A comunicação como ferramenta de Gestão de Pessoas e Resultados
 
Vieira Junior
Para quem não sabe aonde se quer chegar, qualquer caminho serve. Este é, ainda que de forma inconsciente, um pensamento que reina quando uma tarefa, desejo ou projeto não é especificado ou comunicado de forma eficiente em qualquer campo da vida, seja pessoal ou profissional. No primeiro, talvez as consequências sejam um pouco menores do ponto de vista da abrangência, mas em uma empresa, com inúmeras pessoas (e por que não dizer vidas?) envolvidas em uma empreitada que envolve cifras milionárias, caminhar sem rumo é prejuízo na certa, com consequências devastadoras para pessoas e empresas.
A comunicação é um meio de troca de informações, uma espécie de estrada de mão dupla. Quando mal interpretadas elas podem causar acidentes, verdadeiras catástrofes financeiras ocasionadas por desencontros de execução de tarefas.
Qualquer projeto começa com comunicação. A empreitada pode surgir de uma ideia, mas o convencimento sobre a sua importância dependerá de como a pessoa irá contar a novidade ao superior, se em conversa informal, e-mail, reunião ou apresentação. Enfim, qual será a ferramenta comunicativa adotada. Em um ambiente corporativo, com pessoas das mais diversas formações, culturas, pensamentos e ideologias, a comunicação se mostra ainda mais importante do ponto de vista da sua correta utilização.
Imagine, por exemplo, uma linha de produção em que todos os funcionários estejam trabalhando há algum tempo. Todos estão completamente habituados e acostumados com o ritmo e até mesmo com o cenário. Isso acaba gerando certo comodismo, provocado pela formação de um padrão mental, uma espécie de acomodação que dá a certeza aos colaboradores de que tudo está assim porque é realmente assim. Ao mesmo tempo, um funcionário visionário, daqueles que tem uma grande ideia a cada semana, finalmente tem a grande percepção que vai colocar a empresa em um novo patamar de produção e concorrência no mercado. Então, ele realiza o estudo de viabilidade, prevê os investimentos e conclui que a empreitada é um bom negócio. Tudo é aprovado pela direção após incansáveis reuniões recheadas de esclarecimentos e relatórios. Assim, é hora de implantar o projeto.
Nesse ponto, o principal pecado acontece. Tudo é muito bem previsto: custos, investimentos, tempo, recursos, etc. Contudo, muitos deixam de contar com o principal ponto dentro da empresa: as pessoas. Um recente estudo organizado pelo Project Management Institute Brasil (PMI) constatou que, para 76% das empresas, o principal motivo para seus projetos fracassarem são falhas na comunicação. Segundo a pesquisa, bons projetos surgem, mas seus idealizadores não sabem escrever, falar e se relacionar adequadamente com diferentes tipos de pessoas para convencê-las de que aquela é uma boa iniciativa.
Empresas são formadas por pessoas e elas têm um enorme poder de influência sobre o ponto em que companhia quer chegar. Voltando ao case, os aqueles colaboradores terão as suas vidas e rotinas completamente alteradas pela ideia de alguém que eles sequer conhecem. E por quê? Para quê? Por que dar tudo de si para que aquilo dê certo? As respostas dessas perguntas devem ser feitas, primeiro, ao próprio autor do projeto. Em seguida, àqueles que autorizam a sua execução e, consequentemente, a todos os envolvidos, os que empenharão tempo, esforço ou recurso em sua execução. É importante ressaltar que, para cada etapa, diferentes ferramentas de comunicação devem ser adotadas. Não se apresenta uma ideia para o diretor da organização da mesma maneira que se convence os auxiliares do departamento, por exemplo, mas, no fundo, todos precisam aceitar o projeto. A diferença é que quando um diretor não aceita, ele não assina o papel. Já quando alguém que não tem o poder da caneta na mão o rejeita, não se motiva ou simplesmente não se esforça e, por mais que vivamos em um mundo rodeado pelas tecnologias, nada acontece se as pessoas não se mexerem.
O entendimento sobre a importância de algo dirá se as pessoas vão se engajar ou não. Assim, revela-se a importância da comunicação em todos os sentidos. O fato de 76% dos projetos fracassarem por deficiências básicas de comunicação revela a necessidade de um planejamento abrangente nas organizações que transcenda os informativos e murais coloridos com perfis de funcionários. É preciso preparar os profissionais para que suas habilidades técnicas adquiridas ao longo de anos de estudos nas salas das universidades consigam sair da mente e ganhar não só o mundo, mas outras mentes. É preciso ter a ideia, montar o produto e vendê-lo tão bem quanto o seu processo de produção.
Vieira Junior é  jornalista, pós-graduando em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas – IBE Conveniada FGV Americana.
Fonte: Panorama de Negócios
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