Dívidas

Ninguém gosta de ficar inadimplente, mas, devido à forte crise econômica pela qual passamos, os brasileiros têm enfrentado mais dificuldades para controlar as finanças. Com a lenta recuperação econômica do País, 63,6 milhões de brasileiros terminaram o primeiro semestre do ano com o CPF restrito em virtude de atrasos no pagamento de contas. Isso representa 42% da população adulta do Brasil.

O levantamento, realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), revelou que o número de consumidores com contas em atraso acelerou em junho e cresceu 4,07% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa é a nona alta consecutiva na série histórica do indicador. A pesquisa foi feita através dos bancos de dados que o SPC Brasil e o CNDL têm acesso nas 27 unidades da federação.

Para fugir dessa situação, a dica do especialista em finanças Bruno Soares é nunca esperar a situação sair do controle para agir. “Se você percebeu que as contas não estão como deveriam, pare, analise seu orçamento e, se for o caso, procure um especialista na área de finanças para poder te ajudar. Prevenir ainda é o melhor remédio.”

Raio-x das dívidas em todo o Brasil

Em uma comparação mensal, de maio para junho deste ano, houve um crescimento de 0,61% no volume de consumidores inadimplentes – a maior variação desde março de 2018. O Sudeste foi a região com maior crescimento de débitos, representando 9,88% em volume de atrasos. Em segundo lugar ficou a região Nordeste, com alta de 4,81% na quantidade de devedores. A inadimplência também cresceu nas regiões Centro-Oeste (2,82%), Sul (2,13%) e Norte (2,02%).

Entretanto, por mais que a região Norte tenha concentrado o menor crescimento de inadimplência em junho, ela é a que, de forma proporcional, tem o maior número de brasileiros inadimplentes: 5,79 milhões de consumidores que, juntos, representam 48% da população adulta. Em segundo lugar está o Nordeste, que conta com 17,61 milhões (42%) de negativados. Em seguida está o Sudeste (27,11 milhões ou 41% de sua população adulta) e o Sul (8,19 milhões de inadimplentes, que representam 36% de seus habitantes adultos).

“Geralmente, o perfil de gastos e inadimplência muda de acordo com a classe social (A, B ou C), então é preciso considerar estas peculiaridades. De qualquer forma, é importante cultivar o hábito de poupar ao menos 10% dos ganhos regularmente, priorizar o consumo à vista, pedir descontos e ter reservas para imprevistos”, comenta João Marcos Borges, professor de economia da IBE Conveniada FGV.

Quanto à faixa etária, o indicador revela que houve queda da inadimplência entre a população mais jovem, enquanto o número de atrasos aumentou entre os brasileiros de idade mais elevada. Entre os que têm 18 e 24 anos, a queda foi de 23,31%. Já na faixa entre 25 e 29 anos, o recuo foi de 5,28%. Entre a população mais velha, de 65 e 84 anos, a alta foi de 10,76%. Em seguida aparecem os consumidores de 50 a 64 anos (7,71%), de 40 a 49 anos (5,58%) e de 30 a 39 anos (2,04%).

Para explicar essa conclusão, Borges diz que é preciso analisar a representatividade dos jovens na população brasileira. A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) traz dados que relacionam idades de chefes de família e perfil das despesas mensais, estratificado por faixas etárias.

“Se analisarmos em conjunto os resultados da pesquisa do SPC e os resultados do IBGE, perceberemos que os mais jovens (16/18 a 24 anos) têm baixa representatividade entre os chefes de família, no geral, cerca de 5%. Isso quer dizer que os gastos com alimentação, moradia e transporte, que representam mais de 60% no orçamento das famílias chefiadas pelos mais velhos, pesam pouco no orçamento dos mais jovens. Os mais velhos, por serem chefes de família, têm menos flexibilidade para reduzir os gastos básicos e são mais suscetíveis ao endividamento”, pontua Borges.

Aumenta o índice de endividamento com bancos e instituições financeiras

A pesquisa revelou ainda que 51% das pendências de pessoas físicas em aberto no País são com bancos e instituições financeiras. Em seguida, encontra-se o comércio (18%) e o setor de comunicação (14%). Os débitos com as empresas concessionárias de serviços básicos, como água e luz, representam 8% das dívidas não pagas no Brasil. Em média, cada inadimplente possui duas dívidas em aberto.

Já dívidas em cartão de crédito, cheque especial, financiamentos e empréstimos representaram a maior alta em junho, com crescimento de 7,62% na comparação com o mesmo mês de 2017. Já compras feitas no boleto ou crediário no comércio apresentaram queda na quantidade de atrasos. Nesse caso, o recuo foi de 9,24% em junho.

“Em relação às instituições financeiras, ao decidir buscar crédito, o primeiro passo é fazer as contas e identificar de onde virão os recursos para pagar as parcelas. Se você não possui renda para isso ou se o volume de parcelas somado aos demais gastos for maior do que os seus rendimentos, é preciso cautela e, se possível, não tomar o crédito”, pondera Borges.

Posteriormente, busque alternativas de taxas de juros e evite ao máximo consumir o cheque especial ou o cartão de crédito. Hoje, existem instituições que oferecem crédito direto ao consumidor a taxas muito inferiores às instituições tradicionais. Para isso, é preciso pesquisar.

“Esteja sempre com seu orçamento doméstico revisado. Assim, você não perderá o controle de suas dívidas e conseguirá saber a hora certa de comprar ou não. Não faça dívidas muito longas e nunca gaste mais do que você ganha. Muitas pessoas não observam esses pequenos detalhes e acabam caindo numa teia de dívidas”, conclui Soares.

Fonte: Finanças Femininas

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