Aprender a conviver
Rosa Perrela
Após selecionar quatro características essenciais aos líderes, destaco a segunda delas.
Líderes são pessoas que acreditam, genuína e autenticamente, não ingenuamente, que as pessoas podem crescer, se desenvolver e contribuir, se estiverem sendo lideradas como pessoas potencialmente interessadas e contributivas.
Tenho expectativas de que esses comentários contribuam para que os líderes reflitam sobre como andam conduzindo seus diversos relacionamentos, tanto na vida pessoal e profissional.
Em todas as situações nas nossas vidas, passamos por momentos favoráveis e desfavoráveis. É natural e inevitável. No trabalho, no casamento, nas relações com nossos filhos, amigos, parentes, sócios e parceiros existem momentos extremamente gratificantes. Mas também acontecem situações de conflito que não nos agradam e até nos irritam profundamente.
Não somos, também, absolutamente iguais, constantes, uniformes e estáveis, durante todos os dias do ano. Em certas ocasiões, todos nós temos o direito de ficar aborrecidos, desmotivados, pensativos e sem grande disposição para agir. Admitir, compreender e aceitar, que todas as pessoas podem sentir-se menos felizes e satisfeitas em certos instantes da vida, é uma questão que nem sempre é lembrada no exercício da liderança. Sentir-se triste, inseguro, desmotivado ou mesmo raivoso, não são direitos exclusivos dos “chefes”, mas de todos nós.
A anormalidade reside na intensidade da freqüência com que essas situações acontecem. É o conhecido comportamento ciclotímico (psicose maníaco-depressiva), que se caracteriza por variações abruptas, da alegria à depressão, e que precisam ser vistas pela liderança como um caso para acompanhamento médico.
Buscar e manter a serenidade para compreender que tudo isso é inerente às relações interpessoais, é extremamente sadio e construtivo.
Tenho comprovado ainda, que quando as divergências de opiniões ou de sentimentos entre as partes deixam de existir, pode ser um sinal evidente de que as relações estão às vésperas de uma separação, de um desenlace. O fato é que abandonamos nossas relações profissionais e pessoais, quando não investimos tempo e atenção para buscar aperfeiçoá-la.
As desistências em manter produtivos e reciprocamente gratificantes os nossos relacionamentos não acontece apenas pela separação física, mas principalmente pela separação no plano psicológico.
Existem muitos líderes que simplesmente “ignoram”, por razões de divergências, a contribuição e a presença de seus colaboradores, criando um clima de trabalho hostil, desconfortável e profundamente antagônico. O mesmo pode acontecer nos demais relacionamentos em nossas vidas. Embora os protagonistas estejam fisicamente presentes, a “ausência” é absolutamente sentida e percebida. É a conhecida situação onde as “pessoas estão presentes, mas de espírito ausente”.
Não é à toa, também, que existe uma verdade popular com relação aos relacionamentos fracassados que afirma: “a pior solidão é a dois”. Já imaginaram como deve ser desconfortável “uma solidão vivida no trabalho, com a presença de um número maior de pessoas?”.
Os verdadeiros líderes conseguem enxergar que nem todas as coisas boas andam sempre juntas, em todas as situações das nossas vidas e procuram enfrentá-las construtivamente, ao invés de ignorar ou apenas aguardar que o tempo resolva.
Pode vir a ser tarde demais. Na vida não existe replay. É uma só, até que se prove o contrário.
Rosa Perrella é consultora em gestão de pessoas, coaching e mentoring organizacional, palestrante e professora nos cursos de Pós Graduação e de Capacitação Gerencial na IBE FGV Campinas. Especialista em gestão de lideranças e desenvolvimento de equipes.  Mestranda em Educação, formada em Administração, com  MBA em Desenvolvimento Humano de Gestores pela IBE Conveniada FGV Campinas, além de Pós-graduação em Gestão Estratégica de Negócios, Psicologia Transpessoal, Marketing Empresarial, Gestão de Pessoas e Negociação Avançada.
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