Os desafios das empresas familiares

Vistas tradicionalmente como conservadoras, as empresas familiares brasileiras reconhecem a importância da inovação para manter o ritmo de crescimento nos mercados em que atuam. Dois motivos principais levam a isso: o apelo decorrente do acelerado ritmo de transformações e a chegada de gerações mais identificadas com novos modelos, métodos e tecnologias.
Tanto isso é verdade que a pesquisa “Empresa Familiar: O desafio da Governança” recém-lançada pela PwC, aponta que os maiores desafios para o crescimento observados pelos líderes de negócios familiares – tanto do Brasil quanto dos demais países ouvidos – são a necessidade de constante inovação e o contexto econômico.
Conforme o estudo, que ouviu mais de 120 empresas brasileiras, a maioria (46%) com faturamento acima de US$ 10o milhões e na segunda geração de administradores (49%), as empresas devem, além de acelerar suas práticas em inovação, melhorar a capacidade de adaptação às nuances do mercado e investir na profissionalização.
O Brasil tem algumas vantagens e diferenciais na comparação com o resto do mundo, como o comprometimento com a criação e manutenção de postos de trabalho e o reconhecimento da importância dos negócios familiares para o desenvolvimento do País. O que falta é ter um plano de longo prazo, seja o planejamento da sucessão dentro da família, seja preparar a companhia para uma eventual venda ou abertura de capital. Esse tipo de prática faz com que a empresa esteja preparada para o futuro, seja ele qual for.
De acordo com o mesmo levantamento, apenas 11% dos entrevistados têm um plano de sucessão bem estruturado e documentado. Isso indica que, na realidade, muitas empresas ainda não estão preparadas para situações que podem prejudicar a longevidade dos negócios.
Para que a empresa perdure por muitas gerações, é importante que os membros da família participem do plano de desenvolvimento do negócio como um todo.  As futuras gerações de gestores e líderes devem ser contempladas com um plano de carreira desde cedo, para que se sintam parte importante da empresa, não só da família. Assim, a chance de o herdeiro se interessar pelo negócio e, posteriormente, querer assumir a gestão é muito maior. Conhecer o ‘chão da fábrica’ é importante, mas não suficiente.
A inserção no mercado internacional ainda é pequena. Pouco mais de um terço delas (38%), conforme a pesquisa, faz negócios no exterior e apenas 6% da receita total das empresas familiares brasileiras é obtida com a exportação de produtos ou serviços. A previsão é atingir 10% nos próximos cinco anos. Na média global, 25% do faturamento vêm de negócios internacionais, que em cinco anos devem responder por 32%.
Assim, as empresas familiares brasileiras ainda não se abriram para os mercados externos. São mais conservadoras e têm menos apetite por riscos, mas existem algumas alternativas para facilitar o acesso a mercados externos. Parcerias estratégicas com empresas internacionais e que já conheçam o mercado local podem beneficiar os negócios familiares e abrir as portas de outros mercados, expandindo as atividades para além do território brasileiro.
Mesmo com as dificuldades mencionadas, a maioria das empresas familiares brasileiras (79%) registrou crescimento nos últimos 12 meses, segundo o levantamento da PwC, e 76% preveem manter o crescimento nos próximos cinco anos. Globalmente, 65% dos negócios familiares tiveram crescimento e 85% projetam crescimento. São números que impressionam e trazem otimismo para o País.
Augusto Assunção é Sócio da PwC Brasil
Fonte: Panorama de Negocios
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