Após 6 Anos, A Selic Deve Subir Pela 1ª Vez Nesta Semana - Saiba Quais São As Apostas De Alta

Há seis anos, o Copom (Comitê de Política Monetária) só mantém ou reduz os juros. Isso deve mudar na quarta-feira (dia 17 de março), quando pela primeira vez desde julho de 2015 o Banco Central deve elevar a taxa básica da economia, a Selic, atualmente em 2% ao ano.

Essa, pelo menos, é a aposta da maior parte do mercado, que espera desde uma elevação mais modesta, para 2,25%, até um aperto maior nos juros, a 2,75% ao ano.

A maior parte das projeções, entretanto, se concentra em 0,50 ponto percentual de alta. Uma pesquisa realizada pelo serviço de notícias em tempo real Broadcast com 54 instituições mostra que 48 delas esperam alta para 2,50% ao ano, três acreditam em 0,25, uma vê avanço de 0,75 e duas acreditam em estabilidade dos juros.

Analistas destacam que a taxa de juros real do Brasil (ou seja, quando se desconta a inflação projetada até dezembro) já está negativa em mais de 3%. “A taxa de juros no Brasil realmente está fora do padrão da realidade. O país hoje tem uma taxa de juros real mais negativa do que a da Suíça, que está em torno de 0,25%”, aponta Bruno Musa, sócio da Acqua Investimentos, que acredita em alta de 0,5 ponto.

Inflação e câmbio pressionam Selic

O aumento é considerado quase inevitável principalmente pelo fato de as expectativas para a inflação, pela primeira vez em quatro anos, estarem acima do centro da meta para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), de 3,75%. Segundo o boletim Focus, pesquisa do BC com analistas realizada semanalmente, o mercado acredita que a variação de preços alcançará 3,98% até dezembro.

Além disso, a avaliação é que a alta do dólar, que já ultrapassa 7% somente neste ano, continue contaminando a economia, pressionando ainda mais os preços. O exemplo mais famoso desse processo é a alta dos combustíveis, um dos principais fatores que fez o IPCA de fevereiro ser o maior para o mês desde 2016.

Desconfiança com o cenário fiscal

A desconfiança do mercado com a capacidade do governo de conter o aumento dos gastos também tem papel importante nesse processo –a popularidade do presidente Jair Bolsonaro vem piorando, ao mesmo tempo em que, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), o ex-presidente Lula se tornou elegível novamente.

Esse cenário aumenta a probabilidade de Bolsonaro tomar medidas que envolvem aumento de despesas na tentativa de agradar à população, em especial de baixa renda.

Isso pressiona a curva de juros, que dá a medida do quanto investidores pedem para financiar títulos de longo prazo de um país.

Atualmente, a Selic está em 2% ao ano, que é a segunda menor taxa entre as nações emergentes comparáveis com o Brasil. Mas os investidores dos nossos títulos já pedem mais de 8% para os títulos de 10 anos, o que faz com que a precificação do risco da nossa dívida no longo prazo só perca para a da África do Sul, como mostra levantamento do economista-chefe da Infinity Asset Management, Jason Vieira.

“Nas últimas semanas vimos a curva empinando, e o BC precisa efetivamente reagir. Mesmo porque os ruídos políticos pressionaram o dólar, o que pode retroalimentar a inflação através do IGP [Índice Geral de Preços, que mede a inflação do atacado]”, aponta Alexandre Espírito Santo, economista chefe da Órama e professor de economia do Ibmec-RJ. “Dessa forma, uma atuação que leve a Selic para 4% até o final do ano faz sentido”.

Selic acima de 5% no final do ano

Até o final do ano, a maior parte dos analistas ouvidos no boletim Focus acredita que a Selic estará acima de 5% ao ano.

É o caso do Itaú Unibanco, que aposta que esse novo ciclo de aperto monetário alcançará 5,5% em dezembro. Segundo o banco, o aumento esperado na taxa embute riscos fiscais e também externos, como a alta nos juros futuros dos Estados Unidos –quando a taxa nos EUA sobe, a atratividade dos papeis brasileiros se reduz.

“Sem maiores altas nos juros, o real experimentaria uma depreciação ainda maior, contribuindo para dinâmicas de preço que seriam inconsistentes com atingir o centro da meta de inflação no horizonte de política monetária relevante”, afirmou a equipe de macroeconômica do banco em relatório.

A alta nos juros de longo prazo dos EUA, que vem sendo estimada pelas perspectivas de mais inflação por causa dos estímulos à economia americana, também é citada por Betina Roxo, estrategista-chefe da Rico Investimentos, como um dos fatores que colocam pressão de alta na Selic.

“No cenário externo, o processo de alta de juros dos títulos de longo prazo das economias desenvolvidas continua, em especial nos Estados Unidos. É difícil dizer se é um processo de normalização frente aos níveis excepcionalmente baixos da pandemia, ou se reflete o risco de um processo inflacionário mais persistente. De toda forma, parece seguro dizer que os ventos externos não soprarão tão favoravelmente como vimos até agora”, afirma.

 

Fonte: 6 minutos

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