Palavras

5 palavras e frases que podem transformar a sua vida profissional – Escrever este artigo tem sido fora do comum desde o começo.

Geralmente, quando peço a opinião de especialistas, recebo respostas entusiasmadas. Mas não foi o caso quando enviei um e-mail ao professor Bernard Roth, diretor acadêmico e co-fundador da d.school da Universidade de Stanford. Ele disse que não ia me “ajudar” a escrever um artigo sobre alguns dos hábitos que ele refinou para atingir objetivos. Ele ensinou esses hábitos durante décadas e juntou-os recentemente em um livro chamado The Achievement Habit (‘o hábito das conquistas’).

Porém, Roth não estava sendo mal-educado ou difícil. Ele estava ilustrando um dos princípios dos quais ele fala em seu livro: como trocas simples de palavras e frases que dizemos ao longo do dia pode reprogramar a nossa maneira de pensar e visualizar os obstáculos no caminho para o sucesso pessoal.

“Posso dar apoio (MAS NÃO AJUDA) de todas as formas à minha disposição”, Roth escreveu para mim.

Roth pode parecer uma pessoa incomum para escrever um livro sobre crescimento pessoal e a forma como as escolhas linguísticas o afetam. Ele não é psicólogo nem linguista: tem formação em engenharia mecânica e design. Mas depois de participar de um retiro do Esalen Institute com colegas de faculdade em Stanford em meados da década de 1960, Roth ficou fascinado pelas formas de terapia de movimento potencial humano. Logo ele aplicou os princípios da engenharia e design para criar o conteúdo e formatos da terapia que funcionam melhor em sala de aula e em situações de treinamento profissional.

“Ao longo dos anos, fui modificando os exercícios e criando novas versões com base no que funcionava melhor com meus estudantes e os participantes das oficinas”, diz Roth. “O livro apresenta o material que sobreviveu a passagem do tempo durante várias gerações.”

Uma das suas dicas mais proeminentes é a troca de palavras. “Infelizmente, a fala quotidiana é repleta de linguagem desmotivadora”, diz Roth. “Ainda mais perigoso é deixar que as razões nos façam perpetuar o comportamento disfuncional. O uso de razões para mascarar pretextos faz com que as mudanças positivas no comportamento sejam pouco prováveis.”

A notícia boa, de acordo com Roth, é que trocando palavras e frases simples por outras podemos produzir mudanças positivas no comportamento rapidamente e de forma permanente. “As pessoas sentem os benefícios imediatamente”, diz Roth. “Fazemos um exercício na aula e quase todo mundo percebe como seus padrões de fala são defeituosos. Depois disso, eles têm que usar o que aprenderam durante uma semana fora da sala de aula. Quase todos voltam com histórias maravilhosas de como a vida deles melhorou.”

Aqui estão as cinco palavras e frases que Roth recomenda trocar para superar os obstáculos mentais que nosso vocabulário quotidiano coloca.

Em vez de “mas”, diga “e”

“Mas” é talvez a palavra do nosso vocabulário que mais nos limita, diz Roth no seu livro. “Muitas vezes, usamos ‘mas’ no lugar de ‘e'”, ele escreve. “Esta substituição é tão comum que soa correto. Infelizmente, costuma ter o efeito de transformar uma afirmação neutra em uma negativa.”

Roth dá como exemplo alguém que tem medo de voar e conseguiu um estágio muito bom do outro lado do país. Na hora de decidir se vai aceitar o estágio, essa pessoa vai analisar a situação dizendo: “Eu quero esse estágio, mas tenho medo de voar”.

Roth diz que essa colocação de palavras não reflete a realidade da situação. A pessoa tanto quer o estágio quanto tem medo de voar. Os dois fatos não estão ligados. No entanto, formulando a situação de uma maneira que liga os dois fatos com um “mas”, a pessoa está se enganando a acreditar que essa oportunidade incrível é, de fato, uma situação negativa. O conflito resultante bloqueia qualquer avanço. Porém, isso é fácil de mudar: simplesmente troque “mas” por “e”.

“O uso de ‘mas’ fecha o espaço para diálogo, enquanto ‘e’ o abre”, escreve Roth. “Quando você abre o diálogo com ‘e tenho medo de voar’, o cérebro consegue considerar como lidar com as duas partes da sentença. Talvez você consulte um terapeuta sobre isso. Talvez você pratique meditação.” De qualquer forma, você certamente encontrará uma maneira de aceitar o estágio.

