, imprevistos acontecem, como estamos vendo agora com a pandemia.”

Para Thelma, essa percepção demorou para fazer parte de sua vida. “Aprendemos a gastar mais do que ganhamos”, afirma. Suas dívidas pré-’BBB”, por exemplo, eram todas relacionadas ao mau uso do cheque especial e dos cartões de crédito. “Quando fui quitar, com os juros que acumularam, paguei três vezes o valor inicial do empréstimo”. Em sua visão, a educação financeira é a chave para escapar dessas armadilhas. “Eu já vivi com R$ 300 por mês, sei o quanto é difícil, mas precisamos saber o que fazer para nos mantermos financeiramente seguros”, destaca.

A analista da Rico explica que um dos primeiros passos para um investidor iniciante é saber fazer uma reserva de emergência. É preciso pensar em quanto se gasta por mês para manter o padrão de vida e “colocar de seis a 12 meses desse valor em uma reserva”, destaca. “É difícil se manter em outras áreas da vida se você não for financeiramente independente. Sempre indicamos que a pessoa invista, mesmo que seja pouco”. Paula justifica que o prêmio do BBB, sem educação financeira, pode chegar ao fim mais rápido do que o esperado. No entanto, ressalta que não é preciso ser vencedor de reality para ter uma carteira diversificada e lucrativa.

“Dentro do BBB, eu não tinha noção da dimensão que o programa havia tomado e das oportunidades que teria aqui fora. Investi o dinheiro todo, então é a publicidade que representa minha renda atual”, comentou a médica. “Antigamente, você não via esse vínculo tão forte entre marcas e participantes de reality”, ressalta Thelma, afirmando já ter trabalhado com cerca de 95% das marcas que patrocinam o programa atualmente.

A participante Juliette Freire é um dos fenômenos das redes sociais criados pelo programa, somando 23  milhões de seguidores apenas no Instagram . Segundo o levantamento da Brunch, a pedido da revista Exame, caso a advogada cobre até R$ 85 mil por postagem patrocinada e utilize apenas 20% do seu feed,  conseguirá arrecadar R$ 1,7 milhão por mês apenas com publicidade, o equivalente a um prêmio do BBB por mês através do  uso de sua imagem.

Na simulação da Rico, possíveis faturamentos externos do ganhador não foram levados em conta, mas o trabalho fora do reality pode facilitar a caminhada do vencedor até o primeiro bilhão. “A partir do momento que fiquei milionária, valorizei ainda mais o dinheiro e comecei a trabalhar para que ele não acabe. A máquina não pode parar de girar, com ou sem milhão”, diz Thelma.

 

Fonte: Forbes

Your compare list

Compare
REMOVER TODOS
COMPARE
0