A locomotiva do crescimento

A RMC (Região Metropolitana de Campinas), região responsável por 3% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional e 18% do estadual, possui uma grande responsabilidade em auxiliar o país em crescimento e desenvolvimento. Aqui estão muitas das grandes empresas nacionais e multinacionais, além das melhores instituições de ensino e centros de pesquisa. Temos um polo tecnológico, produção de conteúdo, recursos e possibilidades de sobra para sermos a locomotiva do desenvolvimento econômico, mas é no ponto de vista da logística que se encontra uma das grandes preocupações e desafios dos próximos anos.

Estamos na melhor região do Brasil no quesito bem estar urbano, com nove das 100 melhores cidades do país. O potencial é evidente e o nicho de desenvolvimento de cada cidade possui características distintas, mas que se completam. A economia pulverizada é um dos trunfos e, ao mesmo tempo, um dos desafios das cidades, que abrigam as maiores empresas do país em indústrias automobilísticas, farmacêuticas, alimentícias, químicas, têxtil, dentre outras, sendo que, em muitas delas, a região domina a produção do setor.

Quando falamos de números, temos uma verdadeira enxurrada de bons resultados. Somente os anos de 2000 e 2009, segundo estudo realizado pela Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas), foram abertos mais de 49 mil estabelecimentos na RMC, o que movimentou mais de R$ 35 bilhões, sendo R$ 24 bi pelo setor industrial, R$ 3,5 bi do comercial e R$ 7,5 bi do setor de serviços. De acordo com o levantamento, o crescimento do número de estabelecimentos na RMC, desde a sua criação em 2000, até 2009, foi de 53,89%, o que representa uma taxa anual de expansão 4,91% ao ano.

Todo esse desenvolvimento e prosperidade precisam, obrigatoriamente, de um bom sistema de escoamento e distribuição. Temos bons produtos, tecnologia e pesquisas, mas também precisamos de um grande esforço dos líderes, tanto do setor público quanto privado, no planejamento de mecanismos e alternativas para transportar todo esse crescimento. Mais que isso, necessitamos de instituições que formem profissionais de qualidade para assumirem os desafios dos processos de criação e viabilização de projetos nesta área. Engenheiros, gestores e profissionais de logística que sejam capazes de identificar os gargalos da atualidade e as necessidades do futuro sem perder de vista o bem estar dos maiores beneficiados com um bom sistema de logística: as pessoas. E a esse aspecto soma-se outro indissociável: a sustentabilidade, observada sobre 4 eixos articuladores: econômico, social, ambiental e cultural.

Assim como em todo país, a região precisa, cada vez mais, de líderes com formação e informação diferenciadas para enfrentar os desafios deste e de todos os outros setores nos próximos anos, o que inclui, também, o desenvolvimento sustentável e a realização de grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Temos condições de fazer isso. A melhor formadora de CEOs do Brasil, segundo estudo divulgado pela revista britância Times Higher Education (THE), também está presente na RMC: a Fundação Getulio Vargas (IBE Conveniada FGV). Nesse sentido, o intercâmbio e a troca de experiências entre instituições de ensino e organizações dos setores público e privado são essenciais para o desenvolvimento e crescimento das cidades. É vital que haja um planejamento integrado entre todas as áreas, principalmente no que diz respeito à educação e à formação de líderes para a administração e maximização de todas as riquezas. Assim, todos os potenciais poderão ser explorados ao máximo e a região continuará sendo o modelo de desenvolvimento, inovação, qualidade de vida e liderança.

HELIOMAR QUARESMA – Presidente da IBE Conveniada FGV

Formado em Ciências Contábeis e Química pela UFMG, com pós-graduação em business schools dos EUA e Europa. Foi professor em cursos de especialização da UFMG, da FGV e da UNA. Dirige há mais de 20 anos um grupo de instituições articuladas pela filosofia de sustentabilidade e da intersetorialidade, isto é, a articulação complementar entre governo, empresas e organizações sociais.  É presidente da IBE Conveniada FGV (Institute Business Education – Fundação Getulio Vargas), conselheiro pedagógico do Instituto de Governança Social (IGS) e ex-presidente, e conselheiro da Federação Mineira de Fundações e Associações de Direito Privado (Fundamig).

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