Em vez de “tenho que”, diga “quero”

Na lista de Roth, a próxima frase cujo uso deve ser limitado ao mínimo possível é “tem/tenho que”. Como “mas”, é uma frase que cria conflito na nossa mente. “Tem/tenho que” também nos faz crer que uma situação foi forçada em nós, em vez de ter sido conscientemente escolhida por nós. Isso quase sempre é falso.

“O que fazemos na vida — mesmo as coisas que achamos desagradáveis — na verdade foram escolhidas por nós.”

A necessidade de completar trabalho é uma das situações mais comuns em que dizemos que “temos que” fazer algo. Como exemplo, Roth escreve sobre um estudante de engenharia que gostaria de não ter que cursar uma matéria de matemática para obter o diploma. Ao dizer a si mesmo que ele “tem que cursar”, ele define a situação como um fardo na mente dele. É verdade que ele pode não gostar dessa matéria em particular, mas Roth diz que trocando o “tem/tenho que” por “quero”, a mente dele ficará mais disposta a esquecer o ódio pela matéria, fazendo com que ela pareça menos um fardo e mais algo para ficar empolgado, já que leva o estudante mais perto de ser o que ele quer ser: um engenheiro.

“Este exercício é muito eficiente para fazer as pessoas perceber que o que eles querem fazer na vida — até mesmo as coisas que eles acham desagradáveis — foi escolhido por eles”, escreve Roth.

Em vez de “não sei”, diga “não quero”

Outra frase proibida para Roth é “não sei”. De acordo com ele, quando dizemos que “não sabemos” fazer algo, quase nunca é verdade. Um exemplo disso seria alguém que “não sabe nadar”. Formulando a habilidade — ou falta dela — de nadar com um “não sei” reforça a ideia de que não é possível para essa pessoa.

“‘Não sei’ implica impotência; ‘não quero’ significa vontade e escolha.”

Obviamente, a ideia de “não saber nadar” é falsa: todo ser humano pode aprender a nadar. Trocando “não sei” por “não quero”, a pessoa percebe que a incapacidade de nadar neste momento é uma escolha dela, e não uma impossibilidade física.

“A troca simples de ‘não sei’ por ‘não quero’ muitas vezes é fortalecedora”, escreve Roth. “‘Não sei’ implica impotência; ‘não quero’ significa vontade e escolha.”

Em vez de “tenho medo de”, diga “gostaria de”

Outra frase autolimitadora é “tenho medo de”. “Tenho medo de” é talvez a frase mais bloqueadora que existe. Enfatiza o medo da pessoa em vez da vontade. Dizendo a si mesmo “Tenho medo de pedir um aumento”, você programa sua mente a considerar as consequências negativas. Meu chefe vai me achar ganancioso? Se ele não me der o aumento, significa que a minha percepção de mim como empregado não corresponde àquela do meu chefe?

Porém, quando você formula a sua vontade como “Gostaria de pedir um aumento”, você estará enfatizando a sua vontade, e a vontade geralmente se associa a pensamentos positivos e agradáveis. Neste caso, é o que você poderia fazer com a renda extra: tirar férias ou fazer aquela renovação na cozinha que você quer já há um tempo. Os pensamentos agradáveis e a possibilidade de resultados agradáveis geralmente nos inspiram a agir, e sem agir não atingimos os objetivos.

Em vez de “ajuda”, diga “apoio”

Quando Roth me enviou um e-mail dizendo que não me ajudaria com este artigo, mas poderia oferecer “apoio”, ele estava tentando fornecer as ferramentas necessárias. A palavra “ajuda” muitas vezes se associa a “incapacidade” nas nossas mentes. Incapacidade implica que a pessoa é incapaz de realizar uma tarefa sem que alguém intervenha e a realize por ela.

No caso de escrever este artigo, Roth tinha razão em oferecer apoio. Ele percebeu algo que eu não percebi: eu conseguia escrever o artigo sem o envolvimento dele. Faz sentido, já que eu tinha acesso ao livro e técnicas dele e poderia ter resumido as técnicas no artigo sem a contribuição dele. E mesmo com o envolvimento dele, o artigo não poderia ter sido escrito e entregue ao editor sem mim; eu continuava sendo uma parte necessária na equação.

O ponto principal é que quando usamos a palavra “ajuda”, nos condicionamos a pensar que somos incapazes. No entanto, quando trocamos “ajuda” por “apoio”, nos condicionamos a ver que somos uma parte capaz e importante da solução.

Este artigo foi escrito por Michael Grothaus do Co. Labs e foi legalmente licenciado pela rede de editoras NewsCred.

Fonte: Content Loop

